{"id":3049,"date":"2008-12-15T00:00:00","date_gmt":"2008-12-15T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_redacao_-_manhas_da_palavra\/"},"modified":"2008-12-15T00:00:00","modified_gmt":"2008-12-15T02:00:00","slug":"a_redacao_-_manhas_da_palavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_redacao_-_manhas_da_palavra\/","title":{"rendered":"A reda\u00e7\u00e3o &#8212; manhas da palavra"},"content":{"rendered":"<p>  <BR> <BR>&#8220;Escrever&#8221;, ensinam os manuais, &#8220;\u00e9 10% de inspira\u00e7\u00e3o e 90% de transpira\u00e7\u00e3o&#8221;. Em outras palavras: escrever d\u00e1 trabalho. E como! A gente tem de planejar, escrever e burilar o texto. Sem pregui\u00e7a. A reda\u00e7\u00e3o nota 10 n\u00e3o nasce na primeira tentativa. Nem na segunda. Nem na terceira. A cada vers\u00e3o o autor conjuga o verbo melhorar. Corta daqui, enxerta dali, troca palavras, muda par\u00e1grafos de lugar. Ufa!  <BR> &nbsp; Na coluna passada, falamos da import\u00e2ncia da frase curta. Ela apresenta mil vantagens \u2014 \u00e9 mais f\u00e1cil de entender, oferece menos possibilidades de erros e torna o texto mais claro. Hoje vamos nos dedicar \u00e0s palavras. Os voc\u00e1bulos precisam ser escolhidos a dedo. Com eles, damos os recados certos e ganhamos pontos. Olho vivo.  <BR> &nbsp; Duas regras de ouro  <BR> &nbsp; 1. Prefira palavras breves e simples. Palavras longas e pomposas funcionam como uma cortina de fuma\u00e7a entre quem escreve e quem l\u00ea. Seja simples. Entre dois voc\u00e1bulos, prefira o mais curto. Entre dois curtos, o mais expressivo. Caus\u00eddico ou advogado? Advogado. Matrim\u00f4nio ou casamento? Casamento. Auscultar ou sondar? Sondar. Falecer ou morrer? Morrer. Morosidade ou lentid\u00e3o? Lentid\u00e3o.  <BR>&nbsp;  <BR> 2. Escolha termos espec\u00edficos. H\u00e1 palavras que s\u00e3o mais espec\u00edficas do que outras. Gato siam\u00eas \u00e9 mais singular do que simplesmente gato; homem, mais do que animal; laranjeira, mais que \u00e1rvore; \u00e1rvore, mais do que planta ou vegetal. Trabalhador \u00e9 termo de sentido geral, muito amplo; jornalista tem sentido mais restrito; jornalista do Correio Braziliense, mais ainda.  <BR> &nbsp; Ao descrever uma cena de rua, voc\u00ea pode referir-se genericamente a transeuntes ou particularizar: homens, jovens, estudantes, alunos da UnB. Escrever &#8220;foi um per\u00edodo dif\u00edcil&#8221; constitui vagueza. &#8220;Estive desempregado durante tr\u00eas meses&#8221; \u00e9 mais preciso, bem melhor.  <BR> &nbsp; Compare os textos. O primeiro prima pela generaliza\u00e7\u00e3o. O segundo, pela especifica\u00e7\u00e3o:  <BR> &nbsp; Os jovens chegaram num carr\u00e3o bonito. Usavam cal\u00e7as velhas, camisetas e \u00f3culos de sol. Entraram no primeiro restaurante que encontraram pela frente sem se preocupar com o pre\u00e7o.  <BR> <BR> &nbsp; Os jovens, entre 15 e 18 anos, chegaram numa BMW azul. Usavam cal\u00e7a jeans com remendos nas pernas, camiseta de malha branca e \u00f3culos de sol. Entraram no primeiro restaurante que encontraram pela frente, um italiano especializado em massas de Bologna, sem se preocupar com o pre\u00e7o.  <BR>&nbsp;  <BR> Viu a diferen\u00e7a? N\u00e3o foi por acidente que Gon\u00e7alves Dias comp\u00f4s: &#8220;Minha terra tem palmeiras \/ Onde canta o sabi\u00e1&#8221;. Se tivesse dito &#8220;Minha terra tem \u00e1rvores \/ Onde canta o p\u00e1ssaro&#8221;, seus versos estariam enterrados com ele, ignorados de todos.  <BR> &nbsp; Siga a regra: o espec\u00edfico \u00e9 prefer\u00edvel ao gen\u00e9rico; o definido ao vago; o concreto ao abstrato.  <BR> &nbsp; (Coluna publicada no suplemento Gabarito, que circula \u00e0s segundas no Correio Braziliense)&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Escrever&#8221;, ensinam os manuais, &#8220;\u00e9 10% de inspira\u00e7\u00e3o e 90% de transpira\u00e7\u00e3o&#8221;. Em outras palavras: escrever d\u00e1 trabalho. E como! A gente tem de planejar, escrever e burilar o texto. Sem pregui\u00e7a. A reda\u00e7\u00e3o nota 10 n\u00e3o nasce na primeira tentativa. Nem na segunda. Nem na terceira. A cada vers\u00e3o o autor conjuga o verbo melhorar. Corta daqui, enxerta dali, troca palavras, muda par\u00e1grafos de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3049","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3049","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3049"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3049\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}