{"id":4710,"date":"2009-08-31T17:00:00","date_gmt":"2009-08-31T20:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/amiga_essencial\/"},"modified":"2009-08-31T17:00:00","modified_gmt":"2009-08-31T20:00:00","slug":"amiga_essencial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/amiga_essencial\/","title":{"rendered":"Amiga essencial"},"content":{"rendered":"\n<p>Ter amigos \u00e9 privil\u00e9gio. Ter amigos essenciais \u00e9 privil\u00e9gio em dobro. Sou privilegiada ao quadrado. Tenho amigos essenciais. S\u00e3o aqueles que a gente pode passar anos sem ver. Quando os encontra, come\u00e7a a conversa com &#8220;como estava dizendo&#8230;&#8221;  <\/p>\n<p>Sempre quis homenagear meus amigos essenciais. Como? Descobri a forma por acaso. Eles merecer\u00e3o a dedicat\u00f3ria dos livros que escrevo. Therezamaria e Cam\u00e9lia foram as primeiras. A elas dedico o Reda\u00e7\u00e3o para vestibulares e concursos &#8212; passo a passo. A Cam\u00e9lia me escreveu carta comovente. Divido-a com voc\u00eas.  <\/p>\n<p>Cara Dad (amiguirm\u00e3) &nbsp;  A homenagem estampada em livro \u00e9 para mim significativa. Remete-me a tempos imemoriais. S\u00e3o mais de 40 anos de s\u00f3lida e afetiva conviv\u00eancia. Lembro-me bem da primeira vez que Maria L\u00facia e eu vimos Dad, a \u00e1rabe puro sangue. Naquela \u00e9poca, Bras\u00edlia era in\u00f3spita e estranha para todos n\u00f3s. T\u00e3o estranha que nem passarinho nela havia e, imagina, senador e deputado eram figuras de alta respeitabilidade.&nbsp;Tivemos de imediato, na mesma origem e nos mesmos h\u00e1bitos milenares, a identidade natural. &nbsp; Ao longo do tempo pontilhamos nossas vidas de hist\u00f3rias em comum: o Col\u00e9gio Ros\u00e1rio, a UnB, os almo\u00e7os de s\u00e1bado na casa do Lago Norte, os lanches&nbsp; na &nbsp;308 Sul e tantas&nbsp; datas comemoradas juntas. Muitos domingos&nbsp; eram&nbsp;&nbsp; in torno de&nbsp; la tavol<b>a<\/b><b> <\/b>para o quase habitual ch\u00e1 das cinco. Ah, havia tamb\u00e9m as del\u00edcias \u00e1rabes &#8211; quem delas experimentou jamais esquece o&nbsp; insuper\u00e1vel arroz com lentilhas preparado por voc\u00ea.  &nbsp; Tudo flu\u00eda. Tudo. Os la\u00e7os estreitaram-se. Ampliaram-se nas fam\u00edlias, ambas numerosas. Novos amigos vieram. Muitos ficaram pelo caminho j\u00e1 nem t\u00e3o amigos assim. Outros permaneceram, como Therezamaria, a morena sestrosa da 202 Sul e o surpreendente Toninho que virou Tony, depois Dodo e agora Dodinho.&nbsp;Vi o Marcelo crescer, casar, ser pai. Vi voc\u00ea av\u00f3 de dois netos lindos. Vc viu a Nina nascer, depois o Rique. Sempre presente. Presen\u00e7a certa , garantida. No riso e nas l\u00e1grimas. &nbsp; Hoje, Bras\u00edlia n\u00e3o \u00e9 mais estranha&nbsp;e pol\u00edtico virou&#8230; nem \u00e9 preciso dizer o qu\u00ea.&nbsp;Da minha janela v\u00ea-se bandos de periquitinhos em revoada. O tempo fez de mim&nbsp; amiga bissexta, mas que diferen\u00e7a isso faz se agora, na maturidade, o que realmente importa \u00e9 o definitivo? &nbsp;  Dad , cidad\u00e3 do mundo, Rui Castro na Folha de hoje, 25, cita frase de Millor Fernandes, segundo quem \u201ca vida \u00e9 perto\u201d. Talvez seja oportuno acrescentar que o longe tamb\u00e9m estimula o perto se acompanhado de intensas lembran\u00e7as. Volto amanh\u00e3. Espero rev\u00ea-la, em breve.&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   <\/p>\n<p> Com carinho, Cam\u00e9lia &nbsp;  <\/p>\n<p>(da crua e fascinante S\u00e3o Paulo &#8212; cidade em permanente catarse coletiva).   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ter amigos \u00e9 privil\u00e9gio. Ter amigos essenciais \u00e9 privil\u00e9gio em dobro. Sou privilegiada ao quadrado. Tenho amigos essenciais. S\u00e3o aqueles que a gente pode passar anos sem ver. Quando os encontra, come\u00e7a a conversa com &#8220;como estava dizendo&#8230;&#8221; Sempre quis homenagear meus amigos essenciais. Como? Descobri a forma por acaso. Eles merecer\u00e3o a dedicat\u00f3ria dos livros que escrevo. Therezamaria e Cam\u00e9lia foram as primeiras. 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