{"id":3079,"date":"2008-12-28T00:00:00","date_gmt":"2008-12-28T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_familia_acima_de_tudo\/"},"modified":"2008-12-28T00:00:00","modified_gmt":"2008-12-28T02:00:00","slug":"a_familia_acima_de_tudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_familia_acima_de_tudo\/","title":{"rendered":"A fam\u00edlia acima de tudo"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><strong>Recado<\/strong>&#8220;Criar \u00e9 matar a morte.&#8221; Roman Rolland<b> Deus no c\u00e9u e a fam\u00edlia na Terra<\/b> Dizem que a l\u00edngua \u00e9 um sistema de ciladas. V\u00e1rios argumentos provam a tese.  Um deles: o verbo reaver. Ele tem toda a pinta de derivado do verbo ver. Mas n\u00e3o  \u00e9. A cara inocente engana gente boa. \u00c9 o caso de redatores do jornal<i>. <\/i>Na  p\u00e1gina 33 da edi\u00e7\u00e3o de quarta, l\u00e1 estava, escancarado em t\u00edtulo: &#8220;Atriz reav\u00ea  documentos&#8221;. Leitores bateram os olhos no texto. Arrepiaram-se dos p\u00e9s \u00e0 cabe\u00e7a. Choveram  liga\u00e7\u00f5es, fax e e-mails para a dire\u00e7\u00e3o do jornal. Mineiros que freq\u00fcentaram boa  escola, todos estranharam o trope\u00e7\u00e3o. A pergunta era uma s\u00f3: \u2014 O que houve?<i> <\/i><b> &nbsp; O mandamento<\/b> &#8220;Deus no c\u00e9u e a fam\u00edlia na T<a name=\"Save1\"><\/a>erra&#8221;, eis o mandamento da  l\u00edngua. Mas muitos esquecem a lei maior. N\u00e3o d\u00e1 outra. Trocam o pai da palavra.  \u00c9 o que aconteceu com o <i>Estado de Minas<\/i>. Voc\u00ea sabe quem \u00e9 o paiz\u00e3o de  reaver? Acredite. <i>Reaver<\/i> \u00e9 filhote de <i>haver<\/i>. Significa haver de  novo (re-haver), recobrar, recuperar. Veja: <i>A casa de Maria foi assaltada. Os ladr\u00f5es levaram d\u00f3lares e j\u00f3ias. A  pol\u00edcia os prendeu. Mas n\u00e3o conseguiu reaver nada.<\/i> &nbsp;<b> Pregui\u00e7a<\/b><i> <\/i><i>Reaver<\/i> tem um grande defeito. \u00c9 pregui\u00e7oso que s\u00f3. Por isso, joga no time  dos verbos defectivos. N\u00e3o se conjuga em todos os tempos e modos. Com ele, s\u00f3  t\u00eam vez as formas em que aparece o v, de haver. No presente do indicativo, por  exemplo, apenas o <i>n\u00f3s<\/i> e o <i>v\u00f3s<\/i> ganham passagem: <i>n\u00f3s reavemos,  v\u00f3s reaveis.<\/i> A raz\u00e3o? Filho de peixe sabe nadar. O presente do indicativo do verbo haver  s\u00f3 tem v em duas pessoas (eu hei, tu h\u00e1s, ele h\u00e1, n\u00f3s havemos, v\u00f3s haveis, eles  h\u00e3o). Da\u00ed o trope\u00e7o do jornal. O redator pensou o que muitos pensam. O reaver  seria filhote de ver. N\u00e3o \u00e9.  O indolente n\u00e3o tem o presente do subjuntivo. (Que eu reaveja? Nem pensar!)  Mas exibe todas as pessoas do passado e do futuro: <i>reouve, reouvemos,  reouveram; reavia, reavias, reav\u00edamos; reaverei, reaver\u00e3o; reaveria, reaverias,  reaver\u00edamos, reaveriam; reouver, reouveres, reouvermos; reouvesse,  reouv\u00e9ssemos.<\/i> E por a\u00ed vai. Eis exemplos do emprego do inimigo do pesado: <i>O pai reouve a confian\u00e7a do  filho. Sempre que poss\u00edvel, ele reavia o dinheiro perdido no jogo. Ainda  reaverei os pontinhos que perdi na prova. Quando reouver as j\u00f3ias, Maria vai  vend\u00ea-las. Se eu reouvesse minha heran\u00e7a, faria longa viagem pelos cinco  continentes. <\/i><b> &nbsp; Sem choro nem vela<\/b> Cuidado com as tenta\u00e7\u00f5es. <i>Reav\u00ea<\/i>, <i>reaviu<\/i>, <i>reaveja<\/i> n\u00e3o  existem. Seriam derivados de <i>ver<\/i>. E reaver vem de haver. Mas n\u00e3o fique  triste. Eles n\u00e3o fazem falta. <i>Recuperar<\/i> ou <i>recobrar<\/i> os substituem  numa boa. &#8220;Atriz recupera documentos&#8221; poderia ser o t\u00edtulo da mat\u00e9ria que gerou  tanta pol\u00eamica. Melhor n\u00e3o? &nbsp;<b> X\u00f4, duplinha<\/b> Nos quatro cantos do mundo, s\u00f3 se ouve um assunto. \u00c9 a Copa do Mundo. Nas  quartas e oitavas-de-final, impera uma palavra. Trata-se do mata-mata. Perdeu?  Volta pra casa. Tantos fazem as malas que o regulamento trouxe uma quest\u00e3o  ling\u00fc\u00edstica. Qual o plural da duplinha? Voc\u00ea arrisca um palpite? a. mata-mata b. matas-matas c. matas-mata d. mata-matas A regra \u00e9 simples. Se os nomes s\u00e3o compostos por palavras iguais, s\u00f3 o \u00faltimo  ganha s: <i>quero-queros, pula-pulas, cai-cais, tico-ticos, pisca-piscas,  quebra-quebras. <\/i>E, claro, mata-matas. &nbsp;<b> O passeador<\/b> &#8220;Para se defender, basta os dois gigantes&#8221;, disse Pedro Bassan no <i>Jornal  Nacional<\/i> de quinta-feira. L\u00e1 na Alemanha, o rep\u00f3rter se esqueceu do maior  inimigo da concord\u00e2ncia. Ele se chama invers\u00e3o. Na ordem direta, o lugar do  sujeito \u00e9 antes do verbo. Mas, volta e meia, o danado d\u00e1 uma voltinha. Vai pra  tr\u00e1s do verbo. Resultado: a gente ignora o passeio e bate na concord\u00e2ncia.  Devolvendo cada macaco ao respectivo galho, temos: <i>Para se defender, os dois  gigantes bastam. Para se defender, bastam os dois  gigantes.<\/i><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><strong>(Coluna  republicada. a autora est\u00e1 em f\u00e9rias.)<\/strong><\/div>\n<div><strong><\/strong>  <\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recado&#8220;Criar \u00e9 matar a morte.&#8221; Roman Rolland Deus no c\u00e9u e a fam\u00edlia na Terra Dizem que a l\u00edngua \u00e9 um sistema de ciladas. V\u00e1rios argumentos provam a tese. Um deles: o verbo reaver. Ele tem toda a pinta de derivado do verbo ver. Mas n\u00e3o \u00e9. A cara inocente engana gente boa. \u00c9 o caso de redatores do jornal. Na p\u00e1gina 33 da edi\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3079","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3079","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3079"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3079\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3079"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3079"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3079"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}