{"id":3128,"date":"2009-01-08T14:00:00","date_gmt":"2009-01-08T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/unanimidade_nacional\/"},"modified":"2009-01-08T14:00:00","modified_gmt":"2009-01-08T16:00:00","slug":"unanimidade_nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/unanimidade_nacional\/","title":{"rendered":"Unanimidade nacional"},"content":{"rendered":"\n<p>  N\u00e3o \u00e9 Antarctica. Mas virou unanimidade  nacional. Aparece de norte a  <\/p>\n<p>sul desta alegre Pindorama. Faixas, cartazes,  classificados anunciam sem  <\/p>\n<p>cerim\u00f4nia. \u00c9 &#8220;vende-se apartamentos&#8221; pra c\u00e1, &#8220;conserta-se roupas&#8221; pra l\u00e1, &#8220;aluga-se carros&#8221;, &#8220;conserta-se  sapatos&#8221;, &#8220;prega-se bot\u00f5es&#8221; pra todos os lados.   <\/p>\n<p> De tanto ver as p\u00e9rolas, o olhar se  acostuma. A cr\u00edtica relaxa. Todos t\u00eam a  <\/p>\n<p>impress\u00e3o de que a forma merece nota  dez. Mas \u00e9 pura ilus\u00e3o. Ocorre, no caso, o contr\u00e1rio do que ocorria  com a mulher de C\u00e9sar. N\u00e3o bastava a poderosa ser honesta. Ela tinha  que parecer honesta. Aos an\u00fancios n\u00e3o basta parecerem corretos. T\u00eam  que ser corretos.&nbsp;  <\/p>\n<p> M\u00e3os dadas  <\/p>\n<p>Na frase como na vida, manda quem pode.  Obedece quem tem ju\u00edzo. O verbo faz as vezes de vassalo. Concorda em  pessoa e n\u00famero com o sujeito. Por isso, flexiona-se segundo o mandachuva:  eu trabalho, ele trabalha, n\u00f3s trabalhamos, eles trabalham.&nbsp;  <\/p>\n<p>   H\u00e1 sujeitos e sujeitos. Uns, trabalhadores,  praticam a a\u00e7\u00e3o expressa   <\/p>\n<p>pelo verbo. Assumem. S\u00e3o agentes da  a\u00e7\u00e3o:  <\/p>\n<p>Paulo escreveu a carta.   <\/p>\n<p>Quem escreveu? Paulo. O sujeito pratica  a a\u00e7\u00e3o. O verbo est\u00e1 na voz ativa.&nbsp;  <\/p>\n<p>Ah preguiiiiiiiiiiiiiiiii\u00e7a  <\/p>\n<p> H\u00e1 sujeitos pregui\u00e7osos. N\u00e3o querem  nada com nada. S\u00f3 moleza. Passivos,  <\/p>\n<p>sofrem a a\u00e7\u00e3o:   <\/p>\n<p>A carta foi escrita por Paulo.   <\/p>\n<p> Que \u00e9 que foi escrita? A carta. O sujeito  n\u00e3o pratica a a\u00e7\u00e3o. Mas mant\u00e9m a  <\/p>\n<p>majestade. Continua sujeito. O verbo  est\u00e1 na voz passiva.&nbsp;  <\/p>\n<p>Caminhos  <\/p>\n<p>Existem dois jeitos de formar a voz passiva.  Uma, com o verbo ser:   <\/p>\n<p>Os beb\u00eas foram trocados.   <\/p>\n<p>Quem \u00e9 que foi trocado? Os beb\u00eas, sujeito.  Essa concord\u00e2ncia ningu\u00e9m erra.&nbsp;  <\/p>\n<p> Outra, com o pronome se. A\u00ed, Deus nos  acuda. E nos livre. &#8220;Os beb\u00eas foram trocados&#8221; \u00e9 o mesmo que &#8220;trocaram-se  os beb\u00eas&#8221;. Numa e noutra, o sujeito \u00e9 beb\u00eas. O verbo tem de concordar  com ele.&nbsp;  <\/p>\n<p>Mais exemplos   <\/p>\n<p>Vendem-se apartamentos. (Que \u00e9 que  \u00e9 vendido? Apartamentos, sujeito.)   <\/p>\n<p>Compram-se joias. (Que \u00e9 que \u00e9 comprado?  Joias, sujeito.)   <\/p>\n<p>Alugam-se carros. (Que \u00e9 que \u00e9 alugado?  Carros, sujeito.)   <\/p>\n<p>Troca-se esta casa. (Que \u00e9 que \u00e9 trocado?  Esta casa, sujeito.)&nbsp;  <\/p>\n<p>Desatentos   <\/p>\n<p>Os descuidados trope\u00e7am a toda hora  na concord\u00e2ncia da passiva com se. Sabe por qu\u00ea? Acham que o sujeito  tem que ser ativo. Esquecem-se de que as apar\u00eancias enganam.&nbsp;  <\/p>\n<p>  Dica:singular ou plural? Na d\u00favida, construa  a frase com o verbo ser. Vende-se ou vendem-se apartamentos? Apartamentos  s\u00e3o vendidos. Numa e noutra,  <\/p>\n<p>apartamentos \u00e9 o sujeito. A regra n\u00e3o  muda. Sujeito no plural, verbo no plural. Logo, vendem-se apartamentos.&nbsp;  <\/p>\n<p>Mais troca-trocas   <\/p>\n<p>Alugam-se carros. Carros s\u00e3o alugados.   <\/p>\n<p>Forram-se bot\u00f5es. Bot\u00f5es s\u00e3o forrados.   <\/p>\n<p>Cometem-se erros. Erros s\u00e3o  cometidos.   <\/p>\n<p>L\u00ea-se o jornal. O jornal \u00e9 lido.&nbsp;  <\/p>\n<p> Cautela e caldo de galinha n\u00e3o fazem  mal a ningu\u00e9m. Substituir o se pelo ser tamb\u00e9m n\u00e3o. Encha-se de mal\u00edcia.  N\u00e3o entre no time dos ing\u00eanuos. Com a passiva, o sujeito \u00e9 aquele  mesmo. Embora n\u00e3o pare\u00e7a.&nbsp;  <\/p>\n<p>Desafio   <\/p>\n<p>Topa fazer um teste? O desafio: assinalar  a frase nota dez. A recompensa: se acertar, presenteie-se com um bombom.  Se n\u00e3o, releia a li\u00e7\u00e3o. Depois, saboreie dois bombons:   <\/p>\n<p>a. Na feira, vendem-se frutas baratas. b. Na feira, vende-se frutas baratas.   <\/p>\n<p>Recorreu \u00e0 dica infal\u00edvel? No troca-troca,  voc\u00ea ficou com &#8220;na feira, frutas baratas s\u00e3o vendidas&#8221;. Ent\u00e3o, marcou  a letra a. Bom proveito.&nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 Antarctica. Mas virou unanimidade nacional. Aparece de norte a sul desta alegre Pindorama. Faixas, cartazes, classificados anunciam sem cerim\u00f4nia. \u00c9 &#8220;vende-se apartamentos&#8221; pra c\u00e1, &#8220;conserta-se roupas&#8221; pra l\u00e1, &#8220;aluga-se carros&#8221;, &#8220;conserta-se sapatos&#8221;, &#8220;prega-se bot\u00f5es&#8221; pra todos os lados. De tanto ver as p\u00e9rolas, o olhar se acostuma. A cr\u00edtica relaxa. Todos t\u00eam a impress\u00e3o de que a forma merece nota dez. 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