{"id":4172,"date":"2009-12-16T14:00:00","date_gmt":"2009-12-16T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/bem-vindo_leitor\/"},"modified":"2009-12-16T14:00:00","modified_gmt":"2009-12-16T16:00:00","slug":"bem-vindo_leitor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/bem-vindo_leitor\/","title":{"rendered":"Bem-vindo, leitor"},"content":{"rendered":"<p><b><\/b><b>&nbsp;<\/b> <b> <\/p>\n<p><\/b> &#8220;Como escreve o jornalista?&#8221;, perguntaram certa vez a  Eduardo Martins. &#8220;Com pressa&#8221;, respondeu o autor do <i>Manual de reda\u00e7\u00e3o e  estilo do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/i> A correria responde por boa parte de trope\u00e7os  e trope\u00e7\u00f5es que se encontram nas p\u00e1ginas de jornais. Leitores atentos reclamam.  Com raz\u00e3o. Pagam por um produto de excel\u00eancia e exigem a contrapartida. Muitos  telefonam. Outros mandam cartas ou e-mails. A coluna de hoje comenta justas  manifesta\u00e7\u00f5es de amantes da not\u00edcia e da l\u00edngua.<b> &nbsp; Cad\u00ea o artigo?<\/b>  <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Al\u00edrio escreve: &#8221; `Coutinho chama aten\u00e7\u00e3o para o  fato de que, se cada fornecedor apoiar um pouco, a vida pode ser mais feliz\u00b4,  escreveu o jornal de segunda-feira. Viu? Faltou o artigo. A gente chama <b>a  <\/b>aten\u00e7\u00e3o \u2014 sempre&#8221;.<b> &nbsp; De Natal ou do Natal?<\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;Delicio-me, sempre, com suas eloquentes e bem  elaboradas dicas de portugu\u00eas, tendo, inclusive, destinado uma pasta exclusiva  para agasalhar ensinamentos t\u00e3o importantes&#8221;, diz Jos\u00e9 Walterler. &#8220;Mas,  creio eu&#8221;, continua ele, &#8220;inexiste neste mundo de Deus, salvo raras  exce\u00e7\u00f5es, quem n\u00e3o tropece nesta antiga e t\u00e3o atual l\u00edngua, originalmente falada  no L\u00e1cio. Recorro, pois, a sua sapi\u00eancia para diluir atroz d\u00favida gerada por uma  pergunta a mim dirigida por meu filho de cinco anos. `Papai\u00b4, perguntou ele, `o  certo \u00e9 cidade de Natal ou cidade do Natal?\u00b4&#8221;  <\/p>\n<p>Jos\u00e9, nome de cidades em geral tem alergia a artigo. A gente  diz sou de Natal, sou de Bras\u00edlia, sou de Bel\u00f4, sou de Porto Alegre. Sem artigo,  o <i>do<\/i> n\u00e3o tem vez. O <i>de<\/i> pede passagem: <i>Sou da cidade de Natal.  Sou da cidade de S\u00e3o Paulo. Sou da cidade de Miami.<\/i>  <\/p>\n<p>O Rio, o Cairo o Porto s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es que confirmam a regra.  Acompanhados do artigo, abrem alas ao <i>do<\/i> (combina\u00e7\u00e3o da preposi\u00e7\u00e3o de +  artigo o): <i>Sou do Rio. Sou da cidade do Rio. Sou do Cairo. Sou da cidade do  Cairo. Sou do Porto. Sou da cidade do Porto.<\/i>  <\/p>\n<p>E Recife? A capital dos pernambucanos joga em dois times. Na  regi\u00e3o, pede o artigo. Fora da regi\u00e3o, dispensa-o: <i>Sou de Recife. Sou da  cidade de Recife. Sou do Recife. Sou da cidade do Recife.<\/i><b> &nbsp; Fundos do lote<\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;Deparei-me com a seguinte frase no jornal de hoje:  `Dona da casa em frente ao lote que ela ocupava os fundos\u00b4. Estou enganado ou um  jornalista profissional n\u00e3o deveria escrever assim?&#8221;, pergunta Ayrton  Pisco.  <\/p>\n<p>Ops! O rep\u00f3rter pisou o mais doloroso espinho da l\u00edngua  portuguesa. Trata-se do pronome relativo. Lembra-se deles? Que, qual, cujo, onde  s\u00e3o alguns. Eles t\u00eam fun\u00e7\u00e3o pra l\u00e1 de est\u00e9tica. Evitam a repeti\u00e7\u00e3o de palavras.  Desmembrada a frase citada por voc\u00ea, temos: <i>  <\/p>\n<p>Dona de casa em frente ao lote. Ela ocupava os fundos do  lote.<\/i>  <\/p>\n<p>O termo repetido? \u00c9 lote. No caso, indica posse (do lote =  dele). O cujo pede passagem: <i>Dona de casa em frente ao lote cujos fundos  ocupava<\/i>.<b> &nbsp; Generosos e  sovinas<\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;No rodap\u00e9 da ilustra\u00e7\u00e3o de Oscar Niemeyer publicada no  domingo, leio: `102 anos completos hoje\u00b4. A forma completos n\u00e3o me parece certa.  O correto \u00e9 completados, n\u00e3o?&#8221;, pergunta Rold\u00e3o Simas Filho.   <\/p>\n<p>Sabe qual \u00e9 o n\u00f3 da quest\u00e3o? Muitos confundem os verbos  generosos com os sovinas. Generosos s\u00e3o os abundantes. Eles t\u00eam mais de um  partic\u00edpio. \u00c9 o caso de matar (matado, morto), imprimir (impresso, imprimido),  abrir (abrido, aberto). Completar \u00e9 p\u00e3o-duro. S\u00f3 tem um partic\u00edpio \u2014 completado.  A frase mereceria nota 10 se estivesse assim escrita: <i>102 anos completados  hoje.<\/i><b> &nbsp; Verbo-\u00f4nibus<\/b>  <\/p>\n<p>Wilson Ximenes ficou com a pulga atr\u00e1s da orelha. Por qu\u00ea?  &#8220;Li no jornal de domingo: `Exigiu que fosse o pre\u00e7o praticado pela firma  anterior\u00b4. Est\u00e1 correto o emprego de praticar?&#8221;  <\/p>\n<p>O verbo praticar virou praga. Com cintura mais flex\u00edvel que  de pol\u00edtico mineiro, parece chiclete. Adapta-se a qualquer contexto. Praticam-se  pre\u00e7os, praticam-se prazos, praticam-se juros, praticam-se caixas dois.&nbsp;Valha-nos, Deus! Cobrar, fixar, recorrer &amp;  cia. sofisticada ficam pra l\u00e1. Resultado: quem abusa do verbo-\u00f4nibus  denuncia-se. Diz que tem um vocabul\u00e1rio deste tamanhinho, \u00f3. Para ficar bem na  foto, \u00e9 melhor dar a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar. Cobre pre\u00e7os e juros. Fixe prazos.  Recorra a caixa dois.  &nbsp;  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &#8220;Como escreve o jornalista?&#8221;, perguntaram certa vez a Eduardo Martins. &#8220;Com pressa&#8221;, respondeu o autor do Manual de reda\u00e7\u00e3o e estilo do Estado de S\u00e3o Paulo. A correria responde por boa parte de trope\u00e7os e trope\u00e7\u00f5es que se encontram nas p\u00e1ginas de jornais. Leitores atentos reclamam. Com raz\u00e3o. Pagam por um produto de excel\u00eancia e exigem a contrapartida. Muitos telefonam. 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