{"id":3855,"date":"2009-04-28T14:00:00","date_gmt":"2009-04-28T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/gripe_que_vem_do_chiqueirinho\/"},"modified":"2009-04-28T14:00:00","modified_gmt":"2009-04-28T17:00:00","slug":"gripe_que_vem_do_chiqueirinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/gripe_que_vem_do_chiqueirinho\/","title":{"rendered":"Gripe que vem do chiqueirinho"},"content":{"rendered":"<p><b> <\/p>\n<p><\/b> Atchim! Atchim! Atchim! \u00c9 a gripe su\u00edna. A danada tem os sintomas das  irm\u00e3zinhas dela. A moleza toma conta do corpo. A temperatura explode. A tosse  perde o controle. A cabe\u00e7a d\u00f3iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Al\u00e9m dos estragos  comuns, ela acrescenta outros. V\u00f4mito e diarreia entram na jogada. Muita gente  n\u00e3o suporta tantos maus-tratos. D\u00e1 adeus \u00e0 vida. O n\u00famero de mortes se aproxima  de 200. Valha-nos, Deus!  <\/p>\n<p>A gripe apareceu no M\u00e9xico. Depois se espalhou mundo afora. Chegou aos  Estados Unidos, \u00e0 Espanha, a Israel, ao Canad\u00e1, \u00e0 Nova Zel\u00e2ndia. A Organiza\u00e7\u00e3o  Mundial da Sa\u00fade tremeu nas bases. Teme que o mal vire pandemia. O que \u00e9 isso?  Coisa boa n\u00e3o \u00e9. A palavra diz que a doen\u00e7a, pra l\u00e1 de globalizada, n\u00e3o poupa  ningu\u00e9m. Pode espalhar-se pelos cinco continentes sem pedir visto ou apresentar  passaporte. &nbsp; <strong>O pai total<\/strong>  <\/p>\n<p>Pandemia \u00e9 irm\u00e3 de p\u00e2nico. Ambas nasceram de P\u00e3. O deus grego \u00e9 metade homem,  metade bode. Tem o corpo coberto de pelos. Na cabe\u00e7a, exibe dois chifres. Os p\u00e9s  n\u00e3o s\u00e3o p\u00e9s. S\u00e3o cascos. O meio-gente-meio-bicho habita os bosques, pertinho das  fontes. Vive cercado de animais, todos loucos por ele. Tornou-se, por isso, a  divindade protetora dos pastores e dos rebanhos.   <\/p>\n<p>Mas os humanos estremeciam s\u00f3 de lhe ouvir o nome. Com raz\u00e3o. P\u00e3 aparecia de  repente. Perseguia mo\u00e7as e rapazes porque queria namor\u00e1-los \u00e0 for\u00e7a. Apavorados,  todos fugiam. Da\u00ed nasceu a palavra p\u00e2nico. \u00c9 um pavor enorrrrrrrrrrrme. Os  pastores da Arc\u00e1dia o adotaram como deus. N\u00e3o deu outra: a fama dele se espalhou  pelo mundo. Passou a significar o grande todo, a vida universal.   <\/p>\n<p>Com essa acep\u00e7\u00e3o, desembarcou na nossa l\u00edngua. Pan virou prefixo. Sempre que  aparece, d\u00e1 id\u00e9ia de totalidade. Os Jogos Pan-Americanos, por exemplo, agregam  os habitantes das tr\u00eas Am\u00e9ricas. O movimento pan-ar\u00e1bico junta os povos dos 23  pa\u00edses que falam \u00e1rabe. Os defensores da pan-negritude buscam a uni\u00e3o dos  afrodescendentes, espalhados mund\u00e3o afora. E pandemia? \u00c9 epidemia sem  fronteiras.<b> <\/b><b>&nbsp;<\/b> <b>Trope\u00e7o<\/b>  <\/p>\n<p>Jornais, r\u00e1dios e tev\u00eas s\u00f3 falam no assunto. \u00c9  gripe su\u00edna pra c\u00e1, gripe su\u00edna pra l\u00e1, gripe su\u00edna pracol\u00e1. Ufa! No domingo,  acendeu-se a luz vermelha. A doen\u00e7a apareceu nos  Estados Unidos. Depois, em outros pa\u00edses. Entre eles, Espanha, Israel e  Nova Zel\u00e2ndia. Ops! A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade deu o alerta. A epidemia  mexicana pode se transformar em pandemia. A GloboNews noticiou o alerta.  Escreveu na telinha \u2014 &#8220;risco de pandemia mundial&#8221;. Baita pleonasmo, n\u00e3o?  Pandemia \u00e9 mundial. O adjetivo sobra. &nbsp; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atchim! Atchim! Atchim! \u00c9 a gripe su\u00edna. A danada tem os sintomas das irm\u00e3zinhas dela. A moleza toma conta do corpo. A temperatura explode. A tosse perde o controle. 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