{"id":3005,"date":"2008-12-05T00:00:00","date_gmt":"2008-12-05T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/ser_sofisticado_e\/"},"modified":"2008-12-05T00:00:00","modified_gmt":"2008-12-05T02:00:00","slug":"ser_sofisticado_e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/ser_sofisticado_e\/","title":{"rendered":"Ser sofisticado \u00e9&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cO brasileiro desconfia do que entende.\u201d <\/p>\n<p>Nelson Rodrigues <\/p>\n<p>Ser sofisticado \u00e9&#8230; <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;Usar o cujo como manda o figurino. O diss\u00edlabo \u00e9 pronome relativo. Pertence \u00e0 fam\u00edlia do\u00aeMDUL\u00af que, o qual, onde. \u00c9 o membro chique do cl\u00e3. Requintado, imp\u00f5e tr\u00eas regras para ser empregado. S\u00e3o exig\u00eancias simples. Para atend\u00ea-las, basta manter as antenas ligadas e a pregui\u00e7a adormecida em ber\u00e7o espl\u00eandido. <\/p>\n<p>Primeira exig\u00eancia <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;Tenha cuidado com a separa\u00e7\u00e3o das s\u00edlabas: o danadinho morre de vergonha de ficar com um peda\u00e7o l\u00e1 e outro c\u00e1. O motivo \u00e9 justo. A primeira s\u00edlaba, no fim da linha, vira palavr\u00e3o (cu-jo). Feito o estrago, o constrangido s\u00f3 encontra uma sa\u00edda. Consola-se com \u00aeMDUL\u00affederal (fede-ral). Os dois se abra\u00e7am e choram, choram, choram. Depois se vingam. Cobrem o autor de vexames. <\/p>\n<p>Segunda exig\u00eancia <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;Deixe o artigo pra l\u00e1: cujo tem avers\u00e3o a o, a, os e as. Nunca escreva: \u00aeMDUL\u00afcujo o, cuja a, cujos os, cujos as. Nunca mesmo. O casamento pega mal como bater em mulher, cuspir no ch\u00e3o ou palitar os dentes em p\u00fablico,  <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;Veja exemplo de encontro indesej\u00e1vel: <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;\u00aeMDUL\u00afGenoino, cujo o discurso foi recebido com uma torta na cara, lamentou o epis\u00f3dio. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;X\u00f4, artigo! <\/p>\n<p>\u00aeMDUL\u00af <\/p>\n<p>Terceira exig\u00eancia <\/p>\n<p>\u00aeMDUL\u00af&nbsp;&nbsp; &nbsp;D\u00ea aten\u00e7\u00e3o \u00e0 posse: o cujo, como todo pronome relativo, tem uma fun\u00e7\u00e3o: junta duas frases. No caso, uma delas tem de indicar posse. A presen\u00e7a do diss\u00edlabo evita a repeti\u00e7\u00e3o de palavras. O enunciado fica chique como p\u00e9rolas negras. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;Aprecie: <\/p>\n<p>\u00aeMDUL\u00af&nbsp;&nbsp; &nbsp;*Lula recebeu cr\u00edticas no Brasil. O discurso de Lula ( <\/p>\n<p>dele) foi aplaudido em Davos. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;Feio, n\u00e3o? Lula em dose dupla ningu\u00e9m ag\u00fcenta. A repeti\u00e7\u00e3o do nome\u00aeMDUL\u00af torna a frase mon\u00f3tona. O jeito? Recorrer \u00e0 bondade do relativo. Para dar id\u00e9ia de posse, o glorioso \u00aeMDUL\u00afcujo pede passagem: <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;*\u00aeMDUL\u00afLula, cujo discurso foi aplaudido em Davos, recebeu cr\u00edticas no Brasil. <\/p>\n<p>Outros exemplos: <\/p>\n<p>\u00aeMDUL\u00af&nbsp;&nbsp; &nbsp;*O PT est\u00e1 com a faca e o queijo na m\u00e3o. O candidato do PT ( <\/p>\n<p>&nbsp;dele) ganhou a presid\u00eancia da C\u00e2mara. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;*O PT, cujo candidato ganhou a presid\u00eancia da C\u00e2mara, est\u00e1 com a faca e o queijo na m\u00e3o. <\/p>\n<p>*** <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;*Os astronautas da Columbia tinham mil aventuras para contar. Os corpos dos astronautas ( <\/p>\n<p>&nbsp;deles) est\u00e3o perdidos no espa\u00e7o. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;*Os astronautas da Columbia, cujos corpos est\u00e3o perdidos no espa\u00e7o, tinham mil aventuras para contar. <\/p>\n<p>Trope\u00e7os <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;O brasileiro morre de medo do \u00aeMDUL\u00afcujo. Mas, orgulhoso, esconde a verdade. Alega que a esnoba\u00e7\u00e3o se deve \u00e0 fei\u00fara do pobrezinho. Mentira tem perna corta. Volta e meia, aparecem mostrengos como estes: <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;1.\u00aeMDUL\u00af A mulher que o filho morreu vai deixar a cidade. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;2.\u00aeMDUL\u00af Paulo Coelho, que os livros fazem sucesso em Europa, Fran\u00e7a e Bahia, tornou-se imortal da Academia Brasileira de Letras. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;3.\u00aeMDUL\u00af Farah Jorge Farah, o esquartejador que o escrit\u00f3rio foi todinho vasculhado, est\u00e1 dividindo a cela com outro m\u00e9dico. <\/p>\n<p>Desafio <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;Voc\u00ea joga no time dos medrosos? Fa\u00e7a o teste. Corrija as frases capengas. Para chegar l\u00e1, lembre-se do \u00aeMDUL\u00afcujo. Feito trabalho, prepare a balan\u00e7a. Voc\u00ea tem direito a tr\u00eas bombons. Que tal? <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;1. \u2026&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;2&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230; <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;3. \u2026&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. <\/p>\n<p>Gabarito <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;Veja se voc\u00ea ganhou uns graminhas: <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;1.\u00aeMDUL\u00af A mulher cujo filho morreu vai deixar a cidade. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;2.\u00aeMDUL\u00af Paulo coelho, cujos livros fazem sucesso em Europa, Fran\u00e7a e Bahia, tornou-se imortal da Academia Brasileira de Letras. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;3.\u00aeMDUL\u00af Farah Jorge Farah, o esquartejador cujo escrit\u00f3rio foi todinho vasculhado, est\u00e1 dividindo a cela com outro m\u00e9dico. <\/p>\n<p>Moral da hist\u00f3ria <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;Um texto charmoso n\u00e3o cai do c\u00e9u nem salta do inferno. \u00c9 fruto de muito suor. Uma frase elegante, capaz de veicular com clareza e simplicidade a mensagem, \u00e9 conquista pessoal, exerc\u00edcio di\u00e1rio de desapego, humildade e vontade de melhorar. \u00aeMDUL\u00af <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO brasileiro desconfia do que entende.\u201d Nelson Rodrigues Ser sofisticado \u00e9&#8230; &nbsp;&nbsp; &nbsp;Usar o cujo como manda o figurino. O diss\u00edlabo \u00e9 pronome relativo. Pertence \u00e0 fam\u00edlia do\u00aeMDUL\u00af que, o qual, onde. \u00c9 o membro chique do cl\u00e3. Requintado, imp\u00f5e tr\u00eas regras para ser empregado. S\u00e3o exig\u00eancias simples. Para atend\u00ea-las, basta manter as antenas ligadas e a pregui\u00e7a adormecida em ber\u00e7o espl\u00eandido. 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