{"id":3749,"date":"2009-11-02T00:05:00","date_gmt":"2009-11-02T02:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/estudantes_perguntam-2\/"},"modified":"2015-11-13T10:40:06","modified_gmt":"2015-11-13T12:40:06","slug":"estudantes_perguntam-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/estudantes_perguntam-2\/","title":{"rendered":"Estudantes perguntam"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem<\/p>\n<div><b><a name=\"Save1\"><\/a> <\/p>\n<p><\/b><b><\/b><b> <\/p>\n<p><\/b> <b>Em que ocasi\u00f5es posso usar o ponto e v\u00edrgula? Nunca  sei. <\/b>(Juliana Duarte, 20 anos) <\/p>\n<p>A d\u00favida, Juliana, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sua. Passeie os olhos por jornais e revistas.  Raramente voc\u00ea ver\u00e1 o sinalzinho casado. Por qu\u00ea? Poucos conhecem as manhas da  criatura. Ele \u00e9 muito sofisticado. Basicamente, tem dois empregos:  <\/p>\n<p>1. Separa termos de uma enumera\u00e7\u00e3o. Nesse caso, \u00e9 arroz de festa de leis,  decretos, portarias. At\u00e9 Deus o usou: <i>  <\/p>\n<p>S\u00e3o mandamentos do Senhor:  A \u2013 Amar a Deus sobre todas as coisas;  B \u2013 N\u00e3o tomar seu santo nome em v\u00e3o;  C \u2013 Honrar pai e m\u00e3e;  D \u2013 N\u00e3o matar;  E \u2013 N\u00e3o roubar;  F \u2013 N\u00e3o desejar a mulher do pr\u00f3ximo; <\/i>  <\/p>\n<p>Reparou? O casadinho fica no meio do caminho. No lugar dele poderia estar a  v\u00edrgula. Ou o ponto. Por isso, muitos nem se preocupam em dar-lhe a vez. No  aperto, partem pra outra. E se d\u00e3o bem.  <\/p>\n<p>2. Muitas vezes a duplinha torna o texto mais claro. Com isso, facilita a  vida do leitor. Quer ver? Examine esta frase: <i>  <\/p>\n<p>Jo\u00e3o trabalha no Senado, Pedro trabalha na Assembl\u00e9ia, Carlos trabalha no  banco, Beatriz trabalha na Universidade, Alberto trabalha no shopping. <\/i>  <\/p>\n<p>A frase est\u00e1 correta e clara. As v\u00edrgulas separam as ora\u00e7\u00f5es coordenadas. Mas  h\u00e1 um defeito. A repeti\u00e7\u00e3o do verbo torna-a cansativa. O que fazer? H\u00e1 uma  sa\u00edda. A gente mant\u00e9m o <i>trabalha <\/i>na primeira ora\u00e7\u00e3o. E mete-lhe a faca  nas demais. No lugar deles, p\u00f5e a v\u00edrgula: <i>  <\/p>\n<p>Jo\u00e3o trabalha no Senado, Pedro, na Assembl\u00e9ia, Carlos, no banco, Beatriz, na  Universidade, Alberto no shopping. <\/i>  <\/p>\n<p>Cruz-credo! \u00c0 primeira vista, o per\u00edodo virou o samba do texto doido. Quem  bate o olho na frase n\u00e3o entende nada. O jeito \u00e9 recorrer ao ponto e v\u00edrgula.  Ele vai separar as ora\u00e7\u00f5es coordenadas: <i>  <\/p>\n<p>Jo\u00e3o trabalha no Senado; Pedro, na Assembl\u00e9ia; Carlos, no banco; Beatriz, na  Universidade; Alberto, no shopping. <\/i>  <\/p>\n<p>Chique, n\u00e3o? Veja mais exemplos: <i>  <\/p>\n<p>Eu estudo na USP, Maria estuda na UFP. (Eu estudo na USP; Maria, na  UFP.)<\/i>  <\/p>\n<p>Alencar escreveu romances, Drummond escreveu poesias. (Alencar escreveu  romances; Drummond, poesias.)  <\/p>\n<p>Podemos viver sem o ponto e v\u00edrgula. Mas, com ele, aumentamos as  possibilidades de escolha. Talvez por isso M\u00e1rio Quintana tenha escrito: &#8220;A  Maria Eug\u00eania \u00e9 muito inteligente. Ela sabe usar ponto e v\u00edrgula&#8221;.  <\/p>\n<p>***  <\/p>\n<p><b>  <\/p>\n<p>Perdi pontos quando comecei uma narra\u00e7\u00e3o no passado e n\u00e3o soube a hora de  voltar a escrever no presente. H\u00e1 alguma regra para isso? (Aline Santana, 18 anos)<\/b>   <\/p>\n<p>N\u00e3o seja murista, Aline. Decida-se. Voc\u00ea pode narrar um fato no presente.  Mantenha o tempo at\u00e9 o fim. Pode preferir o passado. Conserve o pret\u00e9rito at\u00e9  bater o ponto final. Veja um exemplo. Manuel Bandeira escolheu o passado pra  contar a hist\u00f3ria do Jo\u00e3o Gostoso. N\u00f3s a reescrevemos no presente:<i>  <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Gostoso era carregador de feira livre e morava no Morro da Babil\u00f4nia num  barrac\u00e3o sem n\u00famero. \/ Uma noite ele chegou no Bar Vinte de Novembro. \/ Bebeu. \/  Cantou. \/ Dan\u00e7ou. \/ Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu  afogado.   <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Gostoso \u00e9 carregador de feira livre e mora no Morro da Babil\u00f4nia num  barrac\u00e3o sem n\u00famero. \/ Uma noite ele chega no Bar Vinte de Novembro. \/ Bebe. \/  Canta. \/ Dan\u00e7a. \/ Depois se atira na Lagoa Rodrigo de Freitas e morre afogado.  <\/i>  <\/p>\n<p>Viu? \u00c9 l\u00e9 com l\u00e9, cr\u00e9 com cr\u00e9. Misturar l\u00e9 com cr\u00e9? \u00c9 a receita do  cruz-credo.<b>  <\/p>\n<p>***  <\/p>\n<p>Em que ocasi\u00f5es devo usar inclu\u00eddo e incluso? (Amanda Silva, 17 anos)  <\/p>\n<p><\/b>   <\/p>\n<p>Incluir, Amanda, joga no time dos verbos abundantes. Generosos, eles t\u00eam mais  de um partic\u00edpio. Um regular, terminado em -ado ou -ido. Outro irregular, mais  curtinho. \u00c9 o caso de matar e imprimir (matado e morto, imprimido e impresso),  Quando usar um ou outro? Depende do auxiliar. Use o regular com os auxiliares  ter e haver; o irregular, com ser e estar:<i>  <\/p>\n<p>Ele havia (tinha) inclu\u00eddo o documento no processo. O documento foi (est\u00e1)  incluso no processo. O ca\u00e7ador tinha (havia) matado a perdiz. A perdiz foi  (est\u00e1) morta. O advogado tinha (havia) inclu\u00eddo o documento no processo. O  documento foi (est\u00e1) inclu\u00eddo. <\/i> &nbsp;***<b>  <\/p>\n<p>Quando uso por meio de e atrav\u00e9s de? (Felipe Yung, 18 anos)<\/b>   <\/p>\n<p>Antes, usava-se <i>atrav\u00e9s de <\/i>no sentido de atravessar. Assim: <i>Vejo a  paisagem atrav\u00e9s da janela. O conceito de beleza mudou atrav\u00e9s dos tempos.  <\/i>  <\/p>\n<p>Modernamente, Felipe, usa-se o <i>por meio de<\/i> mesmo no sentido de atrav\u00e9s  de. O Aur\u00e9lio e o Houaiss abonam o emprego. <b>  <\/p>\n<p>***  <\/p>\n<p>Minha d\u00favida \u00e9 quanto ao uso do h\u00edfen na nova reforma ortogr\u00e1fica. Pode me  ajudar? (Rafaela Viegas, 21 anos)<\/b>   <\/p>\n<p>O h\u00edfen \u00e9 castigo de Deus. Cheio de regras e exce\u00e7\u00f5es, d\u00e1 n\u00f3 nos miolos dos  estudantes e profissionais. A reforma trouxe alguma simplifica\u00e7\u00e3o \u00e0s normas, mas  nos obriga a recorrer ao dicion\u00e1rio com frequ\u00eancia. De qualquer forma, vale a  pena conhecer as duas regras de ouro. Sobre os prefixos, use h\u00edfen: <\/p>\n<p> quando eles forem seguidos de <b>h<\/b>: anti-his\u00f3rico, super-homem,  a-hist\u00f3rico, sobre-humano <\/p>\n<p>  2. quando duas letras iguais se encontram: micro-ondas, semi-imperialista,  sub-bloco<b><a name=\"Save1\"><\/a> <\/p>\n<p> <\/b>Em bom portugu\u00eas: O h \u00e9 soberado. No mais, os diferentes se atraem. Os iguais  se rejeitam: semi-hist\u00f3rico, semi-industrial, semic\u00edrculo.  <\/p>\n<p>Olho vivo: <i>co<\/i>&#8211; e <i>re<\/i>&#8211; sofrem de alergia. N\u00e3o aceitam o tracinho  nem a pedido dos orix\u00e1s: <i>coerdeiro, coordenar, reeduca\u00e7\u00e3o<\/i>.<i> <\/i><i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p><\/i><i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Sub<\/i> \u00e9 cuidadoso. Pra evitar a forma\u00e7\u00e3o de encontro consonantal (como em  abra\u00e7ar), pede mais um h\u00edfen. O tracinho tem vez quando antecedido de <b>r<\/b>:  <i>sub-ra\u00e7a, sub-regi\u00e3o. . <\/i><i><\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem Em que ocasi\u00f5es posso usar o ponto e v\u00edrgula? Nunca sei. (Juliana Duarte, 20 anos) A d\u00favida, Juliana, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sua. Passeie os olhos por jornais e revistas. Raramente voc\u00ea ver\u00e1 o sinalzinho casado. Por qu\u00ea? Poucos conhecem as manhas da criatura. Ele \u00e9 muito sofisticado. Basicamente, tem dois empregos: 1. Separa termos de uma enumera\u00e7\u00e3o. Nesse caso, \u00e9 arroz de festa de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,14],"tags":[],"class_list":["post-3749","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","category-leitor-pergunta"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3749","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3749"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3749\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11484,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3749\/revisions\/11484"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}