{"id":3121,"date":"2009-01-06T22:28:00","date_gmt":"2009-01-07T00:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/filme_de_terror_nao_e_fato\/"},"modified":"2009-01-06T22:28:00","modified_gmt":"2009-01-07T00:28:00","slug":"filme_de_terror_nao_e_fato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/filme_de_terror_nao_e_fato\/","title":{"rendered":"Filme de terror? N\u00e3o. \u00c9 fato"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; As imagens parecem cenas de filme de terror. Mas n\u00e3o s\u00e3o. S\u00e3o da guerra em Gaza. Homens, mulheres e crian\u00e7as vivem como sardinhas. Um milh\u00e3o e meio de pessoas n\u00e3o podem ir nem vir. Est\u00e3o encurraladas numa faixa de 362km\u00b2. De um lado, o mar. De outro, um muro alto que os separa de Israel. Ali s\u00f3 se conjuga o verbo faltar. Falta comida. Falta \u00e1gua. Falta g\u00e1s. Faltam rem\u00e9dios. O apag\u00e3o \u00e9 total. O frio maltrata.  <BR> &nbsp; &#8220;\u00c9 trag\u00e9dia humanit\u00e1ria&#8221;, disse a ONU. O horror ganhou manchetes na imprensa mundial. R\u00e1dios, jornais e tev\u00eas s\u00f3 falam no assunto. Entre os temas, as v\u00edtimas ganham destaque. Tamb\u00e9m sobressai o material b\u00e9lico. Bombas, m\u00edsseis e tanques mostram a cara. A coluna vai al\u00e9m do notici\u00e1rio. D\u00e1 uma voltinha pelos mist\u00e9rios da l\u00edngua. Vamos l\u00e1?&nbsp;  <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG>A senhora da guerra  <BR><\/STRONG> &nbsp; B\u00e9lico, belicoso, belonave s\u00e3o filhotes de Belona. Ela se casou com Marte, o deus da guerra. Tornou-se a deusa da guerra. Os dois iam \u00e0 luta juntos. Ele se vestia de armadura e protegia a cabe\u00e7a com capacete. O escudo, a lan\u00e7a e a espada o acompanhavam pra todo lado. Ela usava capacete e exibia a lan\u00e7a na m\u00e3o. Ambos chegavam ao campo de batalha num carro puxado por quatro cavalos. Misturavam-se aos soldados. Lutavam. Venciam sempre.  <BR> A l\u00edngua reconhece o valor da deusa guerreira. Homenageou-a com v\u00e1rias palavras. Todas come\u00e7am com bel, primeiras letras de Belona. Todas, tamb\u00e9m, t\u00eam parentesco com a guerra. Beligerante \u00e9 a pessoa que est\u00e1 em guerra. Ou faz guerra. Belicosa \u00e9 a pessoa louca por uma guerrinha. B\u00e9lico \u00e9 o que se refere \u00e0 guerra. Material b\u00e9lico, por exemplo, \u00e9 material de guerra. Belonave? \u00c9 isso mesmo. Trata-se do navio de guerra.  <BR>&nbsp;  <BR><STRONG><\/STRONG> <STRONG>Chuva de bombas  <BR><\/STRONG> &nbsp; Bombardear \u00e9 dos verbos mais usados pelos jornalistas. Membro da fam\u00edlia de passear, frear e bloquear, tem a manha dos irm\u00e3ozinhos terminados em -ear. Na 1\u00aa e na 2\u00aa pessoa do plural do presente do indicativo e do subjuntivo, perde o <STRONG>i.<\/STRONG> Eis a conjuga\u00e7\u00e3o do indesejado das gentes: eu bombardeio, ele bombardeia, n\u00f3s bombardeamos, v\u00f3s bombardeais, eles bombardeiam; (que) eu bombardeie, ele bombardeie, n\u00f3s bombardeemos, v\u00f3s bombardeeis, eles bombardeiem.&nbsp;  <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG>A conta  <BR><\/STRONG> &nbsp; Onze dias de chuva de m\u00edsseis, balas e bombas t\u00eam custo. Quem paga a conta? \u00c9 a popula\u00e7\u00e3o civil, claro. Homens, mulheres e crian\u00e7as, que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com a hist\u00f3ria, perdem a sa\u00fade ou a vida. At\u00e9 ontem, nove israelenses e mais de 600 palestinos tinham morrido. H\u00e1 feridos dos dois lados: 90israelenses e mais de 3 mil palestinos.  &nbsp; Mortos e feridos s\u00e3o v\u00edtimas. Mas h\u00e1 diferen\u00e7a entre eles. Uma coisa \u00e9 machucar-se. Outra, ir pro c\u00e9u. Como ser claro? Alguns falam em v\u00edtima fatal. Nada feito. Fatal \u00e9 o que mata. O acidente \u00e9 fatal porque mata. O bombardeio \u00e9 fatal porque mata. A doen\u00e7a \u00e9 fatal porque mata. Mas as criaturas que tiveram a vida ceifada n\u00e3o matam. Por isso n\u00e3o aceitam o adjetivo fatal. O que s\u00e3o? S\u00e3o mortos: O confronto fez 200 v\u00edtimas. Entre elas, 10 mortos.&nbsp;  <BR>&nbsp;&nbsp;  <BR> <BR>&nbsp;  <BR><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; As imagens parecem cenas de filme de terror. Mas n\u00e3o s\u00e3o. S\u00e3o da guerra em Gaza. Homens, mulheres e crian\u00e7as vivem como sardinhas. Um milh\u00e3o e meio de pessoas n\u00e3o podem ir nem vir. Est\u00e3o encurraladas numa faixa de 362km\u00b2. De um lado, o mar. De outro, um muro alto que os separa de Israel. Ali s\u00f3 se conjuga o verbo faltar. 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