{"id":4424,"date":"2010-01-10T00:00:00","date_gmt":"2010-01-10T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/manhas_e_artimanhas_do_infinitivo\/"},"modified":"2010-01-10T00:00:00","modified_gmt":"2010-01-10T02:00:00","slug":"manhas_e_artimanhas_do_infinitivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/manhas_e_artimanhas_do_infinitivo\/","title":{"rendered":"Manhas e artimanhas do infinitivo"},"content":{"rendered":"<p>  <BR>&nbsp; <BR> <BR>O portugu\u00eas \u00e9 uma l\u00edngua dif\u00edcil? \u00c9. Todas as l\u00ednguas de cultura s\u00e3o dif\u00edceis. O portugu\u00eas n\u00e3o foge \u00e0 regra. Como ingl\u00eas, franc\u00eas, espanhol, \u00e1rabe ou russo, o idioma nosso de todos os dias exige que lhe estudemos as manhas da fon\u00e9tica, morfologia e sintaxe. No mar de regras e exce\u00e7\u00f5es, um assunto ganha relevo. Trata-se do infinitivo flexionado. N\u00e3o h\u00e1 quem n\u00e3o trema nas bases na hora de empreg\u00e1-lo.  <BR> &nbsp; Aquiles Mois\u00e9s dos Santos, de BH, \u00e9 um dos quase 200 milh\u00f5es de brasileiros que estremecem s\u00f3 de pensar no assunto. Outro dia, ele encaminhou&nbsp;esta d\u00favida: &#8220;Deixai vir a mim os pequeninos ou deixai virem a mim os pequeninos. Ambas as frases s\u00e3o corretas. Em `Deixai-os vir a mim\u00b4, pode o infinitivo ser flexionado \u2014 Deixai-os virem a mim?&#8221; <BR>&nbsp; <BR> <STRONG>Sem igual<\/STRONG>  <BR> &nbsp; S\u00f3 o portugu\u00eas tem dois infinitivos \u2014 o impessoal e o pessoal. O impessoal \u00e9 o nome do verbo (amar, ver, ir). Usa-se em locu\u00e7\u00f5es verbais (vou amar, pode ver, devem ir). No caso, s\u00f3 o auxiliar se flexiona. O pessoal tem sujeito. E, claro, deveria concordar com ele em pessoa e n\u00famero (para eu p\u00f4r, tu pores, ele p\u00f4r, n\u00f3s pormos, eles porem).  <BR> &nbsp; Eis o xis da quest\u00e3o. Nem sempre o infinitivo se flexiona. Quando, ent\u00e3o, flexion\u00e1-lo? Os gram\u00e1ticos n\u00e3o se entendem. Dizem que \u00e9 quest\u00e3o de eufonia e clareza. A frase precisa soar bem e ser clara. Rigorosamente, a flex\u00e3o s\u00f3 \u00e9 obrigat\u00f3ria quando o infinitivo tem sujeito pr\u00f3prio, diferente do da ora\u00e7\u00e3o principal. Assim:  <BR> Esta \u00e9 a \u00fanica oportunidade de Jo\u00e3o e Rafael disputarem a medalha. <BR>(O sujeito da primeira ora\u00e7\u00e3o \u00e9 esta; da segunda, Jo\u00e3o e Rafael). Nota 10 para o plural. <BR>&nbsp; <BR> <STRONG>Recado oculto <BR><\/STRONG> &nbsp; Se o sujeito da ora\u00e7\u00e3o principal for o mesmo da subordinada, a flex\u00e3o do infinitivo \u00e9 facultativa. A aus\u00eancia da flex\u00e3o d\u00e1 o recado. Diz que se trata do mesmo sujeito: <BR> &nbsp; Fechamos a janela para n\u00e3o sentir frio. (Quem fechou a janela? N\u00f3s. Quem n\u00e3o sentir\u00e1 frio? N\u00f3s.)  <BR>Telefonaram para marcar consulta. (Quem telefonou? Eles. Quem marcou consulta? Eles.) <BR>&nbsp; <BR> <STRONG>Clareza <BR><\/STRONG> &nbsp; \u00c0s vezes a flex\u00e3o se imp\u00f5e n\u00e3o pela corre\u00e7\u00e3o, mas pela clareza. Observe: <BR> Sa\u00ed mais cedo para irmos ao teatro <BR>Sa\u00ed mais cedo para ires ao teatro. <BR>Sa\u00ed mais cedo para irem ao teatro. <BR> &nbsp; Deu-se conta da manha? Se o infinitivo n\u00e3o estivesse flexionado (para ir ao teatro), a frase estaria correta, mas trairia a verdade. Quem vai ao teatro n\u00e3o sou eu, mas n\u00f3s, tu, eles). Bem-vinda, flex\u00e3o! Bem-vinda, clareza!  <BR>&nbsp; <BR> <STRONG>A d\u00favida de Aquiles  <BR><\/STRONG> &nbsp; Voltemos \u00e0 vaca fria. No exemplo dado por Aquiles \u2014 Deixai-os vir a mim\u00b4, pode o infinitivo ser flexionado \u2014 Deixai-os virem a mim?&#8221; N\u00e3o. Na l\u00edngua como na vida, nem todos s\u00e3o iguais perante as regras. Alguns s\u00e3o mais iguais. \u00c9 o caso de mandar, fazer, deixar, ver e ouvir. Com eles, a flex\u00e3o \u00e9 facultativa. Assim, a gente pode dizer sem medo de errar: Deixai as criancinhas vir (ou virem) a mim. Vi os dois sair (ou sa\u00edrem) da sala. Ouvi os c\u00e3es latir (ou latirem). Fiz os alunos estudar (ou estudarem) mais. Pai mandou os filhos chegar (ou chegarem) mais cedo. <BR>&nbsp; <BR> <STRONG>O caso<\/STRONG> <BR> &nbsp; A exce\u00e7\u00e3o tem limite apertado. Se o sujeito for pronome \u00e1tono, acabou a folga do infinitivo. Ele s\u00f3 pode ficar no singular. \u00c9 o caso do Aquiles: Deixai-as vir a mim. Vi-os deixar a sala mais cedo. Ouviu-as chegar. Mandei-os sair.&nbsp; <BR>&nbsp; <BR>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O portugu\u00eas \u00e9 uma l\u00edngua dif\u00edcil? \u00c9. Todas as l\u00ednguas de cultura s\u00e3o dif\u00edceis. O portugu\u00eas n\u00e3o foge \u00e0 regra. 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