{"id":3470,"date":"2009-03-10T12:50:00","date_gmt":"2009-03-10T15:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/nota_explicativa_da_abl\/"},"modified":"2009-03-10T12:50:00","modified_gmt":"2009-03-10T15:50:00","slug":"nota_explicativa_da_abl","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/nota_explicativa_da_abl\/","title":{"rendered":"Nota explicativa da ABL"},"content":{"rendered":"\n<p>DA  <\/p>\n<p>ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS SOBRE OS&nbsp; PROCEDIMENTOS METODOL\u00d3GICOS SEGUIDOS NA ELABORA\u00c7\u00c3O DA 5\u00aa EDI\u00c7\u00c3O DO VOLP,&nbsp; EM CONSON\u00c2NCIA COM O QUE DISP\u00d5E O NOVO ACORDO ORTOGR\u00c1FICO DA L\u00cdNGUA PORTUGUESA E A NOTA EXPLICATIVA QUE LHE SERVE DE ADENDO COMO ANEXO II, APROVADO EM&nbsp; LISBOA EM 1990  <\/p>\n<p>O sint\u00e9tico e enxuto texto oficial do novo Acordo Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa levou esta Comiss\u00e3o e sua Equipe de Lexicografia a procederem a minuciosa an\u00e1lise de suas Bases para que o numeroso repert\u00f3rio lexical que integra a&nbsp; a 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o do VOLP correspondesse com rigor aos prop\u00f3sitos unificadores e simplificadores das delega\u00e7\u00f5es oficiais signat\u00e1rias do supracitado texto.  <\/p>\n<p>Preliminarmente, cabe insistir no prop\u00f3sito de o&nbsp; novo Acordo Ortogr\u00e1fico&nbsp; proporcionar razo\u00e1vel simplifica\u00e7\u00e3o no uso de sinais diacr\u00edticos auxiliares do sistema ortogr\u00e1fico, especialmente no emprego mais parcimonioso de acentos gr\u00e1ficos com fun\u00e7\u00e3o de diferencia\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica e gramatical, como come\u00e7ara, no Brasil, nas altera\u00e7\u00f5es aprovadas em 1971, algumas das quais j\u00e1 correntes em Portugal, sancionadas&nbsp; pelo texto oficial de 1945.  <\/p>\n<p>Tais iniciativas devolviam ao contexto escrito \u2013o que constitu\u00edra pr\u00e1tica antiga no sistema ortogr\u00e1fico da l\u00edngua portuguesa- a tarefa de desfazer poss\u00edveis duplicidades de interpreta\u00e7\u00e3o&nbsp; motivadas pelas homografias entre palavras. O Acordo estendeu, por coer\u00eancia, \u00e0 participa\u00e7\u00e3o elucidadora do contexto o mesmo papel de desfazer ambiguidades, quando prop\u00f4s a supress\u00e3o do h\u00edfen&nbsp; nas&nbsp; locu\u00e7\u00f5es de quaisquer naturezas, eliminando ainda,&nbsp; com a provid\u00eancia, para o homem comum, a raz\u00e3o, nem sempre ao seu alcance, de perceber artificialismos gr\u00e1ficos do tipo, por exemplo,&nbsp; do emprego de \u00e0 toa ( sem h\u00edfen),&nbsp; quando locu\u00e7\u00e3o adverbial (viajou \u00e0 toa)&nbsp;&nbsp;&nbsp; de \u00e0-toa&nbsp; (com h\u00edfen), quando locu\u00e7\u00e3o adjetiva (problema \u00e0-toa) , pr\u00e1ticas ent\u00e3o vigentes entre brasileiros.  <\/p>\n<p>As cr\u00edticas que em Portugal se fizeram ao texto de 1986 e h\u00e3o, em rigor, de prevalecer para o texto de 1990, pelas quais o excesso de homografias provocado tamb\u00e9m pela omiss\u00e3o do h\u00edfen nas locu\u00e7\u00f5es iria trazer dificuldades para o entendimento do homem comum, n\u00e3o t\u00eam fundamento nem l\u00f3gico, nem hist\u00f3rico. N\u00e3o t\u00eam fundamento l\u00f3gico&nbsp; porque cresceu o n\u00famero de homografias vocabulares quando o Acordo de 1945 suprimiu.&nbsp; em Portugal, o acento diferencial de formas como&nbsp; sede (\u00ea) e sede (\u00e9) , o primeiro,&nbsp; verbo e substantivo;o segundo, substantivo. Ningu\u00e9m veio \u00e0 rua brigar, protestando contra a simplifica\u00e7\u00e3o. E a medida&nbsp; deve ter agradado tanto, que em 1971 o Brasil a agasalhou, excluindo apenas os casos em que o&nbsp; acento agudo marcava&nbsp; a distin\u00e7\u00e3o entre voc\u00e1bulos t\u00f4nicos e voc\u00e1bulos \u00e1tonos, como p\u00e1ra, verbo, e para, preposi\u00e7\u00e3o. Desapareceu, com isto, o fundamento hist\u00f3rico.  <\/p>\n<p>Se, desde o in\u00edcio da l\u00edngua escrita portuguesa, a\u00ed pelos s\u00e9culos XII ou XIII, at\u00e9 a \u00e9poca em que os ort\u00f3grafos do s\u00e9c. XIX sistematizaram o emprego do acento diferencial, o contexto oral ou escrito, coadjuvado pela situa\u00e7\u00e3o e pelos saberes que o utente opera em favor da perfeita comunica\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, cumpriu adequadamente ser papel desambiguizador das inc\u00f4modas homografias, podemos ter a certeza de que os utentes do s\u00e9culo XXI ter\u00e3o o poder de sagacidade para continuar dispensando tais artif\u00edcios diferenciadores num sistema ortogr\u00e1fico que se quer mais simples, coerente e cient\u00edfico.  <\/p>\n<p>Para viabilizar o rico repert\u00f3rio lexical desta 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o do VOLP com o sint\u00e9tico e enxuto texto do Acordo de 1990, esta Comiss\u00e3o estabeleceu quatro princ\u00edpios metodol\u00f3gicos que, pelo que se lhe afigura, garantem fiel compromisso aos prop\u00f3sitos dos signat\u00e1rios oficiais:  <\/p>\n<p>a) respeitar a li\u00e7\u00e3o do texto do Acordo;  <\/p>\n<p>b)- estabelecer uma linha de coer\u00eancia do texto como um todo;  <\/p>\n<p>c) acompanhar o esp\u00edrito simplificador do texto&nbsp; do Acordo.  <\/p>\n<p>d) preservar a tradi\u00e7\u00e3o ortogr\u00e1fica refletida nos formul\u00e1rios e vocabul\u00e1rios oficiais anteriores,&nbsp; quando das omiss\u00f5es do texto do&nbsp; Acordo.  <\/p>\n<p>S\u00e3o as seguintes principais medidas tomadas por esta Comiss\u00e3o:  <\/p>\n<p>1)- Restabelecer o acento gr\u00e1fico nos parox\u00edtonos com os ditongos ei e oi  <\/p>\n<p>quando inclu\u00eddos na regra geral dos terminados em \u2013r: M\u00e9ier, destr\u00f3ier, bl\u00eaizer  <\/p>\n<p>2)- Restabelecer o acento circunflexo nos parox\u00edtonos com o encontro&nbsp; \u00f4o&nbsp; quando inclu\u00eddos na regra geral dos terminados em \u2013n: her\u00f4on  <\/p>\n<p>3)- Incluir na regra geral de acentua\u00e7\u00e3o os parox\u00edtonos terminados em \u2013om: i\u00e2ndom, r\u00e1dom (variante de r\u00e1don)  <\/p>\n<p>4)- Incluir o emprego do acento gr\u00e1fico na sequ\u00eancia ui&nbsp;&nbsp; de hiato, quando a vogal&nbsp;&nbsp; t\u00f4nica for&nbsp; i&nbsp; , como na&nbsp; 1\u00aa pessoal do singular do pret\u00e9rito do indicativo: argu\u00ed  <\/p>\n<p>5)- Limitar as exce\u00e7\u00f5es de emprego do h\u00edfen \u00e0s palavras explicitamente relacionadas no Acordo, admitindo apenas as formas derivadas e aquelas consagradas pela tradi\u00e7\u00e3o ortogr\u00e1fica dos vocabul\u00e1rios oficiais, como passatempo  <\/p>\n<p>6)- Incluir&nbsp; no caso 1\u00ba da Base XV o emprego do h\u00edfen nos compostos formados com elementos repetidos, com ou sem altern\u00e2ncia voc\u00e1lica ou conson\u00e2ntica de formas onomatopeicas, por serem de natureza nominal, sem elemento&nbsp; de liga\u00e7\u00e3o, por constitu\u00edrem unidade sintagm\u00e1tica e sem\u00e2ntica e por&nbsp; manterem acento pr\u00f3prio, bem&nbsp; como as formas deles derivadas, conforme preceitua o texto oficial: bl\u00e1-bl\u00e1-bl\u00e1,&nbsp; reco-reco, trouxe-mouxe, zigue-zaguear  <\/p>\n<p>7)- Incluir no caso 3\u00ba da Base XV, relativo \u00e0s denomina\u00e7\u00f5es bot\u00e2nicas e zool\u00f3gicas, as formas designativas de esp\u00e9cies ou&nbsp; produtos afins e derivados, conformer pr\u00e1tica da tradi\u00e7\u00e3o ortogr\u00e1fica: azeite-de-dend\u00ea, b\u00e1lsamo-do-canad\u00e1, \u00e1gua-de-coco  <\/p>\n<p>8)- Excluir do emprego do h\u00edfen as formas hom\u00f3grafas de denomina\u00e7\u00f5es bot\u00e2nicas e zool\u00f3gicas&nbsp; que t\u00eam significa\u00e7\u00f5es diferentes \u00e0quelas: bico de papagaio,&nbsp; \u201cnariz