{"id":3285,"date":"2009-02-13T06:00:00","date_gmt":"2009-02-13T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/pecados_e_pecadores\/"},"modified":"2009-02-13T06:00:00","modified_gmt":"2009-02-13T08:00:00","slug":"pecados_e_pecadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/pecados_e_pecadores\/","title":{"rendered":"Pecados e pecadores"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp; <\/p>\n<p> Pecar \u00e9 humano? \u00c9. Na lei de Deus, h\u00e1 pecados e pecados. Existem os leves. S\u00e3o os veniais. Enfraquecem a gra\u00e7a. Mas n\u00e3o a destroem. Existem  os mortais. Deus nos proteja! Levam \u00e0 dana\u00e7\u00e3o da alma.  <\/p>\n<p>Na l\u00edngua, a coisa \u00e9 parecida. H\u00e1 os deslizes bobos. S\u00f3 se notam na  escrita. Na fala, passam despercebidos. S\u00e3o os erros de n\u00edvel 1. H\u00e1 os mais  s\u00e9rios. Comprometem o pecador na fala e na escrita. S\u00e3o os de n\u00edvel 2. E h\u00e1 os grav\u00edssimos. Esses, de n\u00edvel 3, n\u00e3o t\u00eam perd\u00e3o. Levam o transgressor \u00e0s fogueirinhas do inferno. O pobre vai direto. Nem passa pelo purgat\u00f3rio.  <\/p>\n<p> N\u00edvel 1  <\/p>\n<p>    Os trope\u00e7os bobos atacam as palavras. S\u00e3o os erros de dicion\u00e1rio.T\u00eam a ver com a grafia dos voc\u00e1bulos. \u00c9 o caso da falta de letras (orta),troca de letras (carnavau), excesso de letras (mendingo), uso do h\u00edfen (s\u00f3cio-econ\u00f4mico em vez de socioecon\u00f4mico), acentua\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica (aqu\u00ed).  <\/p>\n<p>Veja exemplo: &nbsp;   &nbsp; <\/p>\n<p>Os mininos foram a\u00f4 ospital. &nbsp;  Pronunciadas, as palavras parecem perfeitas. Lidas, a coisa muda de  figura. Salta aos olhos o n\u00edvel prim\u00e1rio do autor. Ele deu tr\u00eas pontap\u00e9s na  l\u00edngua.  Um: trocou a letra de meninos. Dois: acentuou o coitado doao. O \u00faltimo: engoliu o h de hospital.  <\/p>\n<p> Quem frequenta esse inferninho? A turma que tem pouca familiaridade com a l\u00edngua escrita. \u00c9 o caso dos rec\u00e9m-alfabetizados. Ou dos que leem pouco. Reden\u00e7\u00e3o? H\u00e1 dois caminhos. O primeiro \u00e9 penit\u00eancia de curto prazo. Pe\u00e7a socorro ao dicion\u00e1rio. O paiz\u00e3o ajuda.  <\/p>\n<p> O outro aplica velha sabedoria popular: prevenir \u00e9 o melhor rem\u00e9dio.  Como? Leia. Livros, jornais, revistas ajudam a fixar a grafia das palavras. Voc\u00ea  n\u00e3o precisa fazer for\u00e7a. As danadas colam na mem\u00f3ria. De l\u00e1 ningu\u00e9m as tira.  <\/p>\n<p> Duvida? Ent\u00e3o responda: por que voc\u00ea escreve homem com h? Com certeza  voc\u00ea n\u00e3o estudou a hist\u00f3ria da palavra. Voc\u00ea a viu muitas vezes. Fixou a cara  dela. Aprendeu.  <\/p>\n<p>N\u00edvel 2  <\/p>\n<p>O segundo n\u00edvel \u00e9 mais sofisticado. N\u00e3o tem a ver com a grafia das  palavras. Mas com a combina\u00e7\u00e3o delas na frase. Trata-se da velha sintaxe. Entram  nesse caldeir\u00e3o os escorreg\u00f5es de concord\u00e2ncia, reg\u00eancia, emprego dos pronomes.  E  por a\u00ed vai. Veja: &nbsp;  Os menino foram o hospital.  <\/p>\n<p>Examine a frase segundo o n\u00edvel um. As palavras est\u00e3o certinhas. O problema reside na combina\u00e7\u00e3o delas. O autor do per\u00edodo cometeu dois  pecados. Um, de concord\u00e2ncia. Deixou pra l\u00e1 o s de meninos. O outro, de reg\u00eancia. Privou o verbo ir da preposi\u00e7\u00e3o. Quem vai vai a algum lugar. Aonde? Ao hospital.  <\/p>\n<p> A\u00ed n\u00e3o adianta ir ao dicion\u00e1rio. Ele vai lhe dizer que est\u00e1 tudo certo. A salva\u00e7\u00e3o \u00e9 outra. Estudar sintaxe. Em outras palavras: fazer as pazes com  a gram\u00e1tica.  <\/p>\n<p>N\u00edvel 3  <\/p>\n<p>Arrepie-se:  <\/p>\n<p>Os meninos foram ao hospital. O supermercado estava lotado.  <\/p>\n<p>   E da\u00ed? No n\u00edvel 1, tudo como manda o figurino. No 2, tamb\u00e9m. O pecado  est\u00e1 mais embaixo. \u00c9 quest\u00e3o de l\u00f3gica. O texto n\u00e3o diz coisa com coisa. Parece  o samba do crioulo doido. As frases n\u00e3o conversam entre si. O que o hospital  tem a ver com o supermercado?  <\/p>\n<p> Vale um palpite. O autor engoliu um peda\u00e7o da informa\u00e7\u00e3o:  <\/p>\n<p>Os meninos foram ao hospital. No caminho, passaram no supermercado  para comprar frutas. N\u00e3o compraram. O supermercado estava lotado.  <\/p>\n<p> Deslizes como esse n\u00e3o param por a\u00ed. V\u00e3o al\u00e9m. \u00c0s vezes um par\u00e1grafo ignora o outro. Outras, a introdu\u00e7\u00e3o do texto n\u00e3o tem a ver com o desenvolvimento. Ou a conclus\u00e3o fecha os olhos ao desenvolvimento. Voc\u00ea j\u00e1 participou de trabalhos em grupo? A turma, esperta, divide a  tarefa. Um membro fica com a introdu\u00e7\u00e3o. Outros, com o desenvolvimento. O \u00faltimo,  com a conclus\u00e3o. No dia marcado, cada um entrega a sua parte. Algu\u00e9m junta  tudo. Entrega ao professor a colcha de retalhos. Resultado: v\u00e3o todos dar bom-dia  ao capeta.  <\/p>\n<p>  Voc\u00ea joga nesse time de pecadores? A\u00ed, companheiro, a coisa \u00e9 braba.  Recorra a rezas e banhos de descarrego. Fa\u00e7a promessas. Examine textos  bem-escritos. D\u00ea uma lidinha em dois cap\u00edtulos do livro Comunica\u00e7\u00e3o em prosa moderna, de Othon Garcia: o primeiro e o terceiro. Sem pregui\u00e7a.<i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p><\/i>  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Pecar \u00e9 humano? \u00c9. Na lei de Deus, h\u00e1 pecados e pecados. Existem os leves. S\u00e3o os veniais. Enfraquecem a gra\u00e7a. Mas n\u00e3o a destroem. Existem os mortais. Deus nos proteja! Levam \u00e0 dana\u00e7\u00e3o da alma. Na l\u00edngua, a coisa \u00e9 parecida. H\u00e1 os deslizes bobos. S\u00f3 se notam na escrita. 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