{"id":4313,"date":"2009-08-04T10:00:00","date_gmt":"2009-08-04T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/barraqueiros_do_senado\/"},"modified":"2009-08-04T10:00:00","modified_gmt":"2009-08-04T13:00:00","slug":"barraqueiros_do_senado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/barraqueiros_do_senado\/","title":{"rendered":"Barraqueiros do Senado"},"content":{"rendered":"<p><b> <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-dad\/b675f35e48aa71d17cdd439b127e4ed8.jpg\"> <\/p>\n<p><\/b>   <\/p>\n<p>\u00c9 Vossa Excel\u00eancia pra c\u00e1, Vossa Excel\u00eancia pra l\u00e1. No meio, um senhor  barraco. Nos tempos da vov\u00f3, falava-se em briga de lavadeira. Com a chegada da  m\u00e1quina de lavar e do politicamente correto, a express\u00e3o caiu em desuso. Deu a  vez ao bate-boca. Lavadeiras ou bocas, o n\u00facleo se mant\u00e9m. Trata-se de baixarias  \u2014 golpes abaixo da cintura.   <\/p>\n<p>Na segunda, o Senado voltou do recesso em p\u00e9 de guerra. Armou um barrac\u00e3o.  Embaladas em excel\u00eancias, choveram duas horas de acusa\u00e7\u00f5es. Pedro Simon come\u00e7ou.  Da tribuna, mirou Renan Calheiros:    <\/p>\n<p>\u2014 Vossa Excel\u00eancia foi \u00e0 China fazer acordo com o Collor. Depois, na hora H,  o abandonou.   <\/p>\n<p>Renan trouxe \u00e0 tona outra hist\u00f3ria:   <\/p>\n<p>\u2014 Vossa Excel\u00eancia foi no gabinete do senador Sarney dizer que o apoia. Aqui,  muda o discurso.   <\/p>\n<p>O sangue subiu \u00e0 cabe\u00e7a de Collor. Com o olhar duro e a voz de a\u00e7o, enquadrou  Simon:   <\/p>\n<p>\u2014 Vossa Excel\u00eancia diz palavras que eu n\u00e3o aceito. Quero que as engula e as  ingira. Me trate como sempre lhe tratei. Evite pronunciar meu nome. Se o fizer,  vou contar fatos sobre o senhor.   <\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o conte.   <\/p>\n<p>\u2014 Contarei quando quiser e achar oportuno.   <\/p>\n<p>O espet\u00e1culo prosseguiu. N\u00f3s ficamos por aqui. Com uma incumb\u00eancia \u2014 apurar  se Suas Excel\u00eancias tratam a l\u00edngua t\u00e3o bem quanto tratam os pares. O resultado?  Ei-lo.<b> <\/b><b>&nbsp;<\/b> <b>De ir e voltar<\/b>   <\/p>\n<p>&#8220;Vossa Excel\u00eancia foi \u00e0 China fazer acordo com o  Collor&#8221;, disse Simon. &#8220;Vossa Excel\u00eancia foi no gabinete do senador Sarney dizer  que o apoia&#8221;, respondeu Renan. Viu? Ambos usaram o verbo ir. Mas com preposi\u00e7\u00f5es diferentes.  Um disse &#8220;foi \u00e0 China&#8221;. O outro, &#8220;foi no gabinete&#8221;. Quem est\u00e1  certo?<b> <\/b><b>  <\/p>\n<p><\/b><b>Ir a<\/b>  indica deslocamento breve. Quem vai <b>a<\/b> algum lugar est\u00e1 passeando ou  trabalhando. Volta em pouco tempo: <i>Foi ao clube. Fui ao banheiro. Amanh\u00e3  vamos ao shopping.<\/i><b> <\/b><b>  <\/p>\n<p><\/b><b>Ir para<\/b>  anuncia deslocamento longo. Em geral implica mudan\u00e7a. Ir para n\u00e3o mais voltar.  Ou n\u00e3o voltar logo. \u00c9 o caso de nossa conhecida frase &#8220;v\u00e1 para o inferno&#8221;. Em  outras palavras: V\u00e1 e fique por l\u00e1. N\u00e3o volte.   <\/p>\n<p>Lembra-se do poema de Manuel Bandeira? O poeta  quer fazer as malas e dizer adeus. Acertou na  preposi\u00e7\u00e3o: &#8220;Vou-me embora pra Pas\u00e1rgada.\/ L\u00e1 sou amigo do rei.\/ L\u00e1 tenho  a mulher que eu quero \/ Na cama que escolherei&#8221;.   <\/p>\n<p>De volta \u00e0 vaca fria: Renan pisou a l\u00edngua. Para  ser perdoado, ter\u00e1 de dizer &#8220;foi ao gabinete&#8221;. Dir\u00e1? &nbsp;  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 Vossa Excel\u00eancia pra c\u00e1, Vossa Excel\u00eancia pra l\u00e1. No meio, um senhor barraco. Nos tempos da vov\u00f3, falava-se em briga de lavadeira. 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