{"id":3449,"date":"2009-03-09T08:00:00","date_gmt":"2009-03-09T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/estrangeiro_fica_no_meio_do_caminho\/"},"modified":"2009-03-09T08:00:00","modified_gmt":"2009-03-09T11:00:00","slug":"estrangeiro_fica_no_meio_do_caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/estrangeiro_fica_no_meio_do_caminho\/","title":{"rendered":"Estrangeiro fica no meio do caminho"},"content":{"rendered":"\n<p> &nbsp; Filho de peixe peixinho \u00e9? \u00c9. A  hereditariedade n\u00e3o pesa s\u00f3 nos reinos animal e vegetal. Pesa tamb\u00e9m no  lingu\u00edstico. Por isso as palavras derivadas seguem as primitivas. Sem vacilar,  ficam no encal\u00e7o de pai e m\u00e3e. &nbsp;   <\/p>\n<p>Se a primitiva se escreve com s, a  derivada n\u00e3o hesita. Vai atr\u00e1s. Se com z, x, ch ou qualquer outra letra, tamb\u00e9m.  Pode ser adjetivo, verbo, substantivo. A regra vale pra todos. Exemplos pululam  a torto e a direito. &nbsp;   <\/p>\n<p>Eis alguns: atr\u00e1s, atraso, atrasar,  atrasado; exame, examinar, examinador, examinado; fazer, fazedor, fiz, fez;  cheio, encher, enchente; charco, encharcar, encharcado; paralisia, paralisar,  paralisante, paralisa\u00e7\u00e3o. &nbsp;   <\/p>\n<p>A origem \u00e9 levada t\u00e3o a s\u00e9rio que nem os  nomes estrangeiros escapam. Mas lidar com eles exige algo mais que o respeito \u00e0  fam\u00edlia. Os importados ficam no meio do caminho. Eles t\u00eam um olho na  nacionalidade. O outro, na l\u00edngua portuguesa. Em outras palavras: respeitam a  grafia original. Depois, acrescentam os sufixos ou prefixos como se a palavra  fosse 100% nacional. &nbsp;   <\/p>\n<p>O resultado \u00e9 h\u00edbrido \u2013 meio  estrangeiro, meio portugu\u00eas. Mas tem seu charme. Veja: Freud (freudiano), Marx  (marxismo, marxista), Hollywood (hollywoodiano), Spielberg (sipelberguismo,  spelberguiano), Kant (kantiano, p\u00f3s-kantismo), Byron (byronismo, byroniano),  Shakespeare (shakespeariano), Bach (bachianas), Hobbes (hobbesiano), Sarney  (sarneysismo), Taylor (taylorismo), Thatcher (thatcherismo), Weber (weberniano,  pr\u00e9-werberiano), windsurf (windsurfista), kart (kartismo,  kart\u00f3dromo). &nbsp;   <\/p>\n<p>  Percebeu? A estrutura original do  voc\u00e1bulo permanece. Ela transmite o significado da palavra. \u00c9 como o sobrenome.  Com ele se identifica a fam\u00edlia. Os h\u00edbridos   <\/p>\n<p> parecem adotar o conselho de E\u00e7a de  Queiroz. \u201cUm homem s\u00f3 deve falar, com impec\u00e1vel seguran\u00e7a e pureza, a l\u00edngua da  sua terra. Todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele  acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro\u201d. &nbsp;  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Filho de peixe peixinho \u00e9? \u00c9. A hereditariedade n\u00e3o pesa s\u00f3 nos reinos animal e vegetal. Pesa tamb\u00e9m no lingu\u00edstico. Por isso as palavras derivadas seguem as primitivas. Sem vacilar, ficam no encal\u00e7o de pai e m\u00e3e. &nbsp; Se a primitiva se escreve com s, a derivada n\u00e3o hesita. Vai atr\u00e1s. Se com z, x, ch ou qualquer outra letra, tamb\u00e9m. Pode ser adjetivo, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3449","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3449","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3449"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3449\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3449"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3449"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3449"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}