{"id":4644,"date":"2010-10-24T00:00:00","date_gmt":"2010-10-24T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/de_concursos_concurseiros_e_redacoes\/"},"modified":"2010-10-24T00:00:00","modified_gmt":"2010-10-24T02:00:00","slug":"de_concursos_concurseiros_e_redacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/de_concursos_concurseiros_e_redacoes\/","title":{"rendered":"De concursos, concurseiros e reda\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p> <BR>&nbsp; O que 99% dos brasileiros mais querem? Passar em concurso p\u00fablico. N\u00e3o em qualquer um. Mas no concurso. Al\u00e9m do sal\u00e1rio alto, o cargo garante estabilidade, hor\u00e1rio definido e aposentadoria integral. Tantas vantagens cobram pre\u00e7o alto. O candidato n\u00e3o s\u00f3 tem de se sair bem. Tem de se sair melhor que os outros. \u00c9 a\u00ed que mora o desafio. <BR> &nbsp; Como chegar l\u00e1? A receita se resume a tr\u00eas verbos. Um: estudar, estudar e estudar. Quantas horas? N\u00e3o menos de 10h por dia. O outro: renunciar, renunciar, renunciar. Abrir m\u00e3o do chopinho, das viagens de f\u00e9rias, das navega\u00e7\u00f5es vadias na internet, das novelas e Faust\u00e3os da vida. O \u00faltimo: persistir, persistir, persistir. Poucos t\u00eam a sorte de passar na primeira, na segunda ou na terceira tentativa. Mas, mantido o ritmo de trabalho, a experi\u00eancia falar\u00e1 alto. Viva! <BR>&nbsp; <BR> <STRONG><\/STRONG>&nbsp; <STRONG>\u00c9 profiss\u00e3o<\/STRONG> <BR> &nbsp; Fazer concurso exige anos de preparo. Tornou-se, por isso, profiss\u00e3o. A l\u00edngua, que n\u00e3o dorme em servi\u00e7o, criou a palavra concurseiro. No Aur\u00e9lio 2000, o poliss\u00edlabo era ilustre desconhecido. No de 2010, aparece glorioso. Recorre ao sufixo -eiro, que figura em ferreiro, pedreiro, marceneiro. Reparou? As quatro letrinhas indicam profiss\u00e3o. <BR>&nbsp; <BR> &nbsp; <STRONG>A prova de fogo<\/STRONG> <BR> &nbsp; Em disputas concorridas, a maior parte dos concorrentes est\u00e1 pra l\u00e1 de preparada nas mat\u00e9rias gerais. \u00c9 a reda\u00e7\u00e3o que faz a diferen\u00e7a. Os examinadores, por isso, leem o texto com lupa. O desafio: selecionar os melhores.  <BR>A 1\u00aa leitura foca o tema. O candidato precisa obedecer tim-tim por tim-tim \u00e0 ordem dada. Se bobear, cai fora. N\u00e3o h\u00e1 piedade \u2014 mesmo que ele tenha escrito uma reda\u00e7\u00e3o primorosa, sem erro de qualquer natureza. Ultrapassado o 1\u00ba crivo, entram os demais \u2014 ortografia, morfologia, sintaxe, estilo.&nbsp; <BR>&nbsp; <BR> <STRONG><\/STRONG>&nbsp; <STRONG>70% de reprova\u00e7\u00e3o<\/STRONG> <BR> &nbsp; No concurso do Minist\u00e9rio P\u00fablico da Uni\u00e3o, a reda\u00e7\u00e3o reprovou 70% das 756 mil pessoas. \u00c9 muito? \u00c9. A mo\u00e7ada esperneou. O que houve? A resposta: fuga ao tema. Em bom portugu\u00eas: a prova pediu alhos, o candidato deu bugalhos. A bobeira tem explica\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, nervosismo. Outras, ignor\u00e2ncia. N\u00e3o raro, esperteza. <BR> &nbsp; Vale exemplo de um tema proposto: &#8220;A import\u00e2ncia do planejamento estrat\u00e9gico, t\u00e1tico e operacional para o sucesso da Copa do Mundo de 2014&#8221;. N\u00e3o h\u00e1 como escapar. O texto, de 30 linhas, poderia ter cinco par\u00e1grafos de mais ou menos seis linhas cada um. Todos amarrados na ideia central \u2014 o planejamento da Copa de 2014. A introdu\u00e7\u00e3o (1\u00ba\u00a7), o desenvolvimento (2\u00ba, 3\u00ba e 4\u00ba\u00a7), a conclus\u00e3o (5\u00ba\u00a7).&nbsp; <BR>&nbsp; <BR> <STRONG><\/STRONG>&nbsp; <STRONG>Diga-diga-diga <BR><\/STRONG> &nbsp; Ao escrever uma reda\u00e7\u00e3o, pense nos tr\u00eas digas. Na introdu\u00e7\u00e3o, diga o que voc\u00ea vai dizer. No desenvolvimento, diga que voc\u00ea disse que vai dizer. Na conclus\u00e3o, diga o que voc\u00ea disse. Arist\u00f3teles definiu assim as tr\u00eas partes. &#8220;A introdu\u00e7\u00e3o&#8221;, disse ele, \u00e9 &#8220;o que n\u00e3o pede nada antes, mas exige algo depois. O desenvolvimento \u00e9 o algo depois exigido pela introdu\u00e7\u00e3o. A conclus\u00e3o exige algo antes, mas n\u00e3o pede nada depois.&#8221;&nbsp; <BR>&nbsp; <BR> <STRONG>Vaca fria <BR><\/STRONG> &nbsp; O tema da prova est\u00e1 amarrado. N\u00e3o permite devaneios. Ao candidato s\u00f3 resta segui-lo. No 1\u00ba par\u00e1grafo, apresentar o assunto. No 2\u00ba, falar do planejamento estrat\u00e9gico. No 3\u00ba, do t\u00e1tico. No 4\u00ba, do operacional. No \u00faltimo, concluir o papo. <BR> &nbsp; <BR><STRONG>E da\u00ed? <BR><\/STRONG> &nbsp; Voc\u00ea fez o concurso? Avalie sua reda\u00e7\u00e3o. Ela seguiu tim-tim por tim-tim o tema proposto? O texto tem come\u00e7o, meio e fim? As ideias est\u00e3o claras? O portugu\u00eas correto? Parab\u00e9ns. Ops! Com tudo isso, voc\u00ea engrossou a fila dos eliminados? Recorra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O que 99% dos brasileiros mais querem? Passar em concurso p\u00fablico. N\u00e3o em qualquer um. Mas no concurso. Al\u00e9m do sal\u00e1rio alto, o cargo garante estabilidade, hor\u00e1rio definido e aposentadoria integral. Tantas vantagens cobram pre\u00e7o alto. O candidato n\u00e3o s\u00f3 tem de se sair bem. Tem de se sair melhor que os outros. \u00c9 a\u00ed que mora o desafio. &nbsp; Como chegar l\u00e1? 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