{"id":3307,"date":"2009-02-18T00:00:00","date_gmt":"2009-02-18T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/escrever_certo_pega_bem\/"},"modified":"2009-02-18T00:00:00","modified_gmt":"2009-02-18T03:00:00","slug":"escrever_certo_pega_bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/escrever_certo_pega_bem\/","title":{"rendered":"Escrever certo pega bem"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;  <BR> <BR> Marina \u00e9 m\u00e9dica. Profissional de primeiro time, estuda muito, participa de congressos internacionais e escreve artigos pra revistas especializadas. L\u00ea com prazer jornais, revistas e tudo lhe cai nas m\u00e3os. Gosta de participar de salas de bate-papos. Em suma: \u00e9 pessoa sintonizada com o mundo.  <BR> &nbsp; Outro dia, prestou aten\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma ortogr\u00e1fica. Leu e releu a lei. Depois, concluiu: &#8220;N\u00e3o vou fazer o menor esfor\u00e7o pra aprender as novas regras. Vivo muito bem com as que sei&#8221;. Mas, por via das d\u00favidas, consultou a coluna. &#8220;Eu posso ou n\u00e3o posso me comunicar bem sem eliminar tremas e acentos propostos pela Academia Brasileira de Letras?&#8221;  <BR> &nbsp; A resposta: pode. A ortografia n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para a comunica\u00e7\u00e3o eficiente. Se algu\u00e9m escreve casa com z, cachorro com x, cora\u00e7\u00e3o sem til e bom-dia sem h\u00edfen, o leitor estranhar\u00e1 a grafia, mas entender\u00e1 o recado. Prova definitiva \u00e9 a l\u00edngua abreviad\u00edssima usada nos chats da internet. L\u00e1, porque vira pq; voc\u00ea, vc; beijo, bj; beijinho, bjn; obrigado, obg. Muita gente n\u00e3o gosta do que v\u00ea, mas entende.&nbsp; <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG>A prova de S\u00e3o Tom\u00e9  <BR><\/STRONG> &nbsp; Professor ingl\u00eas gastava que gastava saliva pra convencer os alunos da real fun\u00e7\u00e3o da ortografia. A mo\u00e7ada n\u00e3o estava nem a\u00ed. As palavras entravam por um ouvido e sa\u00edam pelo outro. O mestre mandou, ent\u00e3o, que os estudantes lessem este texto:  <BR> &nbsp; 35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3\u00c74 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3\u00c7O 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O C\u00d3D1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4B\u00c9N5!  <BR> &nbsp; Viu? Mo\u00e7os e mo\u00e7as fixaram os olhos no par\u00e1grafo. Surpresa! Leram a mensagem numa boa. Melhor: entenderam tudo. Conclus\u00e3o:  <BR> &nbsp; De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea, n\u00e3o ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa et\u00e3so, a \u00fancia csioa iprotmatne \u00e9 que a piremria e \u00fatmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma b\u00e7guana ttaol, que vco\u00ea anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso \u00e9 poqrue n\u00f3s n\u00e3o lmeos cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.&nbsp; <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG>O porqu\u00ea<\/STRONG>  <BR> &nbsp; Se a escrita correta n\u00e3o visa \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o, por que preocupar-se com a ortografia? A resposta \u00e9 uma s\u00f3. Pra viver em sociedade, n\u00f3s firmamos pactos. Combinamos andar vestidos em p\u00fablico. Combinamos n\u00e3o arrotar \u00e0 mesa. Combinamos n\u00e3o cuspir no ch\u00e3o. Combinamos dizer bom-dia quando encontramos pessoas pela manh\u00e3. Combinamos ceder o assento aos idosos nos transportes coletivos.  <BR> &nbsp; Combinamos, tamb\u00e9m, escrever como manda o dicion\u00e1rio. O pai-de-todos-n\u00f3s, com base em crit\u00e9rios etimol\u00f3gicos ou fon\u00e9ticos, diz que hospital se escreve com h; pesquisa, com s; exce\u00e7\u00e3o, com \u00e7. A raz\u00e3o: o portugu\u00eas \u00e9 l\u00edngua de cultura. Como todas as l\u00ednguas de cultura, tem a grafia oficial. Os lus\u00f3fonos precisam conhec\u00ea-la. Escrever certo pega bem. Prova que a pessoa tem familiaridade com a l\u00edngua escrita.  <BR> &nbsp; A ortografia \u00e9 conven\u00e7\u00e3o como tantas outras. Aprende-se aos poucos. \u00c0 medida que temos contato com a escrita, cresce a intimidade como esses, z\u00eas, cedilhas &amp; cia. letrada. A crian\u00e7a em fase de albabetiza\u00e7\u00e3o trope\u00e7a em letras e acentos. \u00c9 natural. Com o tempo, domina o assunto. Por isso, quanto maior a escolaridade da pessoa, menor a toler\u00e2ncia social ao erro.&nbsp; <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG>O pre\u00e7o<\/STRONG>  <BR> &nbsp; Vale o exemplo da linguista Luc\u00edlia Garcez. Uma editora encomendou-lhe um livro de reda\u00e7\u00e3o. Ela entregou os originais fora do prazo. O editor os devolveu. Junto, o bilhete: &#8220;Em raz\u00e3o do atrazo, a obra saiu do cronograma da editora&#8221;. A Luc\u00edlia respirou aliviada. Depois, comentou: &#8220;Gra\u00e7as a Deus. Imagine meu livro nas m\u00e3os de uma editora que escreve atraso com z. Valha-me, Senhor!&#8221;.  <BR> &nbsp; \u00c9 isso. Quem anda pelado na rua vai pra cadeia. Quem arrota \u00e0 mesa em p\u00fablico acaba a refei\u00e7\u00e3o sozinho. Quem cospe no ch\u00e3o \u00e9 tachado de mal-educado. Quem escreve errado se apresenta como pessoa de poucas letras. Perde vaga na universidade. Perde promo\u00e7\u00e3o no trabalho. Perde pontos no concurso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Marina \u00e9 m\u00e9dica. Profissional de primeiro time, estuda muito, participa de congressos internacionais e escreve artigos pra revistas especializadas. L\u00ea com prazer jornais, revistas e tudo lhe cai nas m\u00e3os. Gosta de participar de salas de bate-papos. Em suma: \u00e9 pessoa sintonizada com o mundo. &nbsp; Outro dia, prestou aten\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma ortogr\u00e1fica. Leu e releu a lei. 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