{"id":3224,"date":"2009-02-02T09:00:00","date_gmt":"2009-02-02T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_festa_dos_sinais\/"},"modified":"2009-02-02T09:00:00","modified_gmt":"2009-02-02T11:00:00","slug":"a_festa_dos_sinais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_festa_dos_sinais\/","title":{"rendered":"A festa dos sinais"},"content":{"rendered":"<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p> As pessoas nascem com talentos. Umas v\u00eam ao mundo pra falar. Outras, pra  ouvir. Augusto Marzag\u00e3o pertence ao primeiro time. Com uma especialidade: conta  piadas.   <\/p>\n<p>Outro dia, conversava com estudantes. O papo girava em torno da reda\u00e7\u00e3o.  Todos tinham observa\u00e7\u00f5es. Um comentou a organiza\u00e7\u00e3o do texto. Outro, a  import\u00e2ncia do vocabul\u00e1rio. Boa parte da mo\u00e7ada confessou a dificuldade de  pontuar.  <\/p>\n<p>Entre v\u00edrgulas e pontos, Marcos disse:  <\/p>\n<p>&#8212; \u00ad O que me encuca s\u00e3o os dois-pontos. Acho-os charmosos. Mas n\u00e3o tenho  coragem de dar-lhes vez. Na d\u00favida, recorro ao jeitinho. Uso ponto. Sempre me  saio bem.  <\/p>\n<p>Marzag\u00e3o aproveitou a deixa. Sem pressa, contou esta hist\u00f3ria:  <\/p>\n<p>&#8212; Os asteriscos davam uma festa. Rolava boa m\u00fasica. Sobrava comida gostosa. N\u00e3o  faltavam convidados interessantes. Os sal\u00f5es explodiam em luzes e brilhos. A  mo\u00e7ada do cabelo arrepiado rodopiava na pista.  <\/p>\n<p>L\u00e1 pelas tantas, ouviu-se uma discuss\u00e3o. Um ponto insistia em entrar. N\u00e3o o  deixavam. No bate-boca, o intruso perguntou:  <\/p>\n<p>\u2014 Por que n\u00e3o posso participar da alegria?  <\/p>\n<p>\u2014 Porque \u00e9 exclusiva de asteriscos. Voc\u00ea \u00e9 ponto. Se entrar, a festa acaba.  Inconformado, o penetra se saiu com esta:  <\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00eas se enganam. Eu tamb\u00e9m sou asterisco. S\u00f3 que passei gel no cabelo.   &nbsp; Asterisco (*)  <\/p>\n<p>O asterisco pertence a fam\u00edlia brilhante. Vem do grego <i>aster<\/i>, que quer  dizer estrela. \u00c9 irm\u00e3ozinho de <i>aster\u00f3ide<\/i>, tamb\u00e9m do time dos astros. O  asterisco n\u00e3o vive s\u00f3 de festa. Ele tem papel no texto: chama a aten\u00e7\u00e3o do  leitor para alguma observa\u00e7\u00e3o ou nota feita no fim do artigo ou da p\u00e1gina.  Sempre que a estrelinha aparecer, abra o olho. Vem coisa no fim. &nbsp; Dois-pontos (:)  <\/p>\n<p>A duplinha tem quatro empregos. Todos f\u00e1ceis como andar pra frente. Mas eles  imp\u00f5em um cuidado: prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s mai\u00fasculas e min\u00fasculas. Depois do  parzinho, ora a grandona tem vez. Ora, a pequenina.  <\/p>\n<p>As crescidinhas pedem passagem:  <\/p>\n<p>1. nas cita\u00e7\u00f5es: Fernando Pessoa escreveu: &#8220;Tudo vale a pena se a alma n\u00e3o \u00e9 pequena&#8221;.  <\/p>\n<p>2. nos di\u00e1logos, para introduzir a fala de algu\u00e9m  <\/p>\n<p>&#8220;Imagino Irene entrando no c\u00e9u: &#8211;\u00ad Licen\u00e7a, meu Branco? E S\u00e3o Pedro bonach\u00e3o: \u00ad &#8212; Entra, Irene. Voc\u00ea n\u00e3o precisa pedir licen\u00e7a.&#8221;  <\/p>\n<p>***  <\/p>\n<p>As pequeninas aparecem:  <\/p>\n<p>1. nas enumera\u00e7\u00f5es Na livraria, comprou tr\u00eas dos livros recomendados pelo professor: o cl\u00e1ssico  Ra\u00edzes do Brasil; o instigante Um rio imita o Reno; e o sempre atual Casa grande  &amp; senzala.  <\/p>\n<p>3. nas exemplifica\u00e7\u00f5es, esclarecimentos ou consequ\u00eancias do que foi dito:  <\/p>\n<p>Previs\u00e3o de Lula: as reformas saem este ano. O ministro reage: n\u00e3o quer sair do governo. &nbsp;<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pessoas nascem com talentos. Umas v\u00eam ao mundo pra falar. Outras, pra ouvir. Augusto Marzag\u00e3o pertence ao primeiro time. Com uma especialidade: conta piadas. Outro dia, conversava com estudantes. O papo girava em torno da reda\u00e7\u00e3o. Todos tinham observa\u00e7\u00f5es. Um comentou a organiza\u00e7\u00e3o do texto. Outro, a import\u00e2ncia do vocabul\u00e1rio. Boa parte da mo\u00e7ada confessou a dificuldade de pontuar. 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