{"id":3739,"date":"2009-04-07T00:00:00","date_gmt":"2009-04-07T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/guarde_o_porta-retrato_e_salte_de_paraquedas_\/"},"modified":"2009-04-07T00:00:00","modified_gmt":"2009-04-07T03:00:00","slug":"guarde_o_porta-retrato_e_salte_de_paraquedas_","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/guarde_o_porta-retrato_e_salte_de_paraquedas_\/","title":{"rendered":"Guarde o porta-retrato e salte de paraquedas"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; Todas as l\u00ednguas t\u00eam suas maldi\u00e7\u00f5es. A do ingl\u00eas \u00e9 a pron\u00fancia. A do franc\u00eas, os acentos. Do alem\u00e3o, as palavras coladas. Do russo, o alfabeto cir\u00edlico. Do chin\u00eas, os milhares de ideogramas. Do portugu\u00eas, o h\u00edfen. Dizem que, consultado, nem Deus sabe dizer se um prefixo ou radical pedem o tracinho.  &nbsp; &nbsp; A reforma ortogr\u00e1fica jogou lenha na fogueira. Com texto pouco claro, deu margem a chutes e del\u00edrios. Em um dos artigos, diz que o tracinho deixa de existir quando se perdeu a no\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o. Citou um exemplo \u2013 paraquedas. Ora, a regra \u00e9 subjetiva. Quem perdeu a no\u00e7\u00e3o? Eu? Voc\u00ea? A vov\u00f3? Sabe-se l\u00e1.  &nbsp; &nbsp; Dois radicais mereceram a aten\u00e7\u00e3o especial dos aventureiros lingu\u00edsticos. Um: <I>para<\/I>, que aparece em para-raios. Antes da reforma, a diss\u00edlaba aparecia com acento. Agora mandou o grampo plantar batata no asfalto. Outro: <I>porta<\/I>, que figura em porta-malas. N\u00e3o faltou quem escrevesse portarretrato. &nbsp; &nbsp; Em nota, a Academia Brasileira de Letras jogou \u00e1gua na fervura. Avisou que, onde cabem interpreta\u00e7\u00f5es subjetivas, s\u00f3 vale o exemplificado. No caso do para-, s\u00f3 paraquedas figura no exemplo. Conclus\u00e3o: as demais duplinhas escrevem-se como dantes no quartel de Abrantes. \u00c9 o caso de para-choque, para-lama, para-vento, para-raios. &nbsp; &nbsp; O mesmo vale para porta. O <I>vocabul\u00e1rio ortogr\u00e1fico da l\u00edngua portuguesa<\/I> mant\u00e9m o tracinho nos compostos que ostentavam o tracinho: porta-retrato, porta-malas, porta-bandeira, porta-luvas, porta-trecos, porta-moedas, porta-documentos.  &nbsp; &nbsp; Dica: ao lidar com os hifens, seja esperto. Antes de tudo, deixe o complexo pra l\u00e1. Depois, aprenda a se virar. Como? Duvide. Duvide sempre. Busque socorro. O dicion\u00e1rio ajuda. E como!&nbsp;  &nbsp; &nbsp; <B>&nbsp;<\/B><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; Todas as l\u00ednguas t\u00eam suas maldi\u00e7\u00f5es. A do ingl\u00eas \u00e9 a pron\u00fancia. A do franc\u00eas, os acentos. Do alem\u00e3o, as palavras coladas. Do russo, o alfabeto cir\u00edlico. Do chin\u00eas, os milhares de ideogramas. Do portugu\u00eas, o h\u00edfen. Dizem que, consultado, nem Deus sabe dizer se um prefixo ou radical pedem o tracinho. &nbsp; &nbsp; A reforma ortogr\u00e1fica jogou lenha na fogueira. Com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3739","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3739","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3739"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3739\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}