{"id":2889,"date":"2008-11-13T00:00:00","date_gmt":"2008-11-13T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/cerco_a_brasilia\/"},"modified":"2008-11-13T00:00:00","modified_gmt":"2008-11-13T02:00:00","slug":"cerco_a_brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/cerco_a_brasilia\/","title":{"rendered":"Cerco a Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p> &nbsp; &nbsp; Dad Squarisi \/\/ <A href=\"mailto:dad.squarisi@correioweb.com.br\">dad.squarisi@correioweb.com.br<\/A> &nbsp; Rio, S\u00e3o Paulo, Minas t\u00eam uma certeza. As chuvas trar\u00e3o enchentes, que. inundam, desabrigam, matam. As causas da ira celeste s\u00e3o v\u00e1rias. Entre elas, o desmatamento, a ocupa\u00e7\u00e3o desordenada da terra, o excesso de asfalto e cal\u00e7amento. Sobre a superf\u00edcie impermeabilizada, a \u00e1gua corre mais r\u00e1pido. Avoluma-se. Fica incontrol\u00e1vel. Ruas se transformam em rios. Casas desaparecem. Adultos e crian\u00e7as tentam se salvar. Abandonam o patrim\u00f4nio de toda a vida. &nbsp; Em Bras\u00edlia, a esta\u00e7\u00e3o das \u00e1guas \u00e9 bem-vinda. Depois de longa seca, o verde renasce, as flores explodem, os p\u00e1ssaros recuperam o gorjeio. Primavera e ver\u00e3o se confundem. O cen\u00e1rio brasiliense parece distante do paulista. Nada mais ilus\u00f3rio. S\u00e3o Paulo construiu o horror passo a passo. Ao longo dos 454 anos de vida, a cidade foi ocupada desregradamente. P\u00f4s abaixo as matas, avan\u00e7ou no leito dos rios, diminuiu a \u00e1rea verde, destruiu a cobertura vegetal. Colhe, agora, os frutos.  &nbsp; As cenas de Planaltina inundada, da Estrutural arrastada pela enxurrada, do viaduto Israel Pinheiro afogado no lama\u00e7al s\u00e3o prova de que a mesma amea\u00e7a pesa sobre Bras\u00edlia. A cidade est\u00e1 cercada de assentamentos. Condom\u00ednios proliferam por todos os lados. Altera\u00e7\u00f5es do gabarito de pr\u00e9dios, mudan\u00e7a de destina\u00e7\u00e3o de \u00e1reas, parcelamento de lotes, cria\u00e7\u00e3o de bairros deixam saldo negativo: multiplicam-se os moradores, o n\u00famero de carros aumenta, a press\u00e3o sobre o equipamento urbano chega ao extremo. &nbsp; O DF perde o ar. Com o fim da cobertura vegetal, a temperatura sobe, as secas se prolongam. As autoridades fazem interpreta\u00e7\u00e3o generosa das leis ambientais. Esquecem que o meio ambiente n\u00e3o \u00e9 cora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e. As \u00e1reas de risco s\u00f3 comportam o limite de sua capacidade. Avan\u00e7ar \u00e9 suic\u00eddio. Por enquanto, \u00e1reas que fazem o controle d\u00e3o a impress\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 risco na ocupa\u00e7\u00e3o crescente. Nada mais falso. &nbsp; Vale a pergunta: com&nbsp;454 anos, Bras\u00edlia exibir\u00e1 cen\u00e1rio diferente do de S\u00e3o Paulo? Os governantes hoje conhecem os impactos ambientais. T\u00eam, por isso, responsabilidade dobrada. Precisam estabelecer regras para o futuro, n\u00e3o ficar presos ao imediatismo do presente. Na d\u00favida, basta olhar para a capital paulista. Foi assim que tudo come\u00e7ou.. &nbsp; (artigo publicado na Editoria de Opini\u00e3o do Correio Braziliense)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Dad Squarisi \/\/ dad.squarisi@correioweb.com.br &nbsp; Rio, S\u00e3o Paulo, Minas t\u00eam uma certeza. As chuvas trar\u00e3o enchentes, que. inundam, desabrigam, matam. As causas da ira celeste s\u00e3o v\u00e1rias. Entre elas, o desmatamento, a ocupa\u00e7\u00e3o desordenada da terra, o excesso de asfalto e cal\u00e7amento. Sobre a superf\u00edcie impermeabilizada, a \u00e1gua corre mais r\u00e1pido. Avoluma-se. Fica incontrol\u00e1vel. Ruas se transformam em rios. Casas desaparecem. 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