{"id":2901,"date":"2008-11-16T00:05:00","date_gmt":"2008-11-16T02:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/e_vandalismo_sim_senhor\/"},"modified":"2008-11-16T00:05:00","modified_gmt":"2008-11-16T02:05:00","slug":"e_vandalismo_sim_senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/e_vandalismo_sim_senhor\/","title":{"rendered":"\u00c9 vandalismo sim, senhor"},"content":{"rendered":"<p>  <BR>&nbsp;  <BR>Nossa Senhora! Pode? Pode. Duas alunas se desentenderam. Discutiram. Colegas tomaram partido. Armou-se a confus\u00e3o. &#8220;Porrada, porrada, porrada&#8221;, gritavam todos em coro. Adolescentes arremessaram pedras e carteiras nos vidros. Arrombaram portas. Trocaram tapas e socos. A diretora desmaiou. Professores e funcion\u00e1rios, acuados, se trancaram numa sala. A meninada amea\u00e7ava incendiar o pr\u00e9dio.  <BR> &nbsp; &nbsp; Chamada pelos vizinhos, a pol\u00edcia chegou. Depois de enfrentamentos, restabeleceu a ordem na Escola Estadual Amadeu Amaral, de S\u00e3o Paulo. &#8220;Foi vandalismo&#8221;, disse o PM diante do resultado de tr\u00eas horas de pancadaria e quebra-quebra. A classifica\u00e7\u00e3o trouxe \u00e0 mente os estragos feitos pelos v\u00e2ndalos. A viol\u00eancia foi tal que o nome do povo de origem germ\u00e2nica enriqueceu tristemente o vocabul\u00e1rio da l\u00edngua.  <BR> &nbsp; Vandalismo lembra a devasta\u00e7\u00e3o levada avante pelos b\u00e1rbaros. V\u00e2ndalos, no falar de hoje, s\u00e3o as pessoas que destroem, arrasam, aniquilam. Tamb\u00e9m entram na indesej\u00e1vel denomina\u00e7\u00e3o os brutos que danificam monumentos ou objetos de valor cultural, hist\u00f3rico ou cient\u00edfico. X\u00f4!  <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG>F\u00faria incontida<\/STRONG>  <BR> &nbsp; Vandalismo virou vandalismo h\u00e1 um temp\u00e3o. L\u00e1 pelo s\u00e9culo V, os v\u00e2ndalos puseram as manguinhas de fora. Tomados de f\u00faria incontida, deixaram a terrinha delas e partiram pro mundo. Invadiram a Fran\u00e7a e se apossaram de tudo o que encontraram pela frente. De l\u00e1, passaram pra Espanha. N\u00e3o deixaram pedra sobre pedra. Mais: insaci\u00e1veis, tomaram a Sic\u00edlia, a C\u00f3rsega, a Sardenha. Atacaram o norte da \u00c1frica. Por fim, apoderaram-se da j\u00f3ia da coroa. Saquearam Roma. Foi o come\u00e7o do fim do Imp\u00e9rio Romano do Ocidente.  <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG>Quebra-quebra  <BR><\/STRONG> &nbsp; Passada a confus\u00e3o, professores narraram os epis\u00f3dios \u00e0 pol\u00edcia. Falaram em pancadaria e quebra-quebra. A certa hora, precisaram do plural da duplinha. Seria quebra-quebra? Quebras-quebras? Quebra-quebras? Palpites n\u00e3o faltaram. Confus\u00f5es tamb\u00e9m n\u00e3o. A sa\u00edda foi consultar gram\u00e1ticas e dicion\u00e1rios. L\u00e1 est\u00e1: nos substantivos compostos, quando os dois elementos s\u00e3o constitu\u00eddos de palavras iguais, s\u00f3 o segundo vai para o plural. \u00c9 o caso de quebra-quebras, troca-trocas, pisca-piscas.  <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG><\/STRONG>&nbsp; <STRONG>Cada um na sua  <BR><\/STRONG> &nbsp; &nbsp; Professor ensina e aluno aprende. Certo? Sim, mas com uma condi\u00e7\u00e3o. Trata-se do respeito \u00e0 reg\u00eancia. Quem ensina ensina alguma coisa a algu\u00e9m: Ningu\u00e9m ensina o pai-nosso ao vig\u00e1rio. Eu ensino matem\u00e1tica aos alunos da 4\u00aa s\u00e9rie. Algu\u00e9m ensina \u00e9tica ao juiz? &nbsp; &nbsp; H\u00e1 constru\u00e7\u00f5es que dispensam os dois objetos (o alguma coisa e o algu\u00e9m). Outras dispensam um dos objetos. Olho vivo! A reg\u00eancia se mant\u00e9m: O professor ensina bem. Paulo ensina matem\u00e1tica na universidade. Ensino aos alunos o que eles querem aprender.  <BR>&nbsp;  <BR><STRONG><\/STRONG> <STRONG><\/STRONG>&nbsp; <STRONG>Olho no trio  <BR><\/STRONG> &nbsp; &nbsp; Antes do infinitivo, por favor, d\u00ea passagem ao a: A dor ensina a gemer. A vida ensina a ser tolerante. Esporte ensina a conviver com diferentes.  <BR>&nbsp;  <BR><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nossa Senhora! Pode? Pode. Duas alunas se desentenderam. Discutiram. Colegas tomaram partido. Armou-se a confus\u00e3o. &#8220;Porrada, porrada, porrada&#8221;, gritavam todos em coro. Adolescentes arremessaram pedras e carteiras nos vidros. Arrombaram portas. Trocaram tapas e socos. A diretora desmaiou. Professores e funcion\u00e1rios, acuados, se trancaram numa sala. A meninada amea\u00e7ava incendiar o pr\u00e9dio. &nbsp; &nbsp; Chamada pelos vizinhos, a pol\u00edcia chegou. 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