{"id":4898,"date":"2010-11-23T12:00:00","date_gmt":"2010-11-23T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/senhoras_e_senhores_eis_a_questao\/"},"modified":"2010-11-23T12:00:00","modified_gmt":"2010-11-23T14:00:00","slug":"senhoras_e_senhores_eis_a_questao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/senhoras_e_senhores_eis_a_questao\/","title":{"rendered":"Senhoras e senhores, eis a quest\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><strong>  <\/p>\n<p><\/strong><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p>H\u00e1 leitores e leitores. Alguns s\u00e3o cr\u00edticos. Leem os posts  com lupa. Se descobrem qualquer falha, n\u00e3o deixam por menos. Reclamam. Outros  n\u00e3o levam as coisas t\u00e3o a s\u00e9rio. Sabem que tudo passa e, dias depois, v\u00eam outro  texto, outras propostas, outros desafios. H\u00e1 tamb\u00e9m os que jogam nos dois times.  Al\u00e9m de observadores implac\u00e1veis, s\u00e3o generosos. D\u00e3o sugest\u00f5es pra l\u00e1 de  \u00fateis. <\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p>Os palpites variam. Tratam de ortografia, concord\u00e2ncia,  reg\u00eancia, coloca\u00e7\u00e3o de pronomes, flex\u00e3o de verbos e nomes. E por a\u00ed vai. Um  pedido veio com a marca da urg\u00eancia. Assina-o Jo\u00e3o Rafa: &#8220;Trate do eis,  pelo amor de Deus. O monoss\u00edlabo me tira o sono. Cada vez que ensaio us\u00e1-lo,  pintam quest\u00f5es e mais quest\u00f5es. O que exatamente significa? Posso dar-lhe a  companhia do adv\u00e9rbio aqui? E do pronome \u00e1tono? D\u00favidas. D\u00favidas.  D\u00favidas. E da\u00ed?&#8221;<\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><strong><\/strong>&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><strong>  <\/p>\n<p>Perguntas sem  respostas<\/strong><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p>Jo\u00e3o Rafa, relaxe. A encuca\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sua. Boa parte dos  brasileiros arranca os cabelos diante dos mist\u00e9rios que cercam as tr\u00eas  letrinhas. Pra in\u00edcio de conversa, ignora-se de onde elas v\u00eam. Palpiteiros  afirmam que talvez provenham de heis ou haveis. Talvez.  Certeza n\u00e3o h\u00e1. <\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p>Al\u00e9m da curiosidade sobre o pai e a m\u00e3e da criatura, outra  quest\u00e3o fica sem resposta. A que classe gramatical ela pertence? Ningu\u00e9m sabe.  Sem se enquadrar no time dos adv\u00e9rbios ou de outra equipe qualquer, ganha nome  gen\u00e9rico \u2014 palavra que denota designa\u00e7\u00e3o. Em bom portugu\u00eas: ela mostra,  aponta.<\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p>A l\u00edngua \u00e9 generosa. N\u00e3o deixa o eis no desamparo.  Acompanham-no outros esquecidos de Deus e dos homens. \u00c9 o caso dos voc\u00e1bulos que  denotam exclus\u00e3o (s\u00f3, somente, unicamente), inclus\u00e3o (outrossim), situa\u00e7\u00e3o  (quase, casualmente), retifica\u00e7\u00e3o (ali\u00e1s). <\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><strong><\/strong>&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><strong>  <\/p>\n<p>Significado &amp;  companhia<\/strong><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p>O que as tr\u00eas letrinhas significam? Resposta: aqui  est\u00e1. Ora, se est\u00e1 presente na etimologia, o aqui sobra. Mas a  l\u00edngua \u00e9 tolerante.&nbsp;Mas, se voc\u00ea quiser  refor\u00e7ar a posi\u00e7\u00e3o, o adv\u00e9rbio recebe sinal verde: Eis aqui o livro que voc\u00ea  pediu. Eis aqui a mensagem da presidente eleita. Cad\u00ea o livro? Ei-lo bem  aqui.<\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p>Convenhamos: o aqui pesa. A frase vive com mais leveza sem  ele. Compare: Eis o livro que voc\u00ea pediu. Eis a mensagem da presidente  eleita. Cad\u00ea o presente? Ei-lo.<\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><strong>  <\/p>\n<p>Elitismo para dar e  vender<\/strong><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p>O eis \u00e9 pra l\u00e1 de elitista. &#8220;Um \u00e9 bom, dois \u00e9 demais&#8221;,  repete ele. Por isso s\u00f3 aceita a primeira pessoa. Ao empreg\u00e1-lo, a criatura que fala indica ao ouvinte que  algo ou algu\u00e9m est\u00e1 perto no tempo, no espa\u00e7o ou na ponta da l\u00edngua \u2014 prestes a  cair na boca do povo:<\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p>Jesus disse \u00e0 m\u00e3e:<\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\u2014 Mulher, eis o teu filho.<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p>Eis,  senhores, a resposta t\u00e3o esperada.<\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p>Eis,  finalmente, a data da formatura.<\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><strong>  <\/p>\n<p>Surpresa<\/strong><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p>\u00c0s vezes, o eis  aparece na companhia do que. Forma, ent\u00e3o, o sexteto eis que.  Olho vivo! A locu\u00e7\u00e3o tem uso restrito. S\u00f3 tem vez quando d\u00e1 ideia de surpresa ou  imprevisto. Assim: Quando menos se esperava, eis que Paul McCartney voltou  ao palco. Eis que surge finalmente um ator \u00e0 altura do papel. Quando todos  estavam distra\u00eddos, eis que pintou confus\u00e3o.<\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p>Ops! Olho vivo! N\u00e3o caia no modismo. Muitos usam o eis  que na indica\u00e7\u00e3o de causa. Nada feito. Em vez da duplinha, use uma vez  que ou porque: Carlos deve passar no vestibular uma vez  que (n\u00e3o eis que) estuda muito. O candidato vai ser  selecionado porqueeis  que) sobressaiu no teste. O recurso foi rejeitado porqueeis que) n\u00e3o tem fundamento jur\u00eddico. O Fluminense ser\u00e1 o campe\u00e3o  nacional&nbsp;porque (n\u00e3o eis  que) est\u00e1 \u00e0 frente do segundo colocado. (n\u00e3o&nbsp; (n\u00e3o  <\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><strong>  <\/p>\n<p>Pronome<\/strong><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p>O eis aceita a companhia dos pronomes pessoais \u00e1tonos.  Quando seguido do <strong>o<\/strong> ou <strong>a<\/strong>, ocorre fen\u00f4meno  parecido com o dos verbos que terminam com a mesma letra. O <strong>s      <\/strong>cai fora: Ei-lo \u00e0 espera do carteiro. Ei-las na fila do gargarejo.  Onde est\u00e3o os primeiros colocados? Ei-los. <\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p>Ufa!<\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><strong><\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; H\u00e1 leitores e leitores. Alguns s\u00e3o cr\u00edticos. Leem os posts com lupa. Se descobrem qualquer falha, n\u00e3o deixam por menos. Reclamam. Outros n\u00e3o levam as coisas t\u00e3o a s\u00e9rio. Sabem que tudo passa e, dias depois, v\u00eam outro texto, outras propostas, outros desafios. H\u00e1 tamb\u00e9m os que jogam nos dois times. Al\u00e9m de observadores implac\u00e1veis, s\u00e3o generosos. 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