{"id":4745,"date":"2010-11-03T00:00:00","date_gmt":"2010-11-03T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/qual_e_a_do_s_e_do_z\/"},"modified":"2010-11-03T00:00:00","modified_gmt":"2010-11-03T02:00:00","slug":"qual_e_a_do_s_e_do_z","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/qual_e_a_do_s_e_do_z\/","title":{"rendered":"Qual \u00e9 a do S e do Z?"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<b>  <\/p>\n<p><\/b> Ufa! A campanha eleitoral terminou. Dilma Rousseff mereceu a  prefer\u00eancia dos brasileiros. Viva! \u00c9 a primeira mulher a ocupar o Pal\u00e1cio do  Planalto. A escolha suscitou curiosidades. Uma: como cham\u00e1-la \u2014 presidente ou  presidenta? O dicion\u00e1rio registra as duas formas. Mas h\u00e1 prefer\u00eancia por  presidente. \u00c9 o caso de chefe e chefa. Ambas as grafias merecem nota 10. Mas nos  inclinamos por chefe. Por qu\u00ea? Talvez chefa soe meio machona.   <\/p>\n<p>A outra quest\u00e3o assaltou a Carlota. Ela quer saber por que  escrevemos presidente com s, n\u00e3o com z. Trata-se de problema de grafia. Nesse  territ\u00f3rio, h\u00e1 poucas regras. A escrita correta do voc\u00e1bulo \u00e9 fruto muito mais  de fixa\u00e7\u00e3o visual que de decoreba. Por isso, quem l\u00ea regularmente escreve os  voc\u00e1bulos do jeitinho que o dicion\u00e1rio manda. \u00c0s vezes, por\u00e9m, a d\u00favida bate.  Mas n\u00e3o h\u00e1 dicion\u00e1rio por perto. O que fazer? O jeito \u00e9 rezar para que as poucas  regras existentes quebrem o galho. <b> &nbsp;  <\/p>\n<p>A fam\u00edlia se imp\u00f5e<\/b>  <\/p>\n<p>Uma delas, pra l\u00e1 de produtiva, vale ouro. Trata-se da  todo-poderosa fam\u00edlia. As palavras derivadas seguem a primitiva. Umas e outras  mant\u00eam a grafia original sem tossir nem mugir: <b>tr\u00e1s <\/b>(<i>atr\u00e1s, traseiro,  atraso, atrasar, atrasado), <\/i><b>casa <\/b>(<i>casinha, casebre, casar\u00e3o,  caseiro, casamento, acasalar), <\/i><b>g\u00e1s <\/b>(<i>gasolina, gasoduto, gasoso,  gaseificado), <\/i><b>cruz <\/b>(<i>cruzar, cruzinha, cruzada, cruzeiro),  <\/i><b>exame <\/b>(<i>examinho, examinador, examinar,  examinado).<\/i><b>  <\/p>\n<p>Olho no infinitivo  <\/p>\n<p><\/b><i> Quiser se <\/i>escreve com s.  <i>Fizer<\/i>, com z. Por qu\u00ea? Nos verbos, <b>s<\/b> ou <b>z<\/b> depende do  infinitivo. No nome do verbo aparece o <b>z<\/b>? Ent\u00e3o n\u00e3o duvide. Sempre que o  fonema <b>z<\/b> soar, d\u00ea-lhe a vez: <b>fazer<\/b> (<i>fazes, faz, fazemos, fazem,  fiz, fizeste, fizemos, fizeram, fizesse, fizer), <\/i><b>dizer <\/b>(<i>diz,  dizes, dizemos, dizem)<\/i>.   <\/p>\n<p>Em <i>querer<\/i> e <i>p\u00f4r<\/i>, o z n\u00e3o aparece. Logo, quando  soar o z, escreva s: <b>querer <\/b>(<i>quis, quiseste, quisemos, quiseram,  quiser, quisera, quiseras, quis\u00e9ramos, quisesse, quis\u00e9ssemos), <\/i><b>p\u00f4r<\/b>  (<i>pus, puseste, p\u00f4s, pusemos, puseram, puser, pusermos, pusesse,  pus\u00e9ssemos).