{"id":4949,"date":"2010-12-01T00:00:00","date_gmt":"2010-12-01T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/os_sete_pecados_da_pronuncia\/"},"modified":"2015-12-17T18:28:03","modified_gmt":"2015-12-17T20:28:03","slug":"os_sete_pecados_da_pronuncia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/os_sete_pecados_da_pronuncia\/","title":{"rendered":"Os sete pecados da pron\u00fancia"},"content":{"rendered":"<p>Conhece a express\u00e3o &#8220;a sete chaves&#8221;? Pois saiba que ela esconde um senhor mist\u00e9rio. Trata-se do n\u00famero. Em Portugal, l\u00e1 pelo s\u00e9culo 13, n\u00e3o havia cofres. Dinheiro, documentos, joias, metais preciosos &amp; tudo o mais que exigia prote\u00e7\u00e3o guardavam-se em arcas de madeira. Elas tinham quatro fechaduras e, claro, quatro chaves. Cada uma ficava com um servidor pra l\u00e1 de graduado e merecedor da total confian\u00e7a do rei. Abrir o ba\u00fa implicava cerim\u00f4nia cuidadosa com a presen\u00e7a do quarteto.<\/p>\n<p>Pergunta-se: o que &#8220;a quatro chaves&#8221; tem a ver com &#8220;a sete chaves&#8221;? Resposta: o mist\u00e9rio. O povo considerou o quatro sem gra\u00e7a. Preferiu o cabal\u00edstico sete para designar segredo bemmmmmmmmmmmmmm guardado. A express\u00e3o dava ideia da curiosidade que o conte\u00fado t\u00e3o protegido despertava em homens, mulheres e crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Desvendado o enigma medieval, vale decifrar mist\u00e9rio contempor\u00e2neo. Trata-se da pron\u00fancia de sete palavras. Por motivos que at\u00e9 Deus ignora, elas ca\u00edram na boca do povo e da elite. Mas, a exemplo do quatro que virou sete, trocou-se a s\u00edlaba t\u00f4nica dos voc\u00e1bulos. O resultado \u00e9 um s\u00f3: a silabada bate pesado nos ouvidos. Quem sente o golpe n\u00e3o deixa por menos. Foge. Os mais sens\u00edveis s\u00e3o os apaixonados. Sem resistir \u00e0 dor, eles partem pra outra. Perdem-se promessas, juras e eternidade. Confirma-se, assim, fato pra l\u00e1 de conhecido. O amor \u00e9 cego, mas n\u00e3o \u00e9 surdo.<\/p>\n<p><b> \u00a0 \u00a0 Olho na fortona<\/b><\/p>\n<p>*<b><\/b> <b><\/b>\u00a0 <b>Subs\u00eddio<\/b> jogo no time de <i>subsolo, subserviente, subsal\u00e1rio, subsaariano, subsimilar, subs\u00edndico, subsinuoso<\/i>. Em todas, o <b>s<\/b> que vem depois do <i>sub<\/i> se pronuncia ss. Sem tossir nem mugir.<\/p>\n<p>*<b><\/b> <b><\/b>\u00a0 <b>Recorde<\/b>, <i>concorde<\/i> e <i>acorde<\/i> orgulhosamente pertencem \u00e0 equipe das parox\u00edtonas. A s\u00edlaba mandachuva \u00e9 <b>cor<\/b> sim, senhor. Dizer &#8220;r\u00e9cord&#8221;? \u00c9 a receita do cruz-credo. X\u00f4!<\/p>\n<p>*<b><\/b> <b><\/b>\u00a0 <b>Rubrica <\/b>e<b> <\/b><i>fabrica<\/i> s\u00e3o irm\u00e3zinhas insepar\u00e1veis. A for\u00e7a delas mora na casa do meio \u2014 a parox\u00edtona (bri). A dupla tem vizinhos legais. \u00c0 direita, a senhora ox\u00edtona. \u00c0 esquerda, a dona proparox\u00edtona. Confundir endere\u00e7os? Valha-nos, Deus. Papai Noel entregar\u00e1 os presentes para quem n\u00e3o pediu. Convenhamos: ningu\u00e9m merece pagar tal mico.<\/p>\n<p>*<b><\/b> <b><\/b>\u00a0 <b>Nobel<\/b>, Mabel, papel e cruel se pronunciam do mesmo jeitinho. A s\u00edlaba t\u00f4nica \u00e9 a \u00faltima. Na d\u00favida, pense um pouco. Se Nobel fosse parox\u00edtona, pertenceria \u00e0 gangue de m\u00f3vel e autom\u00f3vel. Teria acento. Como n\u00e3o tem, a conclus\u00e3o \u00e9 uma s\u00f3. O nome do pr\u00eamio mais cobi\u00e7ado do planeta \u00e9 ox\u00edtono e n\u00e3o abre. PT sauda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>*<b><\/b> <b><\/b>\u00a0 <b>Ibero <\/b>\u00e9 a forma alatinada de ib\u00e9rico. Triss\u00edlabo e poliss\u00edlabo t\u00eam o mesmo significado. Designam os origin\u00e1rios da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, que engloba Portugal e Espanha. A menorzinha mant\u00e9m a marca da grandona. A s\u00edlaba t\u00f4nica de ambas \u00e9 a mesma \u2014 <b>be<\/b>. Diga, pois, sem medo de errar: <i>c\u00fapula ibero-americana, povos ibero-americanos, presidentes ibero-americano.<\/i><\/p>\n<p><b><\/b> <b><\/b>\u00a0 <b>*<\/b> <b><\/b>\u00a0 <b>Gratuito<\/b>,<b> <\/b>fortuito e circuito s\u00e3o como unha e carne. Nas tr\u00eas, o <b>ui<\/b> forma ditongo. N\u00e3o se separa nem com sangue, suor e l\u00e1grimas. Vamos combinar? Se a fortona reca\u00edsse no <b>i<\/b>, o acent\u00e3o pediria passagem como em cu\u00edca.<\/p>\n<p><strong>*<\/strong> \u00a0 <strong>*<\/strong> \u00a0 <strong>Lingui\u00e7a, tranquilo, cinquenten\u00e1rio\u00a0<\/strong><strong>&amp; cia. <\/strong>perderam os an\u00e9is, mas mantiveram os dedos. Em bom portugu\u00eas: a reforma ortogr\u00e1fica lhes cassou o trema, mas a pron\u00fancia nem ligou. Sabida, hein? A reforma \u00e9 ortogr\u00e1fica. S\u00f3 atingiu a grafia das palavras. <b><\/b> <b><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhece a express\u00e3o &#8220;a sete chaves&#8221;? Pois saiba que ela esconde um senhor mist\u00e9rio. Trata-se do n\u00famero. Em Portugal, l\u00e1 pelo s\u00e9culo 13, n\u00e3o havia cofres. Dinheiro, documentos, joias, metais preciosos &amp; tudo o mais que exigia prote\u00e7\u00e3o guardavam-se em arcas de madeira. Elas tinham quatro fechaduras e, claro, quatro chaves. 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