{"id":3408,"date":"2009-03-05T10:00:00","date_gmt":"2009-03-05T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/taxar_pode_ser_tachar\/"},"modified":"2009-03-05T10:00:00","modified_gmt":"2009-03-05T13:00:00","slug":"taxar_pode_ser_tachar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/taxar_pode_ser_tachar\/","title":{"rendered":"Taxar pode ser tachar"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; As palavras s\u00e3o enganosas. \u00c0s vezes parecem o que n\u00e3o s\u00e3o. \u00c9 o caso de intempestivo. O voc\u00e1bulo n\u00e3o tem nada que ver com temperamental. Refere-se a tempo, prazo. Os advogados o usam a torto e a direito. Volta e meia, l\u00e1 est\u00e1 a declara\u00e7\u00e3o: &#8220;O recurso foi apresentado de forma intempestiva&#8221; (fora do prazo).  &nbsp; Outras vezes, s\u00e3o o que parecem n\u00e3o ser. Vale o exemplo de taxar. Seu significado vai al\u00e9m de tributar. Atrevido, o verbo avan\u00e7a no territ\u00f3rio do tachar. A\u00ed, quer dizer avaliar, julgar, qualificar: <i>Taxou a apresenta\u00e7\u00e3o de perfeita. Taxou-o de ignorante. <\/i> &nbsp; Uma vez perguntaram ao velho professor Aires da Mata Machado F\u00ba o porqu\u00ea da ousadia. Ele ensinou: &#8220;O n\u00f3 da quest\u00e3o est\u00e1 na etimologia e na sem\u00e2ntica dos voc\u00e1bulos. Taxar \u00e9 regular o pre\u00e7o de alguma coisa. Da\u00ed avaliar, julgar. Assim, examinando o procedimento de algu\u00e9m, posso tax\u00e1-lo de exemplar ou de incorreto. Mas n\u00e3o ficaria bem dizer que algu\u00e9m tachou de exemplar seu procedimento.  &nbsp; Tachar vem de &#8216;tachar\u00b4, que quer dizer mancha, defeito. Explica-se, pois, a mistura de \u00e1guas nas vertentes sem\u00e2nticas dos dois voc\u00e1bulos. \u00c9 erro dizer tachar de bom um trabalho. Mas tanto se pode dizer taxar de bom como taxar de mau. Ambos os verbos significam, ao cabo de contas, o resultado de um julgamento&#8221;. &nbsp; Mas h\u00e1 um por\u00e9m. A l\u00edngua \u00e9 como a mulher de C\u00e9sar. A poderosa senhora, dizia-se em Roma, n\u00e3o s\u00f3 tinha de ser honesta. Precisava parecer honesta. A palavra n\u00e3o s\u00f3 tem de ser correta. Tem de parecer correta. \u00c9 senso comum considerar taxar o ato de cobrar taxa. E tachar, avaliar, considerar. Assim: <i>O diretor tachou o auxiliar de pregui\u00e7oso. O governo taxa pesadamente o contribuinte.<\/i> &nbsp; Vamos combinar? No dia a dia, siga a maioria. Em provas, vestibular e concurso, fa\u00e7a valer seus direitos. Se voc\u00ea perder pontos ao usar taxar como o dicion\u00e1rio abona, recorra. Com uma certeza \u2013 o que \u00e9 seu ningu\u00e9m tasca.&nbsp; <b>&nbsp;<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; As palavras s\u00e3o enganosas. \u00c0s vezes parecem o que n\u00e3o s\u00e3o. \u00c9 o caso de intempestivo. O voc\u00e1bulo n\u00e3o tem nada que ver com temperamental. Refere-se a tempo, prazo. Os advogados o usam a torto e a direito. Volta e meia, l\u00e1 est\u00e1 a declara\u00e7\u00e3o: &#8220;O recurso foi apresentado de forma intempestiva&#8221; (fora do prazo). &nbsp; Outras vezes, s\u00e3o o que parecem n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3408","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3408","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3408"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3408\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3408"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3408"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3408"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}