{"id":4455,"date":"2010-06-12T06:00:00","date_gmt":"2010-06-12T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/para_viver_um_grande_amor-3\/"},"modified":"2010-06-12T06:00:00","modified_gmt":"2010-06-12T09:00:00","slug":"para_viver_um_grande_amor-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/para_viver_um_grande_amor-3\/","title":{"rendered":"Para viver um grande amor"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Paulo \u00e9 rom\u00e2ntico incorrig\u00edvel. Apaixona-se a torto e a direito. O objeto do fogo que arde sem se ver varia de apar\u00eancia. Ora ela \u00e9 loura. Ora, morena. \u00c0s vezes magra. Outras vezes, cheiinha. H\u00e1 a de cabelos lisos. Vale, tamb\u00e9m, a de cabelos crespos. Afinal, o vis\u00edvel n\u00e3o \u00e9 o que conta. A m\u00e1gica reside no olhar. Ele olha pra ela. Ela olha pra ele. A\u00ed, acontece. Ou n\u00e3o acontece. Quando o cora\u00e7\u00e3o fala mais que a raz\u00e3o, cessa tudo que a musa antiga canta. Um amor alto se alevanta.  <BR> &nbsp; Ele se derrete em gentilezas. Telefona. Manda flores. Convida para jantares \u00e0 luz de velas. Rodopia em pistas de dan\u00e7a como Marcelo Amorim e Carlinhos de Jesus. Declama poemas de Vinicius, Drummond, Bandeira, Quintana &amp; companhia sedutora. E, claro, escreve cartas. Manda as missivas acompanhadas de rosas, orqu\u00eddeas, chocolates e mimos afins.  <BR> &nbsp; Mas, apesar dos cuidados, as paqueras fracassam. Por qu\u00ea? O gal\u00e3 n\u00e3o tem a resposta. Ter\u00e7a-feira \u00e9 Dia dos Namorados. S\u00f3 de pensar em perder a mais recente conquista, ele treme nas bases. Decide, ent\u00e3o dar um jeito. Consulta gente do ramo. Chama Vinicius, Mill\u00f4r, V\u00eanus, Cupido, Oxum.  <BR> &nbsp; <STRONG>Diagn\u00f3sticos  <BR><\/STRONG> &nbsp; &#8220;N\u00e3o h\u00e1 nada de errado&#8221;, responde Vinicius, cobra que nasceu criada. &#8220;O amor \u00e9 infinito enquanto dura.&#8221; Mill\u00f4r concorda. &#8220;Eterno no amor tem o mesmo sentido que permanente no cabelo&#8221;, ensina. V\u00eanus, a deusa, esquiva-se: &#8220;O respons\u00e1vel \u00e9 Cupido. Brincalh\u00e3o, o garoto fecha os olhos e atira a seta envenenada. Sem alvo. Quem ele acerta? Pouco importa. S\u00f3 o jogo lhe interessa&#8221;.  <BR> &nbsp; Cupido confessa. H\u00e1 uma barreira entre as flechas do amor e as musas de Paulo. Mas, como vive longe, no Olimpo, l\u00e1 no norte da Gr\u00e9cia a tr\u00eas mil metros de altura, n\u00e3o entende os amantes deste pa\u00eds tropical. &#8220;Mas que h\u00e1 uma barreira, h\u00e1&#8221;, diagnostica certeiro.  <BR> &nbsp; &#8220;Concordo com Cupido&#8221;, diz a vaidosa Oxum, cheia de feiti\u00e7os. A deusa da umbanda, conhecedora das manhas do amor desde os tempos em que vivia na \u00c1frica, p\u00f5e o dedo na ferida: &#8220;A barreira \u00e9 o verbo namorar. Ou melhor, a preposi\u00e7\u00e3o que o obrigam a levar pra l\u00e1 e pra c\u00e1. Ao perguntar `quer namorar comigo?\u00b4, Paulo d\u00e1 chance ao azar&#8221;.  <BR> &nbsp; <STRONG>Namorar bem  <BR><\/STRONG> &nbsp; O verbo namorar \u00e9 livre como o vento. Quem namora namora algu\u00e9m: Eu namoro Maria. Maria me namora. Paulo namora Maria. Maria o namora. Paulo quer namorar Joana. Joana tamb\u00e9m quer namor\u00e1-lo.  <BR> &nbsp; Namorar com? Valha-nos, Deus. \u00c9 o passaporte pra separa\u00e7\u00e3o. O com, no caso, tem dois pap\u00e9is. Um: funciona como vela, coisa do s\u00e9culo 18. O outro: atua como companhia. Um casal divide o ambiente com outro casal. Sem intimidade, o amor fenece como planta sem \u00e1gua.  <BR> &nbsp; <STRONG>Juntos para sempre  <BR><\/STRONG> &nbsp; Paulo entende a li\u00e7\u00e3o. Sorri. Imagina o di\u00e1logo com a amada. Com voz rouca e sedutora, dir\u00e1:  <BR>\u2014 Eu gosto de voc\u00ea. Voc\u00ea gosta de mim. Que tal me namorar? O que eu mais quero \u00e9 namorar voc\u00ea.  <BR> &nbsp; Ela n\u00e3o deixar\u00e1 por menos:  <BR> &nbsp; \u2014 Namorei Lu\u00eds por duas semanas. Acabamos ontem. Se eu namorar voc\u00ea agora, vou misturar perfumes. N\u00e3o seria bom dar um intervalo?  <BR> &nbsp; \u2014 Qual o qu\u00ea! O amor tem pressa. Por que faz\u00ea-lo esperar? Toda hora \u00e9 hora de viver um grande amor.  <BR> &nbsp; <STRONG>Amar \u00e9\u2026  <BR><\/STRONG> &nbsp; Paulo foi al\u00e9m. Desvendou um senhor mist\u00e9rio do vocabul\u00e1rio amoroso. Os verbos que fazem o encanto dos amantes t\u00eam uma marca. Como namorar, s\u00e3o transitivos diretos. Usam-se sem preposi\u00e7\u00e3o. Desde ent\u00e3o, Paulo paquera Maria. Maria o paquera. Paulo abra\u00e7a Maria. Maria o abra\u00e7a. Paulo beija Maria. Maria o beija. Viva! O amor \u00e9 lindo.  <BR>. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Paulo \u00e9 rom\u00e2ntico incorrig\u00edvel. Apaixona-se a torto e a direito. O objeto do fogo que arde sem se ver varia de apar\u00eancia. Ora ela \u00e9 loura. Ora, morena. \u00c0s vezes magra. Outras vezes, cheiinha. H\u00e1 a de cabelos lisos. Vale, tamb\u00e9m, a de cabelos crespos. Afinal, o vis\u00edvel n\u00e3o \u00e9 o que conta. A m\u00e1gica reside no olhar. Ele olha pra ela. 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