<\/i><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;  <\/p>\n<p>A chave do enigma<\/b>  <\/p>\n<p>Por que<i> limpeza<\/i> se grafa com z e <i>francesa<\/i> com  s? A diferen\u00e7a tem tudo a ver com a forma\u00e7\u00e3o das palavras. O sufixo \u2013<i>eza<\/i>  d\u00e1 \u00e0 luz substantivos abstratos derivados de adjetivos: <i>grande (grandeza),  real (realeza), cru (crueza), limpo (limpeza). <\/i>  <\/p>\n<p>A norma vale para o sufixo ez: <i>macio (maciez), l\u00facido (lucidez), surdo (surdez), mudo (mudez),  honrado (honradez), sensato (sensatez), altivo (altivez), l\u00facido (lucidez),  maduro (madurez). <\/i>  <\/p>\n<p>Francesa joga em outro time. \u00c9  adjetivo derivado de substantivo. No masculino, o <b>s<\/b> tamb\u00e9m aparece<i>:  Portugal (portugu\u00eas, portuguesa), Fran\u00e7a (franc\u00eas, francesa), Esc\u00f3cia (escoc\u00eas,  escocesa), burgo (burgu\u00eas, burguesa), freguesia (fregu\u00eas, freguesa), campo  (campon\u00eas, camponesa). <\/i><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> &nbsp;  <\/p>\n<p>O sufixo -isar n\u00e3o existe<\/b>  <\/p>\n<p>Guarde isto: o sufixo -isar n\u00e3o existe. Ops! Como explicar a  grafia de <i>paralisar, analisar, pesquisar<\/i>? As quatro letrinhas l\u00e1 est\u00e3o,  firmes e fortes. E da\u00ed? Abra os olhos. O <b>s<\/b> n\u00e3o faz parte do sufixo. Est\u00e1  no radical da palavra. Anali<b>s<\/b>ar, por exemplo, \u00e9 derivado de  an\u00e1li<b>s<\/b>e. Ora, se an\u00e1lise tem s no radical, nada mais justo que a letra se  mantenha no verbo. \u00c9 o caso de <i>bi<b>s<\/b> (bi<b>s<\/b>ar), cat\u00e1li<b>s<\/b>e  (catali<b>s<\/b>ar), pesqui<b>s<\/b>a (pesqui<b>s<\/b>ar), li<b>s<\/b>o  (ali<b>s<\/b>ar), improvi<b>s<\/b>o (improvi<b>s<\/b>ar). <\/i>  <\/p>\n<p>Reparou? O <i>is<\/i> faz parte da palavra primitiva. O verbo  se formou com o acr\u00e9scimo do -ar.  <\/p>\n<p>De onde saiu o &#8211;<i>izar<\/i> que aparece em amenizar,  capitalizar, humanizar, simbolizar etc. e tal? Os coitados n\u00e3o t\u00eam o <b>s<\/b>  para o &#8211;<b>ar<\/b> se agarrar. Precisam de uma ponte. Constru\u00edram o <i>iz<\/i>,  que se mant\u00e9m nos derivados: <i>ameno<\/i> (amenizar, ameniza\u00e7\u00e3o), <i>capital<\/i>  (capitalizar, capitaliza\u00e7\u00e3o, capitalizado), <i>humano<\/i> (humanizar,  humaniza\u00e7\u00e3o, desumanizado), <i>canal<\/i> (canalizar, canalizado, canalizante).    <\/p>\n<p>Alguns s\u00e3o privilegiados. T\u00eam o z no radical. Nada mais  justo que respeitar a fam\u00edlia. \u00c9 o caso de <i>cicatriz<\/i> (cicatrizar,  cicatriza\u00e7\u00e3o), <i>deslize<\/i> (deslizar), <i>ju\u00edzo<\/i> (ajuizar, ajuizado),  <i>cicatriz<\/i> (cicatrizar, cicatriza\u00e7\u00e3o), <i>raiz<\/i> (enraizar, enraizado).  <b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> &nbsp;<\/b>  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ufa! A campanha eleitoral terminou. Dilma Rousseff mereceu a prefer\u00eancia dos brasileiros. Viva! \u00c9 a primeira mulher a ocupar o Pal\u00e1cio do Planalto. A escolha suscitou curiosidades. 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