{"id":4597,"date":"2010-10-20T12:00:00","date_gmt":"2010-10-20T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_lingua_apanhou_como_escravo_no_tronco\/"},"modified":"2010-10-20T12:00:00","modified_gmt":"2010-10-20T14:00:00","slug":"a_lingua_apanhou_como_escravo_no_tronco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_lingua_apanhou_como_escravo_no_tronco\/","title":{"rendered":"A l\u00edngua apanhou como escravo no tronco"},"content":{"rendered":"<p><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <\/p>\n<p><\/b>  <\/p>\n<p>Assistir a debates? Alguns consideram perda de tempo.  Outros, hora de conhecer melhor os candidatos. H\u00e1 quem os julgue humor\u00edsticos e,  portanto, oportunidade de rir. N\u00e3o faltam os que, l\u00e1pis e papel na m\u00e3o, aguardam  os trope\u00e7os de um ou de outro para exp\u00f4-los na internet. Muitos, por\u00e9m,  postam-se diante da tev\u00ea a fim de aprender. Estudam gestos, postura, express\u00e3o  facial e, claro,&nbsp;o portugu\u00eas nosso de  todos os dias.  <\/p>\n<p>O embate de domingo n\u00e3o fugiu \u00e0 regra. De um lado, Jos\u00e9  Serra. De outro, Dilma Rousseff. Frente a frente, eles responderam a perguntas e  provoca\u00e7\u00f5es. \u00c0s vezes parecia di\u00e1logo de surdos. Um indagava sobre determinado  assunto. O outro, como se n\u00e3o tivesse ouvido, respondia tema totalmente  diferente. E, assim, deu-se corpo e voz \u00e0 frase de M\u00e1rio Quintana: &#8220;A gente  pensa dizer uma coisa, diz outra, o ouvinte entende outra, e a coisa  propriamente dita desconfia que n\u00e3o foi dita&#8221;.  <\/p>\n<p>No mar de incoer\u00eancia, um fato chamou a aten\u00e7\u00e3o. Quando os  candidatos ficavam nervosos, deixavam a censura pra l\u00e1. Resultado: a l\u00edngua,  coitada, que n\u00e3o tinha nada com a disputa, apanhava como escravo no tronco. A  seguir, um aperitivo. Bom proveito.<b> &nbsp; Inimigo \u00e0 vista<\/b>  <\/p>\n<p>Os mais ferozes inimigos dos louquinhos pelo Planalto? S\u00e3o  as legendas. N\u00e3o raro ele e ela pronunciam direitinho palavras e frases. Mas o  texto escrito na telinha os desmoraliza. &#8220;Vou instalar prontos socorros de Norte  a Sul e de Leste a Oeste&#8221;, prometeu Dilma. Ops! Antes de virarem a\u00e7\u00e3o, as  palavras pedem respeito. <i>Pronto-socorro<\/i> se escreve assim, com h\u00edfen. Na  indica\u00e7\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o, <i>norte, sul<\/i>, <i>leste <\/i>e <i>oeste<\/i> s\u00e3o  senhores vira-latas. Min\u00fascula neles.<b> &nbsp; X\u00f4, confus\u00e3o!<\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;O PT adotou bastante coisas do governo passado&#8221;, jurou  Serra de p\u00e9s juntos. Opa! O homem confundiu&nbsp;Germano com g\u00eanero humano. Quando se refere a  substantivo, <i>bastante<\/i> se flexiona como qualquer adjetivo (bastantes  filhos, bastantes trabalhos, bastantes coisas). Na d\u00favida, basta substituir  <i>bastante<\/i> por <i>muito<\/i>. Se o diss\u00edlabo for para o plural, o triss\u00edlabo  vai atr\u00e1s: <i>O PT adotou muitas (bastantes) coisas do governo  anterior.<\/i><b> &nbsp; Respeito, por favor<\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;Quero honrar as milh\u00f5es de mulheres brasileiras&#8221;, prometeu  Dilma. Dif\u00edcil de acreditar, n\u00e3o? A m\u00e3e do PAC trocou os g\u00eaneros. <i>Milh\u00e3o<\/i>  \u00e9 masculino desde criancinha. E, apesar da confus\u00e3o dos sexos, ele se mant\u00e9m  macho sim, senhor. Que tal&nbsp;lhe considerar a  prefer\u00eancia? Melhor: <i>Quero honrar os milh\u00f5es de mulheres  brasileiras<\/i>.<b> &nbsp; A alternativa<\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;O povo tem de escolher entre eu e a Dilma&#8221;, afirmou o  tucano, pra l\u00e1 de solene. Esqueceu-se de li\u00e7\u00e3o antiga como o pecado de Ad\u00e3o e  Eva. Nos tempos em que professor ensinava e aluno aprendia, o mestre repetia sem  cansar: &#8220;O eu funciona como sujeito. O mim, complemento&#8221;. \u00c9 o caso \u2014 O povo tem  de escolher entre mim e a Dilma. Conclus\u00e3o? Ou Serra faltou \u00e0 aula. Ou foi mau  aluno. Voc\u00ea escolhe.<b> &nbsp; Cego no tiroteio<\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;O paciente chega numa unidade de sa\u00fade e n\u00e3o recebe  aten\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Dilma como se n\u00e3o tivesse  nada com isso. Chegar em? Pobre criatura. N\u00e3o chegar\u00e1 a nenhum lugar. Quem quer  chegar, chega <b>a<\/b>: <i>O paciente chega <b>a<\/b> uma unidade de sa\u00fade e n\u00e3o  recebe aten\u00e7\u00e3o.<\/i><b> &nbsp; Ego\u00edsmo <\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;A seguran\u00e7a de S\u00e3o Paulo \u00e9 uma das que mais aven\u00e7ou no  Brasil&#8221;, gabou-se o Z\u00e9. Avan\u00e7ou ou avan\u00e7aram? Depende. No singular, Serra diz  que s\u00f3 a seguran\u00e7a paulista avan\u00e7ou. No  plural, que outras tamb\u00e9m foram pra frente. E da\u00ed?  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assistir a debates? Alguns consideram perda de tempo. Outros, hora de conhecer melhor os candidatos. H\u00e1 quem os julgue humor\u00edsticos e, portanto, oportunidade de rir. N\u00e3o faltam os que, l\u00e1pis e papel na m\u00e3o, aguardam os trope\u00e7os de um ou de outro para exp\u00f4-los na internet. Muitos, por\u00e9m, postam-se diante da tev\u00ea a fim de aprender. 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