{"id":3327,"date":"2009-02-20T00:00:00","date_gmt":"2009-02-20T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/para_nao_perder_um_grande_amor\/"},"modified":"2009-02-20T00:00:00","modified_gmt":"2009-02-20T03:00:00","slug":"para_nao_perder_um_grande_amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/para_nao_perder_um_grande_amor\/","title":{"rendered":"Para n\u00e3o perder um grande amor"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Viver um grande amor? \u00c9 sonho de muitos. Mas poucos chegam l\u00e1. A maior dificuldade: encontrar a alma g\u00eamea. Ser\u00e1 que ela existe mesmo? Se existe, onde est\u00e1? A d\u00favida maltrata todos os sonhadores. Ou melhor \u2013 quase todos. Roberval foge \u00e0 regra. O pernambucano rom\u00e2ntico acredita que nasceu pra algu\u00e9m. E algu\u00e9m nasceu pra ele. O destino os aproximar\u00e1. Quando chegar a hora, os deuses conspirar\u00e3o a favor. E aconteceu.&nbsp;   <\/p>\n<p> <strong><\/strong>&nbsp; <strong>Foi assim<\/strong> &nbsp; Roberval v\u00ea Suzete \u00e0 sa\u00edda do cinema. N\u00e3o tem d\u00favida. Ali est\u00e1 a mulher que sempre lhe povoou os sonhos. Ela, como ele, com certeza n\u00e3o gosta de carnaval. Se gostasse, estaria se despedindo da festa. Aproveitaria os \u00faltimos acordes da bateria pra seguir algum bloco, ou correr atr\u00e1s do trio el\u00e9trico. Mas est\u00e1 l\u00e1, \u00e0 sua frente, serena e descansada. Por certo dormiu a noite toda. Confiante, puxa conversa: &nbsp; \u2013 Gostou do filme? &nbsp; \u2013 Adorei, suspira ela. Eu tamb\u00e9m acredito que na vida s\u00f3 existe um grande e \u00fanico amor. &nbsp; \u2013 Eu acho a mesma coisa, alegra-se ele. &nbsp; No dia seguinte, Suzete recebe um buqu\u00ea de rosas vermelhas. Junto, um bilhete: \u201cFaz pouco tempo que lhe conhe\u00e7o, pois lhe vi s\u00f3 uma vez. Mas j\u00e1 lhe amo de paix\u00e3o.Voc\u00ea quer namorar comigo?\u201d &nbsp; L\u00edvida, ela devolve as flores com a resposta: \u201cEu tamb\u00e9m o vi s\u00f3 uma vez, mas j\u00e1 o conhe\u00e7o suficientemente. Sei que n\u00e3o o amo e n\u00e3o quero namorar voc\u00ea nunca\u201d. <i><\/i>&nbsp; <strong>O erro<\/strong> &nbsp; -\u2013 Onde foi que eu errei?, pergunta-se, at\u00f4nito. Um amigo ajudou-o a desvendar o mist\u00e9rio. Na pressa pr\u00f3pria dos amantes, Roberval havia trope\u00e7ado na reg\u00eancia dos verbos \u2013 de todos os verbos. N\u00e3o h\u00e1 cora\u00e7\u00e3o que resista. Deixar de viver um grande amor por causa de meia d\u00fazia de preposi\u00e7\u00f5es? N\u00e3o mesmo. O pernambucano apaixonado foi \u00e0 luta. Enfrentou o cap\u00edtulo de reg\u00eancia para descobrir se um verbo \u00e9 transitivo ou intransitivo. Deu-se conta de que os verbos s\u00e3o vol\u00faveis como o cora\u00e7\u00e3o dos homens. Em cada frase, a reg\u00eancia pode mudar:&nbsp;&nbsp;   <\/p>\n<p>&nbsp;   <\/p>\n<p> Roberval escreve mal. <i><\/i>&nbsp; <i>Roberval escreve um bilhete de amor.