{"id":324,"date":"2015-04-22T09:00:00","date_gmt":"2015-04-22T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/2015\/04\/22\/o_mar_virou_inferno_1\/"},"modified":"2015-10-23T16:58:32","modified_gmt":"2015-10-23T18:58:32","slug":"o_mar_virou_inferno_1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_mar_virou_inferno_1\/","title":{"rendered":"O mar virou inferno 1"},"content":{"rendered":"<p>O inferno existe? &#8220;\u00c9 a velhice&#8221;, respondeu Bibi Ferreira. &#8220;\u00c9  o ex\u00edlio&#8221;, disse Jo\u00e3o Goulart. &#8220;\u00c9 a obriga\u00e7\u00e3o de bater ponto&#8221;, jurou o  funcion\u00e1rio p\u00fablico. &#8220;\u00c9 esperar \u00f4nibus em Bras\u00edlia&#8221;, afirmou velho morador da  capital. &#8220;O inferno s\u00e3o os outros&#8221;, sentenciou Sartre.   <\/p>\n<p>Ser\u00e1? Quem falou mirou o pr\u00f3prio umbigo. Se a pergunta fosse  feita hoje, talvez a opini\u00e3o fosse outra. &#8220;O inferno&#8221;, diriam eles, &#8220;\u00e9 o  Mediterr\u00e2neo.&#8221; Pelo mar v\u00e3o milhares de africanos e \u00e1rabes. Eles fogem de guerras, persegui\u00e7\u00f5es, desabrigo, fome e sede.    <\/p>\n<p>Embarcam em navios prec\u00e1rios. Sem seguran\u00e7a,  apostam na sorte. A morte os espera no meio do caminho. As \u00e1guas revoltas, al\u00e9m  de inferno,&nbsp;se transformam em cemit\u00e9rio.  Corpos v\u00e3o pro fundo e l\u00e1 ficam. Outros boiam na busca de socorro que tarda e  falha.&nbsp;<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> &nbsp; Nas manchetes<\/b>  <\/p>\n<p>A trag\u00e9dia virou not\u00edcia. Jornais, r\u00e1dios e tev\u00eas falam no  assunto. Duas palavras entraram em cartaz. Uma: emigrante. A outra: imigrante.  Ambas pertencem \u00e0 mesma fam\u00edlia. \u00c9 a latina <i>migrare<\/i>, que&nbsp;significa mudar, passar de um lugar para outro, ir-se embora. S\u00f3  uma letra as distingue. O <b>e<\/b> e o <b>i<\/b> fazem a diferen\u00e7a.   <\/p>\n<p>E = para fora.  I = para dentro.  <\/p>\n<p>Quem se despede do pr\u00f3prio pa\u00eds e parte pra outro joga nos  dois times. Ao sair, \u00e9 emigrante. Ao chegar, imigrante. Os africanos emigram da  Som\u00e1lia e da Nig\u00e9ria. Os \u00e1rabes, da S\u00edria e do Iraque. Eles imigram para a  Europa. A It\u00e1lia recebe o maior n\u00famero de imigrantes. A raz\u00e3o: \u00e9 a menor  dist\u00e2ncia entre o porto de sa\u00edda e o de chegada.<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> &nbsp;<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O inferno existe? &#8220;\u00c9 a velhice&#8221;, respondeu Bibi Ferreira. &#8220;\u00c9 o ex\u00edlio&#8221;, disse Jo\u00e3o Goulart. &#8220;\u00c9 a obriga\u00e7\u00e3o de bater ponto&#8221;, jurou o funcion\u00e1rio p\u00fablico. &#8220;\u00c9 esperar \u00f4nibus em Bras\u00edlia&#8221;, afirmou velho morador da capital. &#8220;O inferno s\u00e3o os outros&#8221;, sentenciou Sartre. Ser\u00e1? Quem falou mirou o pr\u00f3prio umbigo. Se a pergunta fosse feita hoje, talvez a opini\u00e3o fosse outra. &#8220;O inferno&#8221;, diriam eles, &#8220;\u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-324","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/324","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=324"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/324\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1135,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/324\/revisions\/1135"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=324"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=324"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=324"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}