adunco\u201d,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201csali\u00eancia \u00f3ssea\u201d  <\/p>\n<p>9)- Excluir o prefixo co do caso 1\u00ba, a), da Base XVI por merecer do Acordo exce\u00e7\u00e3o especial na Obs. da letra b) da mesma Base XVI e por tamb\u00e9m poder ser inclu\u00eddo no caso 2\u00ba, letra b), da Base II (coabitar, coabilidade, etc.). Assim, por coer\u00eancia, co-herdeiro passar\u00e1 a coerdeiro  <\/p>\n<p>10)- Incluir, por coer\u00eancia e&nbsp; em aten\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o ortogr\u00e1fica, os prefixos re-, pre-&nbsp; e pro-&nbsp; \u00e0 excepcionalidade do prefixo co- , referida na Obs. da letra b)- do caso 1\u00ba da Base XVI: reaver, reelei\u00e7\u00e3o, preencher, pro\u00f3tico.  <\/p>\n<p>11)- Registrar a duplicidade de formas quando n\u00e3o houver perda de fonema voc\u00e1lico do 1\u00ba elemento e o elemento seguinte come\u00e7ar por h- , exceto os casos j\u00e1 consagrados , com elimina\u00e7\u00e3o desta letra: bi-hebdomad\u00e1rio e biebdomad\u00e1rio, carbo-hidrato e carboidrato, mas s\u00f3 cloridrato.  <\/p>\n<p>12)- Incluir entre as&nbsp; locu\u00e7\u00f5es, portanto n\u00e3o hifenadas, as unidades fraseol\u00f3gicas constitutivas de lexias nominalizadas do tipo de deus nos acuda, salve-se quem puder, faz de conta , etc.  <\/p>\n<p>13)- Excluir o emprego do h\u00edfen nas express\u00f5es latinas quando n\u00e3o aportuguesadas: ab ovo, ad immortalitatem, carpe diem, in octavo, mas  <\/p>\n<p>in-oitavo &nbsp;  <\/p>\n<p>14)- Excluir o emprego do h\u00edfen com o prefixo an-&nbsp; quando o 2\u00ba elemento come\u00e7ar por h-&nbsp; , letra que cai, \u00e0 semelhan\u00e7a dos prefixos des-&nbsp; e in-:  <\/p>\n<p>anist\u00f3rico, anep\u00e1tico .&nbsp; Na forma a-&nbsp;&nbsp; usa-se o h\u00edfen e n\u00e3o se elimina o h-  <\/p>\n<p>a-hist\u00f3rico  <\/p>\n<p>15)- Excluir o emprego do h\u00edfen nos casos em que as palavras n\u00e3o e quase funcionam como prefixos: n\u00e3o agress\u00e3o, n\u00e3o fumante, quase delito, quase irm\u00e3o  <\/p>\n<p>Est\u00e1 claro que, para atender a especiais situa\u00e7\u00f5es de expressividade estil\u00edstica com a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos ortogr\u00e1ficos, se pode recorrer ao emprego do h\u00edfen nestes e em todos os outros casos que o uso permitir. \u00c9 recurso a que se socorrem muitas l\u00ednguas. Deste n\u00e3o&nbsp; hifenado se serviram no alem\u00e3o Fichte e Hegel para exercer importante fun\u00e7\u00e3o significativa nas respectivas terminologias filos\u00f3ficas: nicht-sein e nicht-ich,&nbsp; de que outros idiomas europeus se apropriaram como calcos lingu\u00edsticos. N\u00e3o \u00e9, portanto, recurso&nbsp; para ser banalizado.  <\/p>\n<p>\u00c9 evidente que tais propostas, sempre dimanadas de escrupulosa leitura e interpreta\u00e7\u00e3o do texto do Acordo e de sua Nota Explicativa, est\u00e3o sujeitas ao ju\u00edzo cr\u00edtico&nbsp; dos especialistas para sugest\u00f5es e&nbsp; emendas que esta Comiss\u00e3o recolhe e agradece antecipada e cordialmente.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS SOBRE OS&nbsp; PROCEDIMENTOS METODOL\u00d3GICOS SEGUIDOS NA ELABORA\u00c7\u00c3O DA 5\u00aa EDI\u00c7\u00c3O DO VOLP,&nbsp; EM CONSON\u00c2NCIA COM O QUE DISP\u00d5E O NOVO ACORDO ORTOGR\u00c1FICO DA L\u00cdNGUA PORTUGUESA E A NOTA EXPLICATIVA QUE LHE SERVE DE ADENDO COMO ANEXO II, APROVADO EM&nbsp; LISBOA EM 1990 O sint\u00e9tico e enxuto texto oficial do novo Acordo Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa levou esta Comiss\u00e3o e sua [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3470","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3470","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3470"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3470\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}