{"id":3974,"date":"2009-05-07T00:00:00","date_gmt":"2009-05-07T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/mudar_pra_ficar_na_mesma\/"},"modified":"2009-05-07T00:00:00","modified_gmt":"2009-05-07T03:00:00","slug":"mudar_pra_ficar_na_mesma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/mudar_pra_ficar_na_mesma\/","title":{"rendered":"Mudar pra ficar na mesma"},"content":{"rendered":"<div> <a name=\"Save1\"><\/a>  <\/p>\n<p>Dad Squarisi \/\/ dadsquarisi.df@diariosassociados.com.br  <\/p>\n<p>Urg\u00eancias? O Brasil tem muitas. A sa\u00fade pede socorro. Sobram pacientes, mas  faltam leitos, rem\u00e9dios, profissionais. A seguran\u00e7a assusta. Homicidas,  latrocidas, traficantes fazem a festa com crescente desenvoltura. O cidad\u00e3o  ergue grades, tranca portas, esconde-se em casa. Torna-se prisioneiro enquanto  os bandidos invadem ruas, escolas, com\u00e9rcio e pr\u00e9dios.  <\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o fica atr\u00e1s. Pais fazem a parte deles. Mandam os filhos \u00e0  escola. Passados os anos, descobrem que ter o nome na lista de chamada n\u00e3o  significa acesso ao conhecimento. Crian\u00e7as tornam-se jovens incapazes de ler e  entender, escrever e ser entendido, resolver quest\u00e3o que envolva as quatro  opera\u00e7\u00f5es. Em suma: bancos escolares viraram sin\u00f4nimo de perda de tempo.  <\/p>\n<p>Ano ap\u00f3s ano, fazem-se avalia\u00e7\u00f5es. Ano ap\u00f3s ano, confirma-se o diagn\u00f3stico \u2014  a escola vai mal. O mais recente retrato da trag\u00e9dia mostrou o ensino m\u00e9dio de  corpo inteiro. Na lista do Enem, os col\u00e9gios municipais e estaduais figuraram na  rabeira. Os particulares, no topo. Ora, como a maior parte da popula\u00e7\u00e3o depende  de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, algo precisa ser feito. E n\u00e3o \u00e9 de hoje.   <\/p>\n<p>O ensino fundamental \u00e9 exig\u00eancia da Constitui\u00e7\u00e3o. Pais que n\u00e3o matriculam os  filhos correm o risco de parar atr\u00e1s das grades. A obrigatoriedade, por\u00e9m, para  a\u00ed. O descalabro revela-se, ent\u00e3o, sem eufemismos. Situado no meio do caminho, o  n\u00edvel m\u00e9dio serve de ponte para a universidade. Mas muitos n\u00e3o t\u00eam voca\u00e7\u00e3o para  a academia. Mesmo assim, t\u00eam de se submeter \u00e0 decoreba sem fim pra passar no  vestibular. Sem base e sem motiva\u00e7\u00e3o, a mo\u00e7ada cai fora. Resultado: torna-se  presa f\u00e1cil do tr\u00e1fico &amp; cia. bandida.   <\/p>\n<p>O que fazer? O MEC anunciou projeto de mudan\u00e7as \u2014 distribui as 12 disciplinas  em quatro grupos (l\u00ednguas, matem\u00e1tica, humanas, exatas e biol\u00f3gicas) e aumenta a  carga hor\u00e1ria (de 2.400 para 3 mil horas). O modelo est\u00e1 previsto nas diretrizes  do ensino m\u00e9dio desde 1988. De l\u00e1 pra c\u00e1, o pa\u00eds n\u00e3o se preparou pra novidade.  Mas quer implant\u00e1-la em 2010. Conclus\u00e3o: sem qualificar professores, equipar  laborat\u00f3rios e modernizar bibliotecas, confirma-se a tese do italiano Giuseppe  di Lampedusa. Muda-se pra ficar tudo na mesma. <\/p><\/div>\n<p>(artigo publicado em Opini\u00e3o do&nbsp; Correio Braziliense)  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dad Squarisi \/\/ dadsquarisi.df@diariosassociados.com.br Urg\u00eancias? O Brasil tem muitas. A sa\u00fade pede socorro. Sobram pacientes, mas faltam leitos, rem\u00e9dios, profissionais. A seguran\u00e7a assusta. Homicidas, latrocidas, traficantes fazem a festa com crescente desenvoltura. O cidad\u00e3o ergue grades, tranca portas, esconde-se em casa. Torna-se prisioneiro enquanto os bandidos invadem ruas, escolas, com\u00e9rcio e pr\u00e9dios. A educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o fica atr\u00e1s. Pais fazem a parte deles. 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