{"id":320,"date":"2015-04-21T08:00:00","date_gmt":"2015-04-21T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/2015\/04\/21\/pra_ingles_ver\/"},"modified":"2015-10-23T16:58:35","modified_gmt":"2015-10-23T18:58:35","slug":"pra_ingles_ver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/pra_ingles_ver\/","title":{"rendered":"Pra ingl\u00eas ver"},"content":{"rendered":"<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi.df@dabr.com.br   <\/p>\n<p>&#8220;Esta n\u00e3o \u00e9 uma cidade do tamanho do homem.&#8221; Do segundo andar da torre de  televis\u00e3o, o professor da Universidade de Heidelberg olhava a imensid\u00e3o \u00e0  frente. Era o ano de 1969. A Asa Norte n\u00e3o passava de barrac\u00f5es esparsos. Os  Lagos praticamente n\u00e3o existiam. A vida se concentrava na Asa Sul.   <\/p>\n<p>Um casal tentava atravessar o Eixo Monumental. Com sacolas e dois filhos  pequenos, buscava uma brecha entre os carros. Mas, sem sinaliza\u00e7\u00e3o, as pistas  largas pareciam aumentar o percurso de um lado para o outro. A espera prometia  ser longa. Sem tirar os olhos da fam\u00edlia, o visitante explicou:   <\/p>\n<p>\u2014 As pessoas s\u00e3o acidente<a name=\"Save1\"><\/a> no  projeto de Bras\u00edlia. A cidade n\u00e3o foi feita pra elas. Veja l\u00e1 a pequenez das  criaturas diante da grandiosidade dos monumentos, dos pr\u00e9dios, dos eixos. Nada  as socorre. Sem carro, viram ref\u00e9ns do asfalto. Andar a p\u00e9? \u00c9 imposs\u00edvel,  dif\u00edcil ou perigoso. As dist\u00e2ncias s\u00e3o grandes e nada facilita a tarefa de ir e  vir.   <\/p>\n<p>\u2014 Faltam cal\u00e7adas, faltam bebedouros, faltam  banheiros p\u00fablicos. Falta sombra. Falta transporte coletivo. Imagine o  sacrif\u00edcio que o deslocar-se representa para aquela fam\u00edlia. Ou para os idosos.  Ou para as pessoas com dificuldade de locomo\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 pra\u00e7as nem bancos onde o  caminhante possa sentar-se e descansar.    <\/p>\n<p>Hoje, passados 46 anos, se o mestre alem\u00e3o voltasse a Bras\u00edlia, veria cen\u00e1rio  diferente? Na chegada, o aeroporto responderia que n\u00e3o. Rec\u00e9m-inaugurado, obriga  o passageiro a andar quil\u00f4metros at\u00e9 chegar ao port\u00e3o de embarque. Cad\u00ea  esteiras? Cad\u00ea trens? Cad\u00ea carrinhos que levam e trazem viajantes \u2014 t\u00e3o comuns  em Atlanta, Cingapura ou Frankfurt?    <\/p>\n<p>A cidade continua alheia \u00e0s dimens\u00f5es humanas. Comparada com Berlim, Nova  York ou Buenos Aires, a diferen\u00e7a fala alto. As urbes convidam pra rua. Adultos  e crian\u00e7as circulam por pra\u00e7as, se deslocam de metr\u00f4, \u00f4nibus ou bicicletas,  encontram pra\u00e7as bem cuidadas com sombra, bancos e grama que convida para o  cochilo ou brincadeiras da meninada.    <\/p>\n<p>Bras\u00edlia parece a prima pobre de Dubai e Doha. Exibe arquitetura e urbanismo  espetaculares. O turista diz oh!, mas n\u00e3o volta. N\u00f3s, que moramos aqui, queremos  mais que o museu ao ar livre. Queremos uma cidade do nosso tamanho. Em 55 anos,  o GDF, sozinho, n\u00e3o deu conta do desafio. Que tal uma ajuda? A sociedade manda.  O governo obedece.<\/p><\/div>\n<div>&nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">(artigo publicado no Correio Braziliense)  <\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi.df@dabr.com.br &#8220;Esta n\u00e3o \u00e9 uma cidade do tamanho do homem.&#8221; Do segundo andar da torre de televis\u00e3o, o professor da Universidade de Heidelberg olhava a imensid\u00e3o \u00e0 frente. Era o ano de 1969. A Asa Norte n\u00e3o passava de barrac\u00f5es esparsos. Os Lagos praticamente n\u00e3o existiam. A vida se concentrava na Asa Sul. Um casal tentava atravessar o Eixo Monumental. 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