{"id":3944,"date":"2009-11-22T00:00:00","date_gmt":"2009-11-22T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/dicas_de_domingo\/"},"modified":"2009-11-22T00:00:00","modified_gmt":"2009-11-22T02:00:00","slug":"dicas_de_domingo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/dicas_de_domingo\/","title":{"rendered":"dicas de domingo"},"content":{"rendered":"<p>Dicas de Portugu\u00eas Dad Squarisi  <a href=\"mailto:dadsquarisi.df@dabr.com.br\">dadsquarisi.df@dabr.com.br<\/a> (Blog da  Dad <a href=\"http:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/\">www.correiobraziliense.com.br<\/a>) &nbsp; <strong>Recado<\/strong> &#8220;Amo a concis\u00e3o e a objetividade.&#8221; Ellen Gracie, ministra do STF &nbsp; <strong>M\u00e3e estressada<\/strong> Que coisa! Todos os dias, era mais do mesmo. A m\u00e3e sa\u00eda de casa l\u00e1 pelas 7h.  Deixava a filha de 6 meses na creche. Em seguida, levava a de 6 anos pra escola.  Na quarta, ela mudou a rotina. A maiorzinha desembarcou primeiro. A outra  dormia. Sem se lembrar da beb\u00ea, a m\u00e3e foi pro trabalho. L\u00e1 ficou at\u00e9 o meio-dia.  Quando chegou ao estacionamento, ops! A crian\u00e7a estava no carro. Levaram-na pro  hospital. Com queimaduras e dificuldade de respirar, a pequenina n\u00e3o resistiu.  Foi pro c\u00e9u. A trag\u00e9dia virou not\u00edcia. Jornais, r\u00e1dios e televis\u00f5es divulgaram a fatalidade. Ouviram psic\u00f3logos e advogados.  Houve coincid\u00eancia de opini\u00f5es. O descuido se deveu ao estresse. A cabe\u00e7a cheia  apaga o que sai do&nbsp;script. Esquece. Pra  comentar o fato, uma condi\u00e7\u00e3o se imp\u00f4s \u2014 respeitar a reg\u00eancia do verbo esquecer.  O danadinho \u00e9 vers\u00e1til que s\u00f3. Ora pede pronome, ora o dispensa. Ora exige  preposi\u00e7\u00e3o, ora abre m\u00e3o da intermedi\u00e1ria. \u00c9 um desafio. Que tal  enfrent\u00e1-lo?<b> &nbsp; Deixa pra l\u00e1<\/b> &#8220;Esquece o passado&#8221;, diz o psic\u00f3logo&nbsp;\u00e0 m\u00e3e  desesperada. &#8220;Me esquece&#8221;, exige a namorada cansada da ciumeira do  apaixonado. Com pronome ou sem pronome, o verbo mant\u00e9m o significado b\u00e1sico \u2014  olvidar, sair da lembran\u00e7a.  Transitivo direto, esquecer dispensa o dezinho: <i>Dizem que o brasileiro tem  mem\u00f3ria curta. Esquece tudo. O retirante n\u00e3o esquece a terra onde nasceu. Jo\u00e3o  Marcelo, bom aluno, nunca esqueceu o dever de casa. Rafael jamais esquecer\u00e1 os  colegas da escolinha.<\/i> Acompanhado do pronome reflexivo, esquecer pede companhia. Vem, dona  preposi\u00e7\u00e3o: <i>Dizem que o brasileiro tem mem\u00f3ria curta. Esquece-se de tudo. O  retirante n\u00e3o se esquece da terra onde nasceu. Jo\u00e3o Marcelo, bom aluno, nunca se  esqueceu&nbsp;do dever de casa. Rafael jamais  se esquecer\u00e1 dos colegas da escolinha.