{"id":4499,"date":"2010-10-12T11:00:00","date_gmt":"2010-10-12T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_parto_da_montanha_chilena\/"},"modified":"2010-10-12T11:00:00","modified_gmt":"2010-10-12T14:00:00","slug":"o_parto_da_montanha_chilena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_parto_da_montanha_chilena\/","title":{"rendered":"O parto da montanha chilena"},"content":{"rendered":"<p> <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-dad\/e20d8e87935326151d180cb5e5ce4c4d.jpg\"> <\/p>\n<p>Virgem Maria! Trinta e tr\u00eas homens ficaram presos  dentro de uma mina funda como o centro da Terra. N\u00e3o foi um dia ou dois. Foram  mais de dois meses. Agora, eles voltam \u00e0 superf\u00edcie. A imprensa do mundo inteiro  est\u00e1 l\u00e1. Copiap\u00f3, no norte do Chile, virou cen\u00e1rio de um grande feito de  engenharia. Que nome dar \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de resgate? Pensa daqui, palpita dali,  eureca! Jornais, r\u00e1dios e tev\u00eas passaram a cham\u00e1-la&nbsp;de o parto da montanha.    <\/p>\n<p>Os antenados lembraram-se hist\u00f3ria&nbsp;pra l\u00e1 de repetida. Conhece? Nos tempos em que  as montanhas tinham filhos, uma ficou gr\u00e1vida. Come\u00e7ou, ent\u00e3o, a fazer barulho.  O barulho cresceu, cresceu, cresceu e\u2026 virou um barulh\u00e3o. Adultos e crian\u00e7as  levaram um baita susto. Mas ficaram curiosos. Imaginaram que o garot\u00e3o de dona  montanha seria um gigante t\u00e3o grande, t\u00e3o grande, mas t\u00e3o grande que n\u00e3o caberia  no mundo.    <\/p>\n<p>A espera continuou. Ops! A futura m\u00e3e se mexeu.  Mexeu-se mais. E mais. E mais. Os garotos tremeram. Abriram a boca e fecharam os  olhos. Que med\u00e3o! De repente, buuuuuuuuuuuuuuuuuum! Viva! Dona montanha deu \u00e0  luz. A garotada abriu os olhos devagar. N\u00e3o acreditou no que viu. O filho era um  ratinho. &nbsp; <strong>Nada a ver<\/strong>   <\/p>\n<p>Fazer muito barulho por nada n\u00e3o \u00e9 coisa s\u00f3 da dona  montanha. Muita gente faz a mesma coisa. (A campanha eleitoral serve de prova.)  N\u00e3o \u00e9 o caso, por\u00e9m, do resgate hist\u00f3rico. A montanha, no caso, n\u00e3o vai parir  ratos. Vai parir her\u00f3is. S\u00e3o homens que venceram o medo, o desconforto, a  saudade, o des\u00e2nimo. Em suma: alargaram os pr\u00f3prios limites. Deram exemplo de  supera\u00e7\u00e3o.  <strong><\/strong>&nbsp; <strong>Por falar em resgate\u2026<\/strong>   <\/p>\n<p>Os mineiros est\u00e3o a 700 metros de profundidade.  O notici\u00e1rio dos \u00faltimos dias deu os pormenores do resgate. Usou e abusou da  medida de comprimento. Vale, por isso, dar uma espiadinha na abreviatura da  ilustre senhora &amp; familiares. Ela \u00e9 sem-sem \u2014 sem ponto e sem plural: <i>700  m, 65,4 cm, 13,4 km.<\/i> &nbsp; <strong>Olho vivo<\/strong>   <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 novidade. Mas n\u00e3o custa repetir: a  concord\u00e2ncia \u00e9 calo no p\u00e9. Ao menor descuido, l\u00e1 vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaamos  n\u00f3s. Embarcamos em canoas furadas. Resultado: perdemos pontos e prest\u00edgio.  Melhor manter os olhos bem abertos. Se for inferior a 2, a medida ficar\u00e1 no  singular. A partir de 2, o plural pede passagem: <i>1,4 metro, 0,75 quil\u00f4metro,  0,8 dec\u00edmetro, 2,3 metros.<\/i> &nbsp; <strong>Sem confus\u00e3o<\/strong>   <\/p>\n<p>Como diz o outro, uma coisa \u00e9 uma coisa, outra coisa  \u00e9 outra coisa. A observa\u00e7\u00e3o vale para abreviaturas. N\u00e3o embaralhe os miolos.  Metro pertence ao sistema decimal. S\u00f3 exibe a abreviatura no fim (11 m,  12 cm, 1,35 km). Hora joga em outro time. A abreviatura vem depois de  cada unidade. Assim: <i>2h, 2h30, 2h30min40<\/i>. &nbsp;  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Virgem Maria! Trinta e tr\u00eas homens ficaram presos dentro de uma mina funda como o centro da Terra. N\u00e3o foi um dia ou dois. Foram mais de dois meses. Agora, eles voltam \u00e0 superf\u00edcie. A imprensa do mundo inteiro est\u00e1 l\u00e1. Copiap\u00f3, no norte do Chile, virou cen\u00e1rio de um grande feito de engenharia. Que nome dar \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de resgate? 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