{"id":4257,"date":"2009-07-29T00:00:00","date_gmt":"2009-07-29T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/superduvida_de_superleitor_superatento\/"},"modified":"2015-11-13T10:40:08","modified_gmt":"2015-11-13T12:40:08","slug":"superduvida_de_superleitor_superatento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/superduvida_de_superleitor_superatento\/","title":{"rendered":"Superd\u00favida de superleitor superatento"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-dad\/2bba6d55ebe7e58def66f1f74de1ba98.jpg\"> <\/p>\n<p><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><\/b> Altamiro Fernandes Cruz mora em Bel\u00f4. Pra l\u00e1 de  curioso, tem interesse especial pela l\u00edngua. Outro dia, dava uma espiadinha na  revista <i>Super&nbsp;interessante.<\/i> O tema  da capa lhe chamou a aten\u00e7\u00e3o. Tratava-se da mat\u00e9ria &#8220;Os verdadeiros donos do  mundo&#8221;. O assunto n\u00e3o podia ser mais palpitante \u2014 v\u00edrus e bact\u00e9rias. Eis o que  leu: &#8220;Em 25 semanas esse v\u00edrus matou mais gente do que 25 anos de Aids. Chegou  uma hora em que parentes das v\u00edtimas deixavam os corpos na rua para ser  recolhidos. Era a gripe espanhola&#8221;. Ops! &#8220;Ser recolhidos? N\u00e3o seria&nbsp;&#8220;serem recolhidos?&#8221;, pergunta.  <b> &nbsp; Eis a quest\u00e3o<\/b>  <\/p>\n<p>Virgem Maria!  Trata-se da armadilha do infinitivo. Os gram\u00e1ticos discutem o assunto  desde o s\u00e9culo 13. At\u00e9 hoje, nenhuma conclus\u00e3o. S\u00e3o todos escorregadios como  quiabo. Dizem que tem de ser singular. Dali a pouco, retrocedem: &#8220;Mas pode ser  plural&#8221;. Quem entende? Nem Deus. O que fazer? Chutar? N\u00e3o. \u00c9 arriscado. Melhor  seguir nossa dica. Voc\u00ea vai acertar sempre.  <\/p>\n<p>Altamiro, preste aten\u00e7\u00e3o ao verbo que lhe d\u00e1 n\u00f3  nos miolos: &#8220;Chegou uma hora em que parentes das v\u00edtimas deixavam os corpos na  rua para <b>ser<\/b> recolhidos&#8221;. Ele \u00e9 antecedido de preposi\u00e7\u00e3o? \u00c9. (<i>Para<\/i>  est\u00e1 l\u00e1 firme e forte.) No caso, a concord\u00e2ncia joga nos dois times com a mesma  desenvoltura. Pode ser singular ou plural: <i>Chegou uma hora em que parentes  das v\u00edtimas deixavam os corpos na rua <b>para<\/b> ser recolhidos. Chegou uma  hora em que parentes das v\u00edtimas deixavam os corpos na rua <b>para<\/b> serem  recolhidos. Esses s\u00e3o os temas <b>a<\/b> ser tratados. Esses s\u00e3o os temas  <b>a<\/b> serem tratados. H\u00e1 formas <b>a<\/b> ser desenvolvidas pelos expositores.  H\u00e1 formas <b>a<\/b> serem desenvolvidas pelos expositores<\/i><b> <\/b><b> <\/p>\n<p><\/b><b>O melhor<\/b>  <\/p>\n<p>Se singular e plural merecem nota 10, vamos adiante. Qual a melhor forma? Os  gram\u00e1ticos dizem que depende da eufonia. Melhor \u00e9 a que soa melhor. Escritores,  poetas, gente pra l\u00e1 de sens\u00edvel prefere o singular. Olho vivo! \u00c9 prefer\u00eancia,  n\u00e3o imposi\u00e7\u00e3o: <i>Muitas das afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o abrangentes demais <b>para<\/b> ser  aceitas ao p\u00e9 da letra. Os presentes foram for\u00e7ados <b>a<\/b> sair. Os clientes  eram obrigados <b>a<\/b> esperar duas horas. As for\u00e7as iraquianas impediram os  jornalistas <b>de<\/b> trabalhar. Estudamos <b>para<\/b> aprender. Os  trabalhadores cruzaram os bra\u00e7os<b> para<\/b> reivindicar melhores  sal\u00e1rios.<\/i><b> <\/b><b> <\/p>\n<p><\/b><b>Limites<\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;Liberdade completa ningu\u00e9m desfruta: come\u00e7amos  oprimidos pela sintaxe e acabamos \u00e0s voltas com o Dops&#8221;, escreveu Graciliano  Ramos. O autor de <i>Vidas secas<\/i> por certo pensava no infinitivo flexionado.  Com criaturinha t\u00e3o singular, n\u00e3o se pode tudo. Pode-se quase tudo. A regra tem  uma exce\u00e7\u00e3o. Uma s\u00f3. N\u00e3o est\u00e1 ligada ao certo ou errado. Mas \u00e0 clareza. Veja a  frase:<i>  <\/p>\n<p>Fechamos  a janela para n\u00e3o sentir frio.<\/i>  <\/p>\n<p>Gramaticalmente a frase n\u00e3o tem reparos. Quem  fechou a janela? N\u00f3s. Quem vai sentir frio? N\u00f3s (o sujeito oculto \u00e9 o mesmo da  ora\u00e7\u00e3o anterior). Mas h\u00e1 um sen\u00e3o: quem vai sentir frio n\u00e3o somos n\u00f3s. No caso,  precisamos dizer quem faz o qu\u00ea. O jeito \u00e9 flexionar o infinitivo \u2014 faz\u00ea-lo  concordar com o sujeito a que se refere:<i>  <\/p>\n<p>Fechamos  a janela para (tu) n\u00e3o sentires frio. Fechamos a janela para (eles) n\u00e3o  sentirem frio.<\/i><b> <\/b><b>&nbsp;<\/b> <b>Resumo da opereta<\/b>  <\/p>\n<p>Guarde isto: infinitivo antecedido de preposi\u00e7\u00e3o? A regra \u00e9 o singular. A  clareza ficou comprometida? Flexione o verbo. &nbsp;<b> <\/b><b> <\/p>\n<p><\/b> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Altamiro Fernandes Cruz mora em Bel\u00f4. Pra l\u00e1 de curioso, tem interesse especial pela l\u00edngua. Outro dia, dava uma espiadinha na revista Super&nbsp;interessante. O tema da capa lhe chamou a aten\u00e7\u00e3o. Tratava-se da mat\u00e9ria &#8220;Os verdadeiros donos do mundo&#8221;. O assunto n\u00e3o podia ser mais palpitante \u2014 v\u00edrus e bact\u00e9rias. 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