{"id":3754,"date":"2009-04-09T00:00:00","date_gmt":"2009-04-09T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/burro_com_pele_de_leao-2\/"},"modified":"2009-04-09T00:00:00","modified_gmt":"2009-04-09T03:00:00","slug":"burro_com_pele_de_leao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/burro_com_pele_de_leao-2\/","title":{"rendered":"Burro com pele de le\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Um burro muito simp\u00e1tico vivia na floresta. A bicharada gostava muito dele. Adorava lhe tocar o pelo macio, montar no lombo amigo, acariciar as orelhas um tanto estranhas. Certo dia, o quadr\u00fapede achou uma pele de le\u00e3o. N\u00e3o teve d\u00favidas. Vestiu-a. E passou as assustar os animais do peda\u00e7o. Coelhos, ratos, veados, porcos-espinhos tremiam de medo quando viam a fera. A\u00ed, n\u00e3o dava outra. Fugiam. &nbsp; &nbsp; Feliz com a nova apar\u00eancia, o farsante foi dar uma voltinha. Encontrou um lenhador. No in\u00edcio, o homem levou um baita susto. Depois, viu as orelhas esquisitas debaixo do corpo de le\u00e3o. Resultado: ficou com a pele do rei da floresta e ainda deu belas palmadas no fingidor por causa do susto que o mentiroso lhe pregou. &nbsp; &nbsp; Reparou? O mundo est\u00e1 cheinho de gente que quer passar pelo que n\u00e3o \u00e9. A l\u00edngua tamb\u00e9m. Certas palavras se escrevem iguaizinhas a outras. Mas pertencem a classe gramatical diferente e t\u00eam significados diferentes. Como evitar a confus\u00e3o? A criatividade correu solta. Inventa daqui, palpita dali, eureca! Decidiram pelo acento diferencial. Assim, ele <I>p\u00e1ra<\/I>, do verbo parar, teria o agudo para distingui-lo da preposi\u00e7\u00e3o <I>para<\/I> (vou para S\u00e3o Paulo).  &nbsp; &nbsp; Eram poucos voc\u00e1bulos. Minoria, todos sabem, n\u00e3o tem for\u00e7a. A reforma ortogr\u00e1fica veio e passou a tesoura em grampos e chap\u00e9us cuja fun\u00e7\u00e3o era distinguir palavras hom\u00f3grafas \u2013 as que se escrevem do mesmo jeitinho, mas n\u00e3o t\u00eam parentesco nem distante. De agora em diante, polo, pera, pelo, pela, para se grafam sem distin\u00e7\u00e3o. Assim: <I>Vou ao Polo Norte jogar partida de polo. O \u00f4nibus que vai para o Rio para aqui. O burro com pele de le\u00e3o arrepiou o pelo dos bichos que passeavam pelo caminho do asno. <\/I> <I>&nbsp;<\/I> &nbsp; Aten\u00e7\u00e3o, muita aten\u00e7\u00e3o. Dois diferenciais permaneceram pra contar a hist\u00f3ria. Um: p\u00f4de, passado do verbo poder. Ele n\u00e3o quer confus\u00e3o com pode, presente. O outro: p\u00f4r. O pequeno escapou porque \u00e9 monoss\u00edlabo. A reforma s\u00f3 atingiu as parox\u00edtonas.  &nbsp; &nbsp; <B>&nbsp;<\/B> <B>&nbsp;<\/B><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Um burro muito simp\u00e1tico vivia na floresta. A bicharada gostava muito dele. Adorava lhe tocar o pelo macio, montar no lombo amigo, acariciar as orelhas um tanto estranhas. Certo dia, o quadr\u00fapede achou uma pele de le\u00e3o. N\u00e3o teve d\u00favidas. Vestiu-a. E passou as assustar os animais do peda\u00e7o. Coelhos, ratos, veados, porcos-espinhos tremiam de medo quando viam a fera. A\u00ed, n\u00e3o dava [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3754","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3754","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3754"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3754\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3754"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3754"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3754"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}