<\/i> <i><\/i>&nbsp; <i>Roberval escreve para Suzete.<\/i> <i><\/i>&nbsp; <i>Roberval escreve um bilhete de amor para Suzete.<\/i> &nbsp; O mesmo verbo aparece em quatro frases diferentes. Como saber-lhe a reg\u00eancia? Existe uma f\u00f3rmula. Use-a sempre que precisar descobrir se o verbo pede ou n\u00e3o complemento: &nbsp; 1. Construa, com o verbo da frase (no caso \u00e9 <i>escrever<\/i>), a seguinte f\u00f3rmula: quem escreve escreve alguma coisa a algu\u00e9m. O <i>alguma coisa <\/i>\u00e9 o objeto direto; o <i>para algu\u00e9m<\/i>, o indireto. &nbsp; 2. Verifique se a ora\u00e7\u00e3o tem representante para o <i>alguma<\/i> <i>coisa<\/i>, para <i>o algu\u00e9m <\/i>ou para <i>ambos<\/i>. Na primeira ora\u00e7\u00e3o \u2013 <i>Roberval escreve mal <\/i>\u2013 n\u00e3o aparecem nem o alguma coisa nem o algu\u00e9m. Por isso, a\u00ed, o verbo <i>escrever <\/i>\u00e9 intransitivo. Na segunda \u2013 <i>Roberval escreve um bilhete de amor <\/i>\u2013 temos o <i>alguma coisa <\/i>(um bilhete de amor), ligado ao verbo sem preposi\u00e7\u00e3o. Logo, o verbo \u00e9 transitivo direto e <i>um bilhete de amor <\/i>\u00e9 o objeto direto.  &nbsp; A terceira \u2013 <i>Roberval escreve para Suzete <\/i>\u2013 apresenta o <i>para<\/i> <i>algu\u00e9m <\/i>(Suzete). Repare que, entre <i>escreve <\/i>e <i>Suzete<\/i>, aparece a preposi\u00e7\u00e3o <i>para<\/i>, que serve de intermedi\u00e1ria entre o verbo e o objeto. Logo, a liga\u00e7\u00e3o entre eles \u00e9 indireta. O verbo, na frase, \u00e9 transitivo indireto e <i>Suzete<\/i>, objeto indireto. &nbsp; O verbo da \u00faltima ora\u00e7\u00e3o \u00e9 mais exigente: pede o <i>alguma<\/i> <i>coisa <\/i>(bilhetes de amor) e o <i>para algu\u00e9m <\/i>(Suzete). Trata-se, pois, de um verbo transitivo direto e indireto. <\/p>\n<p>A esperan\u00e7a&nbsp;   <\/p>\n<p> <b> <\/p>\n<p><\/b>Onde Roberval errou? Com certeza em n\u00e3o saber que os verbos <i>ver, conhecer,amar <\/i>e <i>namorar <\/i>s\u00e3o transitivos diretos: quem conhece conhece algu\u00e9m; quem ama ama algu\u00e9m; quem namora namora algu\u00e9m. O pronome pessoal que funciona como objeto direto \u00e9 <b>o <\/b>(masculino) e <b>a <\/b>(feminino). O <b>lhe <\/b>\u00e9 objeto indireto.  &nbsp; Suzete sabia disso? Preste aten\u00e7\u00e3o \u00e0 resposta dela. Roberval aprendeu a li\u00e7\u00e3o. Descobriu que s\u00f3 poderia viver um grande amor com Suzete (ah!) quando soubesse reg\u00eancia verbal. At\u00e9 hoje, o <i>Dicion\u00e1rio de verbos e regimes, <\/i>de Francisco Fernandes, \u00e9 seu livro de cabeceira.&nbsp;   <\/p>\n<p> &nbsp;&nbsp;   <\/p>\n<p>&nbsp;   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Viver um grande amor? \u00c9 sonho de muitos. 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