{"id":3503,"date":"2009-06-08T09:00:00","date_gmt":"2009-06-08T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/paralelismo_e_isto\/"},"modified":"2009-06-08T09:00:00","modified_gmt":"2009-06-08T12:00:00","slug":"paralelismo_e_isto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/paralelismo_e_isto\/","title":{"rendered":"Paralelismo \u00e9 isto"},"content":{"rendered":"\n<p>O corpo fala.  E d\u00e1 li\u00e7\u00f5es. Uma delas: as partes que exercem fun\u00e7\u00e3o igual t\u00eam  estrutura igual. No rosto, temos dois olhos, dois ouvidos, duas narinas.  Um par exerce o mesmo papel que o outro. Os olhos veem. Os ouvidos ouvem.  As narinas cheiram.   <\/p>\n<p>Por exercerem  a mesma fun\u00e7\u00e3o, o casalzinho tem a mesma forma. Um olho \u00e9 do tamanho  e da cor do outro. Um ouvido \u00e9 do tamanho e formato do outro. Uma narina  tem a cara e o focinho da outra.  <\/p>\n<p>No resto do  corpo, a hist\u00f3ria se repete. Temos duas m\u00e3os, dois bra\u00e7os, dois p\u00e9s  e duas pernas. Um e outro exercem a mesma fun\u00e7\u00e3o. As m\u00e3os seguram.  Os bra\u00e7os abra\u00e7am. Os p\u00e9s pisam. As pernas andam. Por isso, t\u00eam  a mesma forma. Um bra\u00e7o \u00e9 g\u00eameo univitelino do outro. Bra\u00e7os, p\u00e9s,  pernas e dedos tamb\u00e9m.  <\/p>\n<p>A l\u00edngua \u00e9  boa aluna. Sabida, aprende a li\u00e7\u00e3o do corpo rapidinho. Termos e ora\u00e7\u00f5es  com fun\u00e7\u00f5es iguais ganham estruturas iguais. Por exemplo: se o verbo  pede dois objetos diretos, h\u00e1 dois caminhos. Um deles \u00e9 dar-lhes a  forma de nome. Outra, de ora\u00e7\u00e3o.   <\/p>\n<p>Veja: <i> <\/p>\n<p><\/i><i>Lula negou  interesse no terceiro mandato e que o governo esteja sem rumo.<\/i> <i> <\/p>\n<p><\/i><i>Negar <\/i> \u00e9 transitivo direto. Pede objeto direto. No caso, s\u00e3o dois objetos.  Um: o interesse no terceiro mandato. O outro: que o governo esteja sem  rumo.   <\/p>\n<p>Reparou? Houve  desrespeito \u00e0 lei do paralelismo. Os dois \u2013 interesse no terceiro  mandato e que o governo esteja sem rumo \u2013 s\u00e3o objetos diretos do  mesmo verbo (negar). Mas t\u00eam estruturas diferentes. Um \u00e9 nominal.  O outro, oracional.  <\/p>\n<p>Em suma: misturaram-se  alhos com bugalhos. Para corrigir o aleij\u00e3o, s\u00f3 h\u00e1 uma sa\u00edda \u2013  dar a mesma estrutura aos dois objetos:  <\/p>\n<p>Estrutura nominal: <i> O presidente negou interesse no terceiro mandato e falta de rumo no  governo.<\/i>  <\/p>\n<p>Estrutura oracional: <i> O presidente negou que tivesse interesse no terceiro mandato e que o  governo estivesse sem rumo<\/i>.  <\/p>\n<p>Para algo estar  paralelo, uma condi\u00e7\u00e3o se imp\u00f5e. \u00c9 necess\u00e1rio que haja mais de  um. A W3 \u00e9 paralela \u00e0 W2, W1, W4 e W5. A L2 \u00e9 paralela \u00e0 L1, L2,  L3, L4 e L5. A pista do Eix\u00e3o que vai em dire\u00e7\u00e3o ao aeroporto \u00e9  paralela \u00e0 que vem em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Rodovi\u00e1ria. Um trilho do trem \u00e9  paralelo a outro.  <\/p>\n<p>Na l\u00edngua,  os termos paralelos tamb\u00e9m exigem mais de um &#8212; mais de um sujeito,  mais de um objeto, mais de um adjunto, mais de uma ora\u00e7\u00e3o:  <\/p>\n<p>a<b>. Paulo<\/b> <b> e Lu\u00eds<\/b> estudam na universidade. b. Gosto de <b> cinema<\/b>, <b>teatro<\/b> e <b>televis\u00e3o<\/b>. c. Os trabalhadores  precisam <b>assegurar o poder de compra dos sal\u00e1rios<\/b> e <b>manter  a garantia do emprego<\/b>.  <\/p>\n<p>Reparou? Os  termos paralelos v\u00eam separados. Para isolar um do outro, h\u00e1 duas sa\u00eddas.  Uma: recorrer \u00e0 v\u00edrgula. A outra: pedir ajuda \u00e0 conjun\u00e7\u00e3o coordenativa.  <\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que  a porca torce o rabo. Muitas vezes o <b>e<\/b> aparece antes do <i>que<\/i>.  O quezinho pode ser conjun\u00e7\u00e3o ou pronome relativo. Num caso e noutro,  imp\u00f5e uma condi\u00e7\u00e3o. O <i>e que<\/i> s\u00f3 ter\u00e1 vez se aparecer o primeiro <i> que<\/i>, claro ou subentendido. Se aparecer um <i>e que<\/i> solit\u00e1rio,  tenha certeza. O paralelismo foi desrespeitado.  <\/p>\n<p>Veja um exemplo: <i> <\/p>\n<p><\/i><i>As pesquisas  revelam grande n\u00famero de indecisos e que pode haver segundo turno nas  elei\u00e7\u00f5es americanas. <\/i>  <\/p>\n<p>Cad\u00ea o primeiro <i> que<\/i>? O gato comeu. Sem ele, nada feito. O segundo n\u00e3o tem vez E  da\u00ed? H\u00e1 dois jeitos de corrigir o aleij\u00e3o.   <\/p>\n<p>Um: mandar  o <i>e que<\/i> pras cucuias: <i>As pesquisas  revelam grande n\u00famero de indecisos e a possibilidade de segundo turno  nas elei\u00e7\u00f5es americanas<\/i>.   <\/p>\n<p>O outro: convidar  o primeiro <i>que <\/i>a figurar na frase: As pesquisas  revelam que h\u00e1 grande n\u00famero de indecisos e que pode haver segundo  turno nas elei\u00e7\u00f5es americanas.   <\/p>\n<p>Eis outro exemplo: <i> <\/p>\n<p><\/i><i>Os trabalhadores  precisam assegurar o poder de compra dos sal\u00e1rios e que seja mantida  a garantia de emprego. <\/i>  <\/p>\n<p>Juntando l\u00e9  com l\u00e9, cr\u00e9 com cr\u00e9, temos:  <\/p>\n<p>Os trabalhadores  precisam assegurar o poder de compra dos sal\u00e1rios e manter a garantia  de emprego.  <i>Os trabalhadores  precisam assegurar que o poder de compra dos sal\u00e1rios seja mantido  e que seja garantido o emprego. <\/i>  <\/p>\n<p>Mais um: <i> <\/p>\n<p><\/i><i>O acusado  negou seu interesse no programa e que o telefonema do traficante tivesse  alguma rela\u00e7\u00e3o com a CPI. <\/i>  <\/p>\n<p>Pondo os pontos  nos ii, temos: <i> <\/p>\n<p><\/i><i>O acusado  negou interesse no programa e a rela\u00e7\u00e3o do telefonema do traficante  com a CPI.<\/i> <i>O acusado  negou que tivesse interesse no programa e que o telefonema do traficante  tivesse alguma rela\u00e7\u00e3o com a CPI. <\/i>  <\/p>\n<p>Em suma: o <i> e que<\/i> \u00e9 como Cosme e Dami\u00e3o. Anda sempre acompanhado. De quem?  De outro <i>que<\/i>. &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O corpo fala. E d\u00e1 li\u00e7\u00f5es. Uma delas: as partes que exercem fun\u00e7\u00e3o igual t\u00eam estrutura igual. No rosto, temos dois olhos, dois ouvidos, duas narinas. Um par exerce o mesmo papel que o outro. Os olhos veem. Os ouvidos ouvem. As narinas cheiram. Por exercerem a mesma fun\u00e7\u00e3o, o casalzinho tem a mesma forma. Um olho \u00e9 do tamanho e da cor do outro. 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