{"id":4804,"date":"2010-11-11T00:00:00","date_gmt":"2010-11-11T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/pelo_telefone\/"},"modified":"2010-11-11T00:00:00","modified_gmt":"2010-11-11T02:00:00","slug":"pelo_telefone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/pelo_telefone\/","title":{"rendered":"Pelo telefone"},"content":{"rendered":"<div><b> Pelo telefone<\/b> Conhece o teste do telefone? Ele funciona mais ou  menos assim. Um grupo de pessoas se senta ao lado uma da outra. A primeira l\u00ea  uma hist\u00f3ria cheia de pormenores. A segunda, sem ler, cochicha a narrativa no  ouvido do vizinho. A terceira faz o mesmo. E, assim, sucessivamente. O resultado  \u00e9 espantoso. O \u00faltimo texto n\u00e3o tem nem parentesco com o primeiro.  Quer um exemplo? O presidente fez este pedido ao  diretor:<i> Na pr\u00f3xima sexta-feira, \u00e0s 17h,o cometa Halley  passar\u00e1 por esta \u00e1rea. Trata-se de um evento que ocorre a cada 78 anos. Assim,  por favor, re\u00fana os funcion\u00e1rios no p\u00e1tio da f\u00e1brica , todos usando capacete de  seguran\u00e7a, quando explicarei o fen\u00f4meno. Se chover, n\u00e3o veremos o raro  espet\u00e1culo a olho nu.<\/i> O diretor, obediente, passou este recado ao  gerente:<i> <\/i><i>A pedido do presidente, na sexta-feira, \u00e0s 17h, o  cometa Halley vai aparecer sobre a f\u00e1brica. Se chover, por favor, re\u00fana os  funcion\u00e1rios, todos com capacete, e os encaminhe ao refeit\u00f3rio, onde o raro  fen\u00f4meno ter\u00e1 lugar, o que ocorre a cada 78 anos a olho nu.<\/i>  O gerente transmitiu esta informa\u00e7\u00e3o ao supervisor:  <i>A convite do nosso querido presidente, o cientista Halley, de 78 anos, vai  aparecer nu na f\u00e1brica, usando apenas capacete, quando vai explicar o fen\u00f4meno  da chuva para os seguran\u00e7as do p\u00e1tio.<\/i>  O supervisor, por sua vez, mandou esta mensagem  ao chefe: <i>Todo mundo nu, na pr\u00f3xima sexta-feira, \u00e0s 17h, pois o mandachuva do  presidente, Sr. Halley, estar\u00e1 l\u00e1 para mostrar o raro filme <\/i>Dan\u00e7ando na  chuva<i>. Caso comece a chover mesmo ,o que ocorre a cada 78 anos, por motivo de  seguran\u00e7a coloque o capacete.<\/i> O chefe n\u00e3o deixou por menos. Repassou o  convite para os oper\u00e1rios da empresa: <i>Nesta sexta-feira, o presidente far\u00e1 78  anos. A festa ser\u00e1 \u00e0s 17h, no p\u00e1tio da f\u00e1brica. V\u00e3o estar l\u00e1 Bill Halley e seus  Cometas. Todo mundo deve estar nu e de capacete. O espet\u00e1culo vai rolar mesmo  que chova porque a banda \u00e9 um fen\u00f4meno.<\/i><b> Li\u00e7\u00f5es<\/b> O teste ensina li\u00e7\u00f5es. Uma delas: as palavras,  sobretudo as faladas, s\u00e3o pra l\u00e1 de levianas. Traem. A gente pensa que diz uma  coisa, o ouvinte entende outra, e a coisa propriamente dita desconfia que n\u00e3o  foi dita. Confiar nelas \u00e9 acreditar em Papai Noel. A sa\u00edda? Escreva os recados.  Mas seja safo. Tenha em mente que os voc\u00e1bulos escritos n\u00e3o s\u00e3o 100% fi\u00e9is. Cabe  a n\u00f3s ajud\u00e1-los a manter-se na linha.  Como? Lembre-se de que voc\u00ea escreve para as pessoas.  S\u00e3o seres de carne, osso, sangue e nervos. Pegam \u00f4nibus, levam os filhos pra  escola, brigam com o parceiro, sofrem press\u00e3o do chefe, recebem sal\u00e1rio mais  curto que o m\u00eas. Etc. Etc. Etc. Seu texto deve falar com ele. <b> Dicas <\/b><strong> 1. Seja  natural: converse no papel. Imagine que ele esteja \u00e0 sua frente, comendo um  sandu\u00edche e tomando um suco.<\/strong> 2. <strong>Mantenha a objetividade<\/strong>: sem  encher lingui\u00e7a, v\u00e1 direto ao assunto. D\u00ea o recado. <strong> 3. Respeite a concis\u00e3o: diga o que deve ser dito com  o n\u00famero de palavras suficiente. Nem mais. Nem menos. <\/strong> 4. <strong>Use frases curtas<\/strong>: Uma frase  longa, ensinou Vinicius, n\u00e3o \u00e9 nada mais que duas curtas. Na briga entre ponto,  ponto-e-v\u00edrgula ou v\u00edrgula, d\u00ea a vez ao ponto. O leitor  agradece.<strong> 5. Fa\u00e7a  perguntas diretas: em vez de dizer &#8220;gostaria de saber se voc\u00ea pode ir \u00e0  reun<a name=\"Save1\"><\/a>i\u00e3o das sete&#8221;, indague:  Voc\u00ea pode ir \u00e0 reuni\u00e3o das sete?  6. Prefira palavras curtas e simples: s\u00f3 ou somente?  S\u00f3. Advogado ou caus\u00eddico? Advogado. Casamento ou matrim\u00f4nio?  Casamento.<\/strong> Sobretudo, guarde isto: as pessoas n\u00e3o ouvem o que \u00e9  dito. Ouvem o que querem. Entram, no caso, fatores pessoais, como aten\u00e7\u00e3o,  interesse, dom\u00ednio do conte\u00fado. <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo telefone Conhece o teste do telefone? Ele funciona mais ou menos assim. Um grupo de pessoas se senta ao lado uma da outra. A primeira l\u00ea uma hist\u00f3ria cheia de pormenores. A segunda, sem ler, cochicha a narrativa no ouvido do vizinho. A terceira faz o mesmo. E, assim, sucessivamente. O resultado \u00e9 espantoso. O \u00faltimo texto n\u00e3o tem nem parentesco com o primeiro. 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