{"id":4318,"date":"2009-08-05T07:00:00","date_gmt":"2009-08-05T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/modismos_\/"},"modified":"2009-08-05T07:00:00","modified_gmt":"2009-08-05T10:00:00","slug":"modismos_","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/modismos_\/","title":{"rendered":"Modismos"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>\n<p>Moro grande parte do tempo no exterior e volto regularmente ao Brasil. (Sou  casada com&nbsp; diplomata). Em geral, h\u00e1 a cada retorno um ou mais modismos usados por grande parte  da popula\u00e7\u00e3o e da imprensa escrita e falada. S\u00e3o, na maior parte das vezes,  tentativas de falar certo e bonito, que empregam palavras ou constru\u00e7\u00f5es  gramaticais de forma errada no contexto.  <\/p>\n<p>Em 1993, por exemplo, peguei o in\u00edcio  da mania do &#8220;quem deseja?&#8221; e do &#8220;quem gostaria?&#8221; ao atender uma chamada  telef\u00f4nica. Em 2002 ou 2003, piorou. Estava implantado o gerundismo. A partir  da\u00ed, quase todos, em vez de verificar, &#8220;v\u00e3o estar verificando&#8221;. H\u00e1 tamb\u00e9m as  epidemias nos textos escritos. Pelos textos que&nbsp;revisei ultimamente, j\u00e1 havia  verificado a invas\u00e3o do &#8220;possuir&#8221; e do &#8220;bastante&#8221;.  <\/p>\n<p>Segundo um professor meu,  &#8220;possuir&#8221; tem conota\u00e7\u00e3o de posse e tem emprego espec\u00edfico. Sabemos&nbsp;que &#8220;bastante&#8221;  significa suficiente, algo que basta. Foram essas a coqueluche irritante de  minhas \u00faltimas f\u00e9rias no Brasil. Ningu\u00e9m tem (devem achar o verbinho  insignificante), todos possuem. E o &#8220;muito&#8221; desapareceu. S\u00f3 se possui bastante.  Por curiosidade, dei uma breve busca no Globo on-line e encontrei as seguintes  p\u00e9rolas: &#8220;Obviamente, fiquei bastante desapontado ao receber esta not\u00edcia.&#8221;,  &#8220;&#8230;viu que outros passageiros se machucaram bastante&#8221;, &#8220;&#8230;referindo-se \u00e0 \u00e1rea  da Terra Meio, que estava bastante encoberta por nuvens&#8221;. <\/p><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Tenho o sonho ut\u00f3pico de ajudar o povo brasileiro&nbsp;a falar e escrever  corretamente e me frustro ao ver que a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 piora. Sei que muitos leem  (saudades do circunflexo!) sua coluna e ocorreu-me sugerir-lhe que escreva  alguma coisa sobre o &#8220;possuir&#8221; e o &#8220;bastante&#8221;. Pelo que observei, seus temas s\u00e3o  mais voltados para as constru\u00e7\u00f5es gramaticais, mas acho que talvez seja oportuno  chamar a aten\u00e7\u00e3o para essas manias. Outra assustadora \u00e9 o &#8220;acontecer&#8221;. Reuni\u00f5es,  casamentos e festas agora acontecem, como se fosse pouca a prepara\u00e7\u00e3o para  elas.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Continue lutando para realizar o meu sonho, que tamb\u00e9m deve ser o  seu.<\/div>\n<div>Muito obrigada,<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Dora Sobreira Lopes<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Moro grande parte do tempo no exterior e volto regularmente ao Brasil. (Sou casada com&nbsp; diplomata). Em geral, h\u00e1 a cada retorno um ou mais modismos usados por grande parte da popula\u00e7\u00e3o e da imprensa escrita e falada. S\u00e3o, na maior parte das vezes, tentativas de falar certo e bonito, que empregam palavras ou constru\u00e7\u00f5es gramaticais de forma errada no contexto. 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