{"id":4662,"date":"2010-10-26T12:00:00","date_gmt":"2010-10-26T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/eu_sou_mais_eu-2\/"},"modified":"2010-10-26T12:00:00","modified_gmt":"2010-10-26T14:00:00","slug":"eu_sou_mais_eu-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/eu_sou_mais_eu-2\/","title":{"rendered":"Eu sou mais eu"},"content":{"rendered":"<p> <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-dad\/643d37e5b52207a85c494964b662ae44.jpg\"> <\/p>\n<p>De ego nasceu o eu. E deu origem a conhecida prole. Ego\u00edsta  \u00e9 um de seus membros. Egoc\u00eantrico, outro. Eg\u00f3latra, mais um. Todos t\u00eam um ponto  comum: o olhar posto no pr\u00f3prio umbigo. Ou na ponta do nariz. Adorar a si mesmo  n\u00e3o \u00e9 coisa nova. A mitologia grega tem at\u00e9 um deus pra representar a egolatria.  \u00c9 Narciso. Belo entre os belos, ele esnobava cora\u00e7\u00f5es. N\u00e3o estava nem a\u00ed pras  ninfas suspirosas.    <\/p>\n<p>Mais tarde, os contos de fadas exploraram o mito. Um deles \u00e9 a <i>Branca de  Neve e os sete an\u00f5es<\/i>. O cinema tamb\u00e9m se nutre do fil\u00e3o. Lembra-se de <i>Uma  bela mulher?<\/i> Artistas s\u00e3o eg\u00f3latras por natureza. Pol\u00edticos idem. O que  fazem Dilma, Serra &amp; cia. na telinha? Elogiam-se. Exibem obras. Acumulam  promessas pra ingl\u00eas ver. Em suma, abusam do eu. O debate da Record&nbsp;confirmou a regra.&nbsp;N\u00e3o vairou nem no discurso. Os candidatos&nbsp;surraram o portugu\u00eas sem  piedade.<b> &nbsp;   <\/p>\n<p>\u00c0 flor da pele<\/b>   <\/p>\n<p>Dilma e Serra estavam t\u00e3o porcos-espinhos que trope\u00e7avam na  pr\u00f3pria l\u00edngua. Ambos bateram na reg\u00eancia do pobre verbo chegar. (Ali\u00e1s, ele  virou fregu\u00eas.) A rodovia dela &#8220;chega em dois rios&#8221;. A dele &#8220;passou por v\u00e1rios  governos e chegou no governo Lula&#8221;. Mentira. Sem a preposi\u00e7\u00e3o <b>a<\/b>, a  estrada n\u00e3o chega a&nbsp;nenhum lugar. O que  fazer? Mudar os rumos: a rodovia dela deve chegar <b>a<\/b> dois rios. A dele,  <b>ao<\/b> governo Lula.<b> &nbsp;   <\/p>\n<p>Fidelidade sovina<\/b>   <\/p>\n<p>Ela n\u00e3o trai a origem. Mineira fantasiada de ga\u00facha, Dilma  mostrou que o sangue das Gerais lhe corre nas veias. Foi nesta frase: &#8220;A  popula\u00e7\u00e3o queixa da gest\u00e3o da sa\u00fade&#8221;, disse e repetiu. Queixar? \u00c9 bater com o  queixo. Ela quis dizer queixar-se. Mas, econ\u00f4mica, poupou o pronome se.     <\/p>\n<p>Seguiu o conselho do velho pai que, quando o garot\u00e3o sai  pela primeira vez \u00e0 noite, aconselha-o: &#8220;Meu filho, n\u00e3o saia. Se sair, n\u00e3o  gaste. Se gastar, n\u00e3o pague. Se pagar, pague s\u00f3 a sua&#8221;. Ela foi al\u00e9m. N\u00e3o  pagou.<b> &nbsp;   <\/p>\n<p>De famas e camas<\/b>   <\/p>\n<p>FHC tem fama de p\u00e3o-duro. Dizem que n\u00e3o come ovo pra n\u00e3o  jogar a casca fora. N\u00e3o d\u00e1 adeus pra n\u00e3o abrir a m\u00e3o. Se convida um amigo para  um cafezinho,&nbsp;divide a conta. Serra  aprendeu a li\u00e7\u00e3o. &#8220;Ele sequer foi chamado para depor&#8221;, desculpou Pedro Preto.  Poupou a primeira negativa. <i>Sequer<\/i> refor\u00e7a a negativa.&nbsp;Cad\u00ea? Ficou no bolso. Que tal tir\u00e1-la? Assim:  <i>Ele <strong>nem<\/strong> <strong>sequer<\/strong> foi chamado para depor. Ele  <strong>n\u00e3o<\/strong> sabia, <strong>sequer<\/strong>, o apelido do auxiliar.  <strong>N\u00e3o<\/strong> comprei <strong>sequer<\/strong> um  refrigerante.<\/i><b> &nbsp;   <\/p>\n<p>Ma\u00e7\u00e3s iguais<\/b>   <\/p>\n<p>Pol\u00edtico tem v\u00edcios e v\u00edcios. Um, t\u00e3o antigo quanto o  rascunho da <i>B\u00edblia<\/i>, \u00e9 falar dif\u00edcil. Se pode complicar, pra que  facilitar? Dilma e Serra n\u00e3o deixam por menos. Em vez de <i>perguntar<\/i>, ela  &#8220;quer fazer uma formula\u00e7\u00e3o&#8221;. Em lugar de <i>planejadas<\/i>, as obras dele &#8220;est\u00e3o  colocadas h\u00e1 muito tempo&#8221;. Cruz-credo! Valha-nos, Deus! &#8220;Quem n\u00e3o simplifica se  trumbica&#8221;, ensina Paulo Jos\u00e9 Cunha aos alunos da UnB.<b> &nbsp;<\/b>  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De ego nasceu o eu. E deu origem a conhecida prole. Ego\u00edsta \u00e9 um de seus membros. Egoc\u00eantrico, outro. Eg\u00f3latra, mais um. Todos t\u00eam um ponto comum: o olhar posto no pr\u00f3prio umbigo. Ou na ponta do nariz. Adorar a si mesmo n\u00e3o \u00e9 coisa nova. A mitologia grega tem at\u00e9 um deus pra representar a egolatria. \u00c9 Narciso. 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