{"id":3148,"date":"2009-01-14T00:00:00","date_gmt":"2009-01-14T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_show_das_passarelas\/"},"modified":"2009-01-14T00:00:00","modified_gmt":"2009-01-14T02:00:00","slug":"o_show_das_passarelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_show_das_passarelas\/","title":{"rendered":"O show das passarelas"},"content":{"rendered":"\n<p>&nbsp;  A moda est\u00e1 na moda. O Rio  Fashion abriu a temporada brasileira de outono e inverno. Come\u00e7ou com os  desfiles da crian\u00e7ada. Menininhas s\u00e9rias com cara de gente grande exibiram a  grife Lilica Ripilica. Em seguida, a Sta. Ephig\u00eania &nbsp;mostrou cal\u00e7as largas com cintura alta e  tecidos molengos. S\u00e3o as velhas bags dos anos 80 com cara nova.   &nbsp; O show ficou com Walter  Rodrigues. O estilista abusou do preto. Misturou-o com roxo, marrom e rosa. Fez  um desfile alegre, com gente como a gente. As manequins, cheinhas de corpo,  encheram a passarela e os olhos dos presentes. Alegres, sorriam enquanto  mostravam longos, curtos, decotados, comportados, opacos ou brilhantes. Grazi  Massafera fez a festa. Exibiu peitos, bra\u00e7os, dentes e charme. Foi a dona da  noite. &nbsp; <\/p>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b><\/b>&nbsp;<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b>Mistura ex\u00f3tica<\/b><\/div>\n<p>A ordem \u00e9 o vale tudo. Ou  quase tudo. Misturas ex\u00f3ticas se exibiram sem constrangimentos. Flores, listras,  la\u00e7os, superposi\u00e7\u00f5es apareceram em sedas, cetins, veludos molhados. O conjunto  tem um qu\u00ea sensual e rom\u00e2ntico. O abuso dos contrastes provocou duas rea\u00e7\u00f5es.  Uma: do p\u00fablico, que ora aplaudia, ora ficava paradinho como nas brincadeiras de  est\u00e1tua.  &nbsp; A outra: dos comentaristas.  Acostumados \u00e0s palavras francesas e inglesas que imperam no mundo da moda, eles  n\u00e3o vacilavam na pron\u00fancia de top models, glamour, high-tech, charme, grife,  look, frisson, out e in. Mas, ao se depararem com as pobres listas, pintou a  d\u00favida. Listado ou listrado? Na pressa, uns chutaram uma forma. Outros, outra.  Ambos acertaram. As duas convivem muito bem no dicion\u00e1rio e na l\u00edngua afiada do  povo. &nbsp; <\/p>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b><\/b>  <\/p>\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b>Fim da mamata<\/b><\/div>\n<p>Com as listas (ou listras)  a alternativa era acertar ou acertar. O mesmo privil\u00e9gio n\u00e3o atinge o tecido das  roupas. &#8220;Blusa em seda&#8221;, &#8220;cal\u00e7a em veludo&#8221;, &#8220;xale em tric\u00f4&#8221;, informavam  elegantes especialistas no assunto. Nada feito. Eles trocaram a preposi\u00e7\u00e3o. A  blusa (\u00e9 feita) de seda. A cal\u00e7a, de veludo. O xale, de  tric\u00f4. &nbsp; <\/p>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b><\/b>  <\/p>\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b>Mesmo time<\/b><\/div>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 o tecido exige a  preposi\u00e7\u00e3o <b>de<\/b>. Constru\u00e7\u00f5es  semelhantes jogam na mesma equipe: <i>Cadeira de couro, alian\u00e7a de prata, mesa de  madeira, escultura de cer\u00e2mica, boneca de lou\u00e7a, brinquedo de pl\u00e1stico, panela  de alum\u00ednio, soldadinho de ferro, sapato de couro, pasta de  pl\u00e1stico.