{"id":4956,"date":"2010-02-25T13:00:00","date_gmt":"2010-02-25T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/prova_nota_10_2\/"},"modified":"2010-02-25T13:00:00","modified_gmt":"2010-02-25T16:00:00","slug":"prova_nota_10_2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/prova_nota_10_2\/","title":{"rendered":"Prova nota 10 (2)"},"content":{"rendered":"\n<p><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp; <\/b> H\u00edfen? Ops! \u00c9 castigo de Deus. A puni\u00e7\u00e3o vem de  longe. Quando o mundo nasceu, todos falavam uma s\u00f3 l\u00edngua. As pessoas se  entendiam. No planeta, por isso, imperava a harmonia. Marido n\u00e3o brigava com a  mulher, pais n\u00e3o davam bronca nos filhos, professores n\u00e3o precisavam repetir a  li\u00e7\u00e3o. Com o tempo, a conc\u00f3rdia virou monotonia. Entre um bocejo e outro,  eureca! Pintou a ideia. As criaturas construiriam uma torre que as levasse ao  c\u00e9u.     <\/p>\n<p>O Senhor, l\u00e1 no alto, ouviu coment\u00e1rios sobre a obra.  Meio descrente, deu uma espiadinha na Terra. Ficou irado. &#8220;Que ousadia!&#8221;,  exclamou. A puni\u00e7\u00e3o veio a galope. O Todo-Poderoso criou 6.800 l\u00ednguas. Com  elas, o dicion\u00e1rio enriqueceu. Ganhou o verbete babel. Nome comum, quer dizer  confus\u00e3o de l\u00ednguas. N\u00e3o satisfeito, o Papai do C\u00e9u deu um castigo para cada  l\u00edngua. Para o alem\u00e3o, as palavras coladas que atravessam linhas. Para o chin\u00eas,  os milhares de ideogramas. Para o franc\u00eas, os acentos. Para o portugu\u00eas, o  h\u00edfen.    <\/p>\n<p>Testemunhas afirmam que Deus p\u00f4s os 400 mil voc\u00e1bulos  do portugu\u00eas numa m\u00e3o. Centenas de hifens na outra. Jogou tudo pra cima. Nas  alturas, peda\u00e7os de palavras se separaram de outros. Desconhecidos se