{"id":2969,"date":"2008-11-30T00:00:00","date_gmt":"2008-11-30T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/brasilienses_a_beira_de_um_ataque_de_nervos\/"},"modified":"2008-11-30T00:00:00","modified_gmt":"2008-11-30T02:00:00","slug":"brasilienses_a_beira_de_um_ataque_de_nervos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/brasilienses_a_beira_de_um_ataque_de_nervos\/","title":{"rendered":"Brasilienses \u00e0 beira de um ataque de nervos"},"content":{"rendered":"<p>  <BR>&nbsp; Os brasilienses est\u00e3o em polvorosa. Com raz\u00e3o. Eles adoram cachorros. H\u00e1 pessoas que t\u00eam dois, tr\u00eas, quatro c\u00e3es em casa. Os peludinhos e pelud\u00f5es s\u00e3o como gente da fam\u00edlia. Agora, chegou a not\u00edcia. Dois mil animais est\u00e3o com leishmaniose. A doen\u00e7a \u00e9 contagiosa e, parece, sem tratamento eficaz. Os donos n\u00e3o t\u00eam sa\u00edda. Ou sacrificam os animais, ou correm o risco de contrair a enfermidade. Ops! Que enrascada!  <BR>&nbsp; <BR>Enquanto n\u00e3o se decidem, choram, rezam, fazem promessas. Sobretudo cercam os bichinhos de carinho. Diminutivos circulam pra cima e pra baixo. \u00c9 a\u00ed que a porca entra na hist\u00f3ria e torce o rabo. Qual o plural de c\u00e3ozinho? Em tempos idos e vividos, a mo\u00e7ada aprendeu que certas flex\u00f5es t\u00eam manhas. Essa \u00e9 uma delas. Como chegar l\u00e1?   <BR>&nbsp; <BR>A gram\u00e1tica responde. D\u00ea tr\u00eas passos. Um: escreva a palavra no plural (c\u00e3o, c\u00e3es). Dois: tire o s (c\u00e3es, c\u00e3e). Tr\u00eas: acrescente o sufixo -zinhos. Pronto: o plural de c\u00e3ozinho \u00e9 c\u00e3ezinhos. Viu? C\u00e3o rima com p\u00e3o. C\u00e3ozinho e p\u00e3ozinho tamb\u00e9m. C\u00e3ezinhos e p\u00e3ezinhos dizem am\u00e9m.  <BR>&nbsp; <BR>&nbsp; <BR><STRONG>Time sofisticado<\/STRONG> <STRONG><\/STRONG>&nbsp;  <BR>C\u00e3o e p\u00e3o t\u00eam companheiros no plural sofisticado. Outros diminutivos exigem as tr\u00eas etapas. \u00c9 o caso de animalzinho (animais, animai, animaizinhos), papelzinho (pap\u00e9is, pap\u00e9i, papeizinhos), len\u00e7olzinho (len\u00e7\u00f3is, len\u00e7\u00f3i, len\u00e7oizinhos), mulherzinha (mulheres, mulhere, mulherezinhas), bot\u00e3ozinho (bot\u00f5es, bot\u00f5e, bot\u00f5ezinhos), florzinha (flores, flore, florezinhas).  <BR>&nbsp; <BR>&nbsp; <BR><STRONG>Por falar leishmaniose\u2026<\/STRONG> <STRONG><\/STRONG>&nbsp;<STRONG>  <BR><\/STRONG>Voc\u00ea sabe por que leishmaniose se chama leishmaniose? O nome vem de William Boog Leishman. O bacteriologista escoc\u00eas nasceu em 1865 e partiu desta pra melhor em 1926. No meio tempo, descobriu a leishm\u00e2nia \u2014 protozo\u00e1rio que ataca homens e animais. Pelo feito, entrou na hist\u00f3ria.  <BR>&nbsp; <BR>&nbsp; <BR> <STRONG>\u00c9 s\u00f3 escolher<\/STRONG> <STRONG><\/STRONG>&nbsp; H\u00e1 c\u00e3es e c\u00e3es. H\u00e1 os nobres e os vira-latas. H\u00e1 os grandes, os m\u00e9dios e os pequenos. H\u00e1 os pretos, os brancos, os castanhos. H\u00e1 os de p\u00ealo longo e os de p\u00ealo curto. H\u00e1 os que fazem companhia e os que guardam a casa. Em suma: h\u00e1 variedades pra dar e vender. Uns e outros obedecem \u00e0 mesma regra ling\u00fc\u00edstica. No plural, flexionam-se como qualquer substantivo: os labradores, os filas, os pequineses, os pastores alem\u00e3es.  <BR>&nbsp; <BR>&nbsp; <BR><STRONG>Sem sa\u00edda<\/STRONG> <STRONG><\/STRONG>&nbsp; Dizem que cachorro adora osso. Ser\u00e1? Na verdade, ele n\u00e3o tem sa\u00edda. \u00c9 que n\u00e3o lhe d\u00e3o carne.&nbsp;&nbsp;  <BR>&nbsp; <BR>&nbsp; <BR> <STRONG>Qualidades<\/STRONG> <STRONG><\/STRONG>&nbsp; Os animais t\u00eam qualidades t\u00e3o marcantes que passam a simboliz\u00e1-las. O c\u00e3o \u00e9 fiel. A lebre, \u00e1gil. A tartaruga, lenta. A raposa, esperta. O boi, paciente. A formiga, trabalhadeira. A cigarra, irrespons\u00e1vel. O elefante, dono de mem\u00f3ria \u00edmpar.&nbsp;  <BR> E por a\u00ed vai. <BR>&nbsp; <BR>&nbsp; <BR><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Os brasilienses est\u00e3o em polvorosa. Com raz\u00e3o. Eles adoram cachorros. H\u00e1 pessoas que t\u00eam dois, tr\u00eas, quatro c\u00e3es em casa. Os peludinhos e pelud\u00f5es s\u00e3o como gente da fam\u00edlia. Agora, chegou a not\u00edcia. Dois mil animais est\u00e3o com leishmaniose. A doen\u00e7a \u00e9 contagiosa e, parece, sem tratamento eficaz. Os donos n\u00e3o t\u00eam sa\u00edda. 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