{"id":4585,"date":"2010-01-21T00:00:00","date_gmt":"2010-01-21T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_lingua_como_direito_humano\/"},"modified":"2010-01-21T00:00:00","modified_gmt":"2010-01-21T02:00:00","slug":"a_lingua_como_direito_humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_lingua_como_direito_humano\/","title":{"rendered":"A l\u00edngua como direito humano"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem<\/p>\n<div>\n<p>DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi@@correioweb.com.br   <\/p>\n<p>Deu na tev\u00ea. Uma haitiana gesticula desesperada. N\u00e3o chora. Talvez tenha  gastado as l\u00e1grimas. Ou o corpo, desidratado, n\u00e3o pudesse desperdi\u00e7ar uma gota  de l\u00edquido sequer. O soldado tenta entend\u00ea-la. N\u00e3o consegue. Ela n\u00e3o fala  franc\u00eas, l\u00edngua oficial do pa\u00eds. Fala dialeto pr\u00f3prio, incomunic\u00e1vel.  Compadecido, o homem se esfor\u00e7a pra interpretar o c\u00f3digo estranho. Infere que  ela quer lhe dizer onde est\u00e3o corpos soterrados. Provavelmente m\u00e3e, marido,  filhos dela.   <\/p>\n<p>A cena, tivesse ocorrido antes da divulga\u00e7\u00e3o do pol\u00eamico decreto brasileiro  sobre direitos humanos, inspiraria a inclus\u00e3o de outro assunto. Trata-se da  l\u00edngua. Ela figuraria ao lado da salvaguarda \u00e0 vida, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 seguran\u00e7a, ao  trabalho. A raz\u00e3o \u00e9 simples. Se considerarmos direito humano a garantia de vida  digna independentemente de ra\u00e7a, sexo, idade ou religi\u00e3o, a l\u00edngua n\u00e3o pode  ficar de fora. \u00c9 com ela que pensamos. \u00c9 com ela que nos tornamos seres sociais  sofisticados \u2014 conquistamos amigos, educamos os filhos, conversamos com Deus.     <\/p>\n<p>Povos e governantes lhe conhecem o poder. Os \u00e1rabes s\u00f3 s\u00e3o \u00e1rabes porque  falam \u00e1rabe. S\u00e3o 23 pa\u00edses cuja \u00fanica identidade \u00e9 o idioma. O general\u00edssimo  Franco, pra pisar o orgulho catal\u00e3o, proibiu-os de falar catal\u00e3o. As escolas  tamb\u00e9m apagaram o idioma dos curr\u00edculos. Morto o ditador, o enterrado voltou \u00e0  luz. Hoje convive com o espanhol. Os judeus, quando criaram o Estado de Israel,  precisaram de uma l\u00edngua nacional. Ressuscitaram o hebraico. Nome de ruas,  placas, card\u00e1pios, livros, revistas, jornais s\u00e3o escritos como nos tempos idos e  vividos.   <\/p>\n<p>A Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos completou 60 anos. Entre os 30  mandamentos, est\u00e1 a manifesta\u00e7\u00e3o livre do pensamento. Como chegar l\u00e1 sem o  dom\u00ednio da l\u00edngua? Como pensar sem palavras? Como expressar-se sem elas?  Conclus\u00e3o: se o homem \u00e9 animal racional, a l\u00edngua faz a diferen\u00e7a. Se o homem \u00e9  animal social, a l\u00edngua antecede os demais direitos. <a name=\"Save1\"><\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi@@correioweb.com.br Deu na tev\u00ea. Uma haitiana gesticula desesperada. N\u00e3o chora. Talvez tenha gastado as l\u00e1grimas. Ou o corpo, desidratado, n\u00e3o pudesse desperdi\u00e7ar uma gota de l\u00edquido sequer. O soldado tenta entend\u00ea-la. N\u00e3o consegue. Ela n\u00e3o fala franc\u00eas, l\u00edngua oficial do pa\u00eds. Fala dialeto pr\u00f3prio, incomunic\u00e1vel. Compadecido, o homem se esfor\u00e7a pra interpretar o c\u00f3digo estranho. 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