{"id":294,"date":"2015-04-09T00:00:00","date_gmt":"2015-04-09T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/2015\/04\/09\/o_jeito_de_dar_um_jeito\/"},"modified":"2015-10-23T17:00:50","modified_gmt":"2015-10-23T19:00:50","slug":"o_jeito_de_dar_um_jeito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_jeito_de_dar_um_jeito\/","title":{"rendered":"O jeito de dar um jeito"},"content":{"rendered":"<div>  DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi.df@dabr.com.br    <\/p>\n<p>Sim ou n\u00e3o? Nem uma coisa nem outra. N\u00e3o gostamos de polariza\u00e7\u00e3o nem de  radicaliza\u00e7\u00f5es. Preferimos o vamos ver. Ou o depende. Nossa natureza combina com  a coluna do meio. J\u00e1 inventamos at\u00e9 um verbo pra traduzir o casu\u00edsmo tupiniquim.  \u00c9 flexibilizar. Quer palavra mais chiclete? Afinal, pensamos, as coisas n\u00e3o  precisam ser t\u00e3o rigorosas.   <\/p>\n<p> Dar um jeito virou institui\u00e7\u00e3o. T\u00e3o brasileira quanto a feijoada. T\u00e3o antiga  quanto Pedro \u00c1lvares Cabral. T\u00e3o poderosa quanto Deus e o diabo mancomunados.  Com ela at\u00e9 as leis f\u00edsicas balan\u00e7am. Quem n\u00e3o se lembra da bravata do  presidente Figueiredo? Contrariado, o general de plant\u00e3o amea\u00e7ou revogar nada  menos que a lei da gravidade.    <\/p>\n<p>Jeitinho combina com improvisa\u00e7\u00e3o, que rima com procrastina\u00e7\u00e3o. Sorri para a  corrup\u00e7\u00e3o, abre as portas para o desperd\u00edcio e faz a festa com o dinheiro  p\u00fablico. Op\u00f5e-se a planejamento, a seriedade, a pesquisa de causas e busca de  solu\u00e7\u00f5es efetivas. Em bom portugu\u00eas: empurra com a barriga. Bater ponto final \u00e9  coisa pra franc\u00eas, alem\u00e3o ou americano. Com eles \u00e9 p\u00e3o p\u00e3o, queijo, queijo. Com  brasileiro, a coisa muda. Aqui h\u00e1 sempre um jeito de dar um jeito.    <\/p>\n<p>Os alunos n\u00e3o aprendem? Pro\u00edbe-se a reprova\u00e7\u00e3o. As estradas est\u00e3o  intransit\u00e1veis? Promove-se opera\u00e7\u00e3o tapa-buraco. Governador d\u00e1 calote em  servidores e empresas? Vai a Miami estudar ingl\u00eas. O povo sai \u00e0s ruas gritar  contra a m\u00e1 qualidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos? Responde-se com reforma pol\u00edtica. A  Petrobras se afunda em corrup\u00e7\u00e3o? Abra\u00e7a-se o pr\u00e9dio da estatal.     <\/p>\n<p>Ops! A viol\u00eancia aumenta? Reduz-se a maioridade penal. \u00c9 f\u00e1cil, f\u00e1cil.  Muda-se a Constitui\u00e7\u00e3o. Com a aprova\u00e7\u00e3o da PEC 171\/93, os brasileiros respirar\u00e3o  aliviados. V\u00e3o se livrar das c\u00e2meras de seguran\u00e7a, retirar as grades das  janelas, derrubar os muros da casa, sacar dinheiro nos caixas eletr\u00f4nicos, tirar  as joias do cofre, andar \u00e0 noite sem medo, soltar as crian\u00e7as nas cal\u00e7adas.  Afinal,<a name=\"Save1\"><\/a> os menores respondem por 0,9% dos crimes cometidos no  pa\u00eds. Isso mesmo \u2014 menos de 1%. Que al\u00edvio!  <\/p>\n<p>(artigo publicado no Correio Braziliense de hoje)     <\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi.df@dabr.com.br Sim ou n\u00e3o? Nem uma coisa nem outra. N\u00e3o gostamos de polariza\u00e7\u00e3o nem de radicaliza\u00e7\u00f5es. Preferimos o vamos ver. Ou o depende. Nossa natureza combina com a coluna do meio. J\u00e1 inventamos at\u00e9 um verbo pra traduzir o casu\u00edsmo tupiniquim. \u00c9 flexibilizar. Quer palavra mais chiclete? Afinal, pensamos, as coisas n\u00e3o precisam ser t\u00e3o rigorosas. Dar um jeito virou institui\u00e7\u00e3o. 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