<\/i><b> &nbsp; Por querer e sem querer<\/b> &#8220;Foi sem querer&#8221;, diz a garotada pra se desculpar de malfeitos. No direito, o  &#8220;sem querer&#8221; tem adjetivo espec\u00edfico. \u00c9 culposo. A m\u00e3e que esqueceu a filha no  carro cometeu homic\u00eddio culposo. Ela n\u00e3o teve a inten\u00e7\u00e3o de matar. Foi  fatalidade. O contr\u00e1rio? \u00c9 doloso. Quem planeja a morte de algu\u00e9m comete  homic\u00eddio doloso. Tamb\u00e9m entra na categoria do &#8220;por querer&#8221; a pessoa que assume  o risco de produzir a morte. \u00c9 o caso de quem d\u00e1 um tiro pro alto no meio da  multid\u00e3o. O tiro rouba a vida de um infeliz que n\u00e3o tinha nada a ver com a  brincadeirinha. Embora o engra\u00e7adinho n\u00e3o tivesse a inten\u00e7\u00e3o de praticar  homic\u00eddio, sabia que o disparo poderia atingir algu\u00e9m. Vai pro xilindr\u00f3.  <strong><\/strong>&nbsp; <strong>S\u00f3 cora\u00e7\u00e3o<\/strong> O atestado de \u00f3bito constatou que a morte da bebezinha esquecida no carro se  deveu a parada cardiorrespirat\u00f3ria. Cardio-, vale lembrar, n\u00e3o aceita h\u00edfen nem  a pedido de Deus. Quando se encontra com <strong>r<\/strong> ou  <strong>s<\/strong>, dobra as letrinhas pra manter a pron\u00fancia:  <i>cardioesclerose, cardiograma, cardiorrenal, cardiossistema<\/i>.<b> &nbsp; Por falar em cardio-\u2026<\/b> Cardio- vem do grego kard\u00eda. Quer dizer cora\u00e7\u00e3o. O nobre senhor aparece em  mont\u00f5es de voc\u00e1bulos. Entre eles, cardiologia (ramo da medicina que se ocupa das  doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o e dos vasos sangu\u00edneos), cardiopatia (doen\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o),  card\u00edaco (referente a cora\u00e7\u00e3o),&nbsp;cardite (inflama\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o). Ufa!  <b> <\/b><b>&nbsp;<\/b> <b>Leitor pergunta<\/b> Li no jornal de segunda este horror: &#8220;Um biscoitinho deixado na dispensa&#8221;.  N\u00e3o seria despensa?<b> Wilson Ximenes, Bras\u00edlia<\/b> Claro que sim. Dispensa, com i, \u00e9 forma do verbo dispensar. Despensa, com e,  o lugar onde guardamos a comida gostosa.  *** Na frase &#8220;Chegou a nota legal&#8221;, devo usar o sinalzinho da crase?<b> Edilberto Siqueira, lugar incerto<\/b> N\u00e3o. A ora\u00e7\u00e3o est\u00e1 em ordem inversa. Na ordem direta, a d\u00favida cria asas e  voa pra bem longe: <i>A nota legal chegou.<\/i> *** Gostaria de saber quando \u00e9 que textos devem ser separados por barras.<b> Virg\u00ednia Maria Guimar\u00e3es, Bel\u00f4<\/b> Poemas t\u00eam versos. Cada verso se escreve numa linha. \u00c0s vezes transcrevemos o  texto sem respeitar a forma original. A\u00ed, usamos barras. Elas informam ao leitor  a forma original da obra. Compare: Irene preta Irene boa Irene sempre de bom humor.  * Irene preta \/ Irene boa \/ Irene sempre de bom humor.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dicas de Portugu\u00eas Dad Squarisi dadsquarisi.df@dabr.com.br (Blog da Dad www.correiobraziliense.com.br) &nbsp; Recado &#8220;Amo a concis\u00e3o e a objetividade.&#8221; Ellen Gracie, ministra do STF &nbsp; M\u00e3e estressada Que coisa! Todos os dias, era mais do mesmo. A m\u00e3e sa\u00eda de casa l\u00e1 pelas 7h. Deixava a filha de 6 meses na creche. Em seguida, levava a de 6 anos pra escola. 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