<\/i> <i>&nbsp;<\/i>E por  a\u00ed vai. &nbsp; <\/p>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b><\/b>  <\/p>\n<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b>Ops!<\/b><\/div>\n<p>&#8220;O portugu\u00eas \u00e9 uma l\u00edngua  muito dif\u00edcil. Tanto \u00e9 que cal\u00e7a \u00e9 uma coisa que a gente bota e bota \u00e9 uma coisa  que a gente cal\u00e7a&#8221;, ensinou o Bar\u00e3o de Itarar\u00e9. &nbsp;  <\/p>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b>Anos 80<\/b><\/div>\n<p>As  cal\u00e7as bags &#8212; soltas, largonas, em que se enfia o corpo l\u00e1 dentro e sobra  tecido pra dar e vender \u2013 revivem a moda de 30 anos atr\u00e1s. Elas fizeram furor  nos anos oitenta. O singular do numeral se explica. Escondidinha, est\u00e1 a  express\u00e3o &#8220;da d\u00e9cada de&#8221;: <i>anos (da d\u00e9cada  de) sessenta, anos (da d\u00e9cada de) cinquenta, anos (da d\u00e9cada de)  vinte<\/i>. &nbsp; <\/p>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b><\/b>&nbsp;<\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b>Somas e mais somas<\/b><\/div>\n<p> Chegar \u00e0s passarelas n\u00e3o \u00e9  f\u00e1cil. Tampouco \u00e9 f\u00e1cil sobressair em universo t\u00e3o competitivo. Os estilistas,  por isso, conjugam o verbo ousar. Surpreendem nas formas e no material.  Globalizados, misturam os estilos pra misturar as culturas. A \u00c1frica est\u00e1 em  alta. Com ela, o conceito afro, inspirado no livro <i>\u00c1frica Fantasma<\/i>, de Michel Leiris.   &nbsp; A diss\u00edlaba deu n\u00f3 nos  miolos de comentaristas e rep\u00f3rteres. Eles se esqueceram de pormenor pra l\u00e1 de  repetido. Adjetivo, <i>afro<\/i> se flexiona como qualquer  irm\u00e3ozinho dele &#8212; concorda em g\u00eanero e n\u00famero com o substantivo a que se  refere: <i>estilo afro, estilos afros; roupa  afra, roupas afras.<\/i> &nbsp; <\/p>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b><\/b>  <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b>De olho na reforma<\/b><\/div>\n<p>Na forma\u00e7\u00e3o de palavras,  afro- entrou na reforma ortogr\u00e1fica. O danadinho joga no time dos prefixos. Com  ele, vale a regra: os iguais se rejeitam, os diferentes se atraem. Afro- termina  com a vogal o. Se encontrar a mesma vogal, x\u00f4! Chama o h\u00edfen. Se trope\u00e7ar em  vogal ou consoante diferente, cola-se a ela sem pudor: <i>afro-organiza\u00e7\u00e3o, afro-\u00f3tica, afroamericano,  afroest\u00e9tica, afrodescendente, afrobrasileiro.<\/i> <i>&nbsp;<\/i> Se o encontro se der com r  ou s, ops! \u00c9 importante manter a pron\u00fancia. Dobra-se a letra: <i>afrossistema,  afrorrevista<\/i>. &nbsp; O h? Com ele o h\u00edfen ganha  banda de m\u00fasica e tapete vermelho: <i>afro-humano, afro-hipocrisia,  afro-hist\u00f3rico.&nbsp;&nbsp;   <\/p>\n<p><\/i>  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A moda est\u00e1 na moda. O Rio Fashion abriu a temporada brasileira de outono e inverno. Come\u00e7ou com os desfiles da crian\u00e7ada. Menininhas s\u00e9rias com cara de gente grande exibiram a grife Lilica Ripilica. Em seguida, a Sta. Ephig\u00eania &nbsp;mostrou cal\u00e7as largas com cintura alta e tecidos molengos. 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