{"id":3705,"date":"2009-03-30T08:30:00","date_gmt":"2009-03-30T11:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_amor_e_a_lingua\/"},"modified":"2009-03-30T08:30:00","modified_gmt":"2009-03-30T11:30:00","slug":"o_amor_e_a_lingua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_amor_e_a_lingua\/","title":{"rendered":"O amor e a l\u00edngua"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Chora, p\u00e9 de moleque. Cai, tomara que caia. Geme, dor de cotovelo. Voc\u00eas pagam o pre\u00e7o da efemeridade da l\u00edngua. H\u00e1 pouco se sustentavam em poderosos hifens. Agora est\u00e3o soltos. A reforma ortogr\u00e1fica lhes cassou o tra\u00e7o de uni\u00e3o. Inspirou-se na defini\u00e7\u00e3o de Vinicius. \u201cO amor\u201d, escreveu o poetinha, \u201c\u00e9 infinito enquanto dura.\u201d Encontrou refor\u00e7o na analogia do Mill\u00f4r: \u201cEterno no amor tem o mesmo sentido que permanente no cabelo\u201d.  &nbsp; Assim, com a certeza de que tudo passa, o h\u00edfen tamb\u00e9m passou. Deu adeus aos compostos por justaposi\u00e7\u00e3o com o termo de liga\u00e7\u00e3o. S\u00e3o em geral tr\u00eas palavras que, soltas, nada t\u00eam a ver uma com as outras. Mas, juntas, formam um terceiro voc\u00e1bulo. \u00c9 o caso de p\u00e9 de moleque. P\u00e9 designa parte do corpo. Moleque, menino sapeca. A preposi\u00e7\u00e3o de os junta. O trio d\u00e1 nome ao doce que n\u00e3o pode faltar nas festas juninas. &nbsp; &nbsp; Exemplos de criaturas desamparadas n\u00e3o faltam. Eis alguns: m\u00e3o de obra, dia a dia, dor de cotovelo, folha de flandres, faz de conta, quarto e sala, lua de mel. &nbsp; &nbsp; Ops! Cuidado com a precipita\u00e7\u00e3o. O adeus n\u00e3o atinge todas as palavras assim compostas. As que designam bicho ou planta conservam o tracinho. Mant\u00eam-se como dantes no quartel de Abrantes cana-de-a\u00e7\u00facar, ip\u00ea-do-cerrado, jo\u00e3o-de-barro, bem-te-vi, bem-me-quer, porco-da-\u00edndia, can\u00e1rio-da-terra. E por a\u00ed vai. &nbsp; Por falar em adeus, vale lembrar. T\u00e3o s\u00f3, t\u00e3o somente e \u00e0 toa se grafavam coladinhas. Agora est\u00e3o livres e soltas. Sem len\u00e7o nem documento, frequentam os textos sem dar n\u00f3 nos miolos dos falantes. \u00c9 bom. A reforma, afinal, n\u00e3o se inspirou no Chacrinha. O velho guerreiro dizia que n\u00e3o estava no palco pra explicar, mas pra complicar. No caso, a mudan\u00e7a descomplicou. Viva!&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Chora, p\u00e9 de moleque. Cai, tomara que caia. Geme, dor de cotovelo. Voc\u00eas pagam o pre\u00e7o da efemeridade da l\u00edngua. H\u00e1 pouco se sustentavam em poderosos hifens. Agora est\u00e3o soltos. A reforma ortogr\u00e1fica lhes cassou o tra\u00e7o de uni\u00e3o. Inspirou-se na defini\u00e7\u00e3o de Vinicius. \u201cO amor\u201d, escreveu o poetinha, \u201c\u00e9 infinito enquanto dura.\u201d Encontrou refor\u00e7o na analogia do Mill\u00f4r: \u201cEterno no amor tem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3705","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3705","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3705"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3705\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3705"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3705"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3705"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}