{"id":4023,"date":"2009-07-12T00:00:00","date_gmt":"2009-07-12T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/leis_tem_leis\/"},"modified":"2009-07-12T00:00:00","modified_gmt":"2009-07-12T03:00:00","slug":"leis_tem_leis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/leis_tem_leis\/","title":{"rendered":"Leis t\u00eam leis"},"content":{"rendered":"<p><b><\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;O mais corrupto dos pa\u00edses tem o maior n\u00famero de leis&#8221;,  escreveu T\u00e1cito no in\u00edcio da era crist\u00e3. De l\u00e1 pra c\u00e1, a realidade n\u00e3o mudou. O  Brasil serve de exemplo. Fazem-se leis a torto e a direito. H\u00e1 tantas que elas  nascem com artigo preventivo. &#8220;Revogam-se as disposi\u00e7\u00f5es em contr\u00e1rio&#8221;, diz ele.  Quais? Ningu\u00e9m sabe. Quem quiser que procure. Advogados n\u00e3o t\u00eam sa\u00edda. Precisam  mergulhar no mar de normas que afogam o bom senso.   <\/p>\n<p>Lidar com elas exige paci\u00eancia e t\u00e9cnica. Jos\u00e9 Sebasti\u00e3o  Cheir Dib, de Arax\u00e1, lembra outra dificuldade \u2014 referir os textos com corre\u00e7\u00e3o e  clareza. Em reuni\u00e3o com colegas, agrupou tr\u00eas d\u00favidas referentes \u00e0 grafia. Uma:  quando empregar as iniciais mai\u00fasculas? Duas: quando usar v\u00edrgula na cita\u00e7\u00e3o de  artigos, par\u00e1grafos, incisos, letras e itens? A \u00faltima: como citar a p\u00e1gina em  que se encontra este ou aquele documento?<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> &nbsp;  <\/p>\n<p>De grandonas e pequeninas<\/b>  <\/p>\n<p>Leis &amp; cia. podem ser substantivos pr\u00f3prios ou comuns.  S\u00e3o pr\u00f3prios e, por isso, escritos com a inicial grandona, os textos que  preenchem uma destas condi\u00e7\u00f5es:  <\/p>\n<p>1. estarem acompanhados do respectivo n\u00famero: <i>Lei 1.328,  Decreto n\u00ba 15.613, Medida Provis\u00f3ria 310, Portaria n\u00ba 7.<\/i>  <\/p>\n<p>2. serem acompanhadas do nome: <i>Lei de Diretrizes e Bases,  Lei Antitruste, Medida Provis\u00f3ria das Mensalidades Escolares, C\u00f3digo Civil,  C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro<\/i>.  <\/p>\n<p>No mais, \u00e9 tudo mixuruca. \u00c9 mixuruca tamb\u00e9m o ato que perde  a majestade \u2014na segunda, terceira, quarta, quinta e demais refer\u00eancias: <i>Todos  s\u00e3o iguais perante a lei. A medida provis\u00f3ria que disp\u00f5e sobre as mensalidades  escolares tem merecido cr\u00edticas de pais e alunos. Embora tenhamos lei que pune o  racismo, persistem discrimina\u00e7\u00f5es aqui e ali.<\/i><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> &nbsp;  <\/p>\n<p>De ordens e v\u00edrgulas<\/b>  <\/p>\n<p>A refer\u00eancia a textos legais d\u00e1 n\u00f3 em fuma\u00e7a. Ora aparece  fileirinha de v\u00edrgulas. Ora o sinal n\u00e3o d\u00e1 o ar da gra\u00e7a. &#8220;\u00c9 capricho ou h\u00e1  regra?&#8221;, perguntam advogados, estudantes e leitores. H\u00e1 regra. Ela \u00e9 simples  como andar pra frente, tirar pirulito de crian\u00e7a, ou arrancar promessa de  pol\u00edtico.   <\/p>\n<p>Guarde isto: se a refer\u00eancia obedecer \u00e0 ordem crescente,  dispense a v\u00edrgula. Caso contr\u00e1rio, d\u00ea-lhe passagem com banda de m\u00fasica e tapete  vermelho: <i>Inciso II do par\u00e1grafo 3\u00ba do artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.  Constitui\u00e7\u00e3o Federal, art. 5\u00ba, par\u00e1grafo 3\u00ba, inciso II.<\/i>  <\/p>\n<p>Dica 1: \u00c9 importante n\u00e3o misturar as ordens. Siga do come\u00e7o  ao fim a crescente ou a decrescente.   <\/p>\n<p>Dica 2: A data do texto tamb\u00e9m pede v\u00edrgula. Assim: <i>O  Decreto 15.613, de 29.4.04, autoriza\u2026 A Medida Provis\u00f3ria 45, de 6.6.93,  determina\u2026<\/i>  &nbsp;<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>De p\u00e1ginas e preposi\u00e7\u00f5es<\/b>  <\/p>\n<p>Outra dor de cabe\u00e7a \u2014 a refer\u00eancia \u00e0 p\u00e1gina. A gente diz &#8220;As  provas est\u00e3o insertas na p\u00e1gina 10 ou \u00e0 p\u00e1gina 10&#8221;? Trata-se de adjunto  adverbial de lugar. Na linguagem dos mortais, d\u00e1-se a vez \u00e0 preposi\u00e7\u00e3o  <i>em<\/i>: <i>Fiz marcas em v\u00e1rias p\u00e1ginas do livro. Preste aten\u00e7\u00e3o \u00e0 nota  referida na p\u00e1g. 8. As provas est\u00e3o insertas na p\u00e1g. 10.<\/i>  <\/p>\n<p>\u00c9 tradi\u00e7\u00e3o na linguagem jur\u00eddica o emprego da preposi\u00e7\u00e3o  <i>a<\/i>. \u00c9 tradi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o obriga\u00e7\u00e3o: <i>Provas insertas \u00e0 p\u00e1gina 10 do processo.  Provas insertas \u00e0s p\u00e1ginas 10 e 20 do processo. Provas insertas na p\u00e1g. 10 do  processo. Provas insertas nas p\u00e1ginas 10 e 20 do processo.<\/i> &nbsp;  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O mais corrupto dos pa\u00edses tem o maior n\u00famero de leis&#8221;, escreveu T\u00e1cito no in\u00edcio da era crist\u00e3. De l\u00e1 pra c\u00e1, a realidade n\u00e3o mudou. O Brasil serve de exemplo. Fazem-se leis a torto e a direito. H\u00e1 tantas que elas nascem com artigo preventivo. &#8220;Revogam-se as disposi\u00e7\u00f5es em contr\u00e1rio&#8221;, diz ele. Quais? Ningu\u00e9m sabe. Quem quiser que procure. Advogados n\u00e3o t\u00eam sa\u00edda. 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