{"id":4713,"date":"2010-10-30T10:00:00","date_gmt":"2010-10-30T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/de_olho_no_eleitor\/"},"modified":"2010-10-30T10:00:00","modified_gmt":"2010-10-30T12:00:00","slug":"de_olho_no_eleitor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/de_olho_no_eleitor\/","title":{"rendered":"De olho no eleitor"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Dad Squarisi &nbsp; O vocabul\u00e1rio de Dilma e Serra nos debates \u00e9 pobre? N\u00e3o. \u00c9 adequado. Eles precisam atingir os 135 milh\u00f5es de eleitores. S\u00e3o pessoas com variados graus de escolaridade \u2013 de analfabetos a doutores. Entre os&nbsp; extremos, existe uma gama de homens e mulheres que dominam pouco, mais ou menos ou muito a l\u00edngua nossa de todos os dias. Excluir este ou aquele grupo? \u00c9 luxo proibido aos candidatos. O voto de todos tem o mesmo peso. Ningu\u00e9m pode ser deixado de lado. &nbsp; Ser adequado \u00e9 a regra. A l\u00edngua se assemelha a arm\u00e1rio com milhares de pe\u00e7as. Que roupa escolher? Depende da situa\u00e7\u00e3o. A piscina exige biqu\u00edni. O baile de gala, longo ou smoking. O cineminha do fim da tarde, traje esporte. O falante enfrenta o mesmo desafio. Se quer se comunicar com a crian\u00e7a de 4 anos, usa uma l\u00edngua. Se com os colegas de trabalho, outra. Se com os participantes da sala de bate-papo da internet, mais uma.  &nbsp; Os candidatos n\u00e3o fogem \u00e0 regra. Para atingir cabe\u00e7as e cora\u00e7\u00f5es, disp\u00f5em de 400 mil palavras. Quais selecionar? As adequadas ao ve\u00edculo, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o, ao p\u00fablico e ao objetivo principal \u2014 a persuas\u00e3o. O brasileiro m\u00e9dio&nbsp;usa 2 mil voc\u00e1bulos. Eles t\u00eam de sintonizar o discurso com o maior n\u00famero de telespectadores. Como? Evitam linguagem t\u00e9cnica. Jarg\u00f5es econ\u00f4mico, pol\u00edtico, jur\u00eddico &amp; cia. n\u00e3o t\u00eam vez. Esquecem palavras dif\u00edceis, sofisticadas ou politicamente incorretas.  &nbsp; Para que todos entendam o que falam e, sobretudo comprem a tese apresentada, circulam no vocabul\u00e1rio m\u00e9dio da popula\u00e7\u00e3o. Repetem. Repetem. Repetem. A redund\u00e2ncia desempenha papel importante. De um lado, fixa a ideia. De outro, pesca os telespectadores que zapeiam ao longo da programa\u00e7\u00e3o. Querem promover intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico e, principalmente, convencer o eleitor. &nbsp; Nem sempre acertam. Sob tens\u00e3o, t\u00eam reca\u00eddas.&nbsp; No debate da Band, Dilma contestava cada resposta do advers\u00e1rio com \u201cest\u00e1 tergiversando\u201d. O Twitter se entupiu de perguntas sobre o significado do verbo. No da Record, ela n\u00e3o tergiversou. Preferiu \u201cenrolar\u201d.&nbsp; Mas teve outra queda. Em vez de perguntar, &#8220;fez uma formula\u00e7\u00e3o&#8221;. Serra foi atr\u00e1s. Em lugar de \u201cplanejadas\u201d, as obras dele &#8220;est\u00e3o colocadas h\u00e1 muito tempo&#8221;. Pol\u00edtico adora falar bonito. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Dad Squarisi &nbsp; O vocabul\u00e1rio de Dilma e Serra nos debates \u00e9 pobre? N\u00e3o. \u00c9 adequado. Eles precisam atingir os 135 milh\u00f5es de eleitores. S\u00e3o pessoas com variados graus de escolaridade \u2013 de analfabetos a doutores. Entre os&nbsp; extremos, existe uma gama de homens e mulheres que dominam pouco, mais ou menos ou muito a l\u00edngua nossa de todos os dias. 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