{"id":4727,"date":"2010-11-01T08:00:00","date_gmt":"2010-11-01T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/presidente_ou_presidenta_questao_de_poder\/"},"modified":"2010-11-01T08:00:00","modified_gmt":"2010-11-01T10:00:00","slug":"presidente_ou_presidenta_questao_de_poder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/presidente_ou_presidenta_questao_de_poder\/","title":{"rendered":"Presidente ou presidenta? Quest\u00e3o de poder"},"content":{"rendered":"\n<p>Dad Squarisi   <\/p>\n<p>Ela \u00e9 presidente ou presidenta? A quest\u00e3o \u00e9 recente. H\u00e1 poucos anos n\u00e3o  passava pela cabe\u00e7a de ningu\u00e9m a possibilidade concreta de uma mulher ostentar,  de fato, a faixa verde-amarela. Falava-se no assunto como hip\u00f3tese ut\u00f3pica. At\u00e9  chegar l\u00e1\u2026 Ops! Chegamos. O n\u00famero de eleitoras ultrapassou o de eleitores. O  voto feminino passou a ser disputado a tapa.    <\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou com o movimento feminista. Nos anos sessenta, as mulheres foram  \u00e0 luta. Queriam os mesmos direitos que os homens. Abusaram dos trajes  masculinos. Desfilaram barrigas gr\u00e1vidas. Queimaram suti\u00e3s em pra\u00e7a p\u00fablica. N\u00e3o  deu outra. Conquistaram a universidade e o mercado de trabalho. Sentaram-se no  Parlamento. Vestiram togas. Engrossaram as fileiras das For\u00e7as Armadas. Ocupar o  Pal\u00e1cio do Planalto era quest\u00e3o de tempo. N\u00e3o \u00e9 mais.   <\/p>\n<p>Ao longo da ascens\u00e3o, outra batalha corria solta. O alvo foi a l\u00edngua. &#8220;O  portugu\u00eas \u00e9 machista&#8221;, decretaram elas sem ligar pra injusti\u00e7a. A raz\u00e3o: ao  englobar os g\u00eaneros, a palavra fica no masculino plural. &#8220;Meus filhos&#8221; inclui os  filhos e as filhas. &#8220;Os devedores&#8221; abarca as devedoras e os devedores. &#8220;Os  senadores&#8221; p\u00f5e senadores e senadoras no mesmo saco. A luta pelo g\u00eanero se imp\u00f4s.     <\/p>\n<p>Jos\u00e9 Sarney percebeu a virada. &#8220;Brasileiras e brasileiros&#8221;, saudava ele.  Homens e mulheres acharam a novidade simp\u00e1tica. O SBT aproveitou a onda. P\u00f4s no  ar a novela com o mesmo bord\u00e3o. A partir da\u00ed, distinguir o g\u00eanero deixou de ser  gesto de simpatia. Virou obriga\u00e7\u00e3o. &#8220;Meus amigos e minhas amigas&#8221;, dizia FHC.  &#8220;Senhores deputados e senhoras deputadas&#8221;, cumprimentava A\u00e9cio Neves. &#8220;Caros  senadores e caras senadoras&#8221;, bradavam Suas Excel\u00eancias da tribuna.    <\/p>\n<p>De obriga\u00e7\u00e3o passou a obsess\u00e3o. Hoje, n\u00e3o faltam situa\u00e7\u00f5es como estas:  &#8220;Pedimos aos presentes e \u00e0s presentes que se levantem&#8221;. &#8220;Os estudantes e as  estudantes devem usar uniforme.&#8221; &#8220;Os debatedores e as debatedoras chegar\u00e3o ao  meio-dia.&#8221; Nos convites, todo o cuidado \u00e9 pouco. A consagrada f\u00f3rmula &#8220;senhor e  senhora Paulo Silva&#8221; provoca o furor delas. Melhor optar por &#8220;senhor Paulo Silva  e senhora Maria Silva&#8221;.    <\/p>\n<p>Rea\u00e7\u00f5es ao exagero n\u00e3o faltam. Mill\u00f4r Fernandes dirige-se \u00e0s &#8220;pessoas e  pessoos&#8221;. Ver\u00edssimo fala em &#8220;povo e pova&#8221;. Aumenta o n\u00famero dos temerosos de que  cheguemos ao absurdo de distinguir &#8220;humanidade e mulheridade&#8221; e &#8220;seres humano e  mulherano&#8221;. Da\u00ed a conclus\u00e3o dos cr\u00edticos: &#8220;Est\u00e1 certo que a l\u00edngua \u00e9 viva. Mas  isso cheira a Odorico Paraguassu&#8221;. E da\u00ed? O dicion\u00e1rio registra os femininos  presidente e presidenta. Voc\u00ea decide.  <a name=\"Save1\"><\/a>  <\/p>\n<p>Distinguir o masculino e o feminino n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de  corre\u00e7\u00e3o gramatical. <i>Brasileiros<\/i> refere-se a homens e mulheres nascidos  nesta alegre Pindorama. Gramaticalmente recebe nota 10. Mas escorrega no  feministamente correto. A raz\u00e3o \u00e9 simples. Esconde a mulher. Deixa-a sem espa\u00e7o.  No discurso, a modernidade recomenda usar o masculino e o feminino. Dando  visibilidade a ele e a ela, marca-se, na fala, a igualdade dos dois g\u00eaneros. No  fundo, \u00e9 quest\u00e3o de poder.   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dad Squarisi Ela \u00e9 presidente ou presidenta? A quest\u00e3o \u00e9 recente. H\u00e1 poucos anos n\u00e3o passava pela cabe\u00e7a de ningu\u00e9m a possibilidade concreta de uma mulher ostentar, de fato, a faixa verde-amarela. Falava-se no assunto como hip\u00f3tese ut\u00f3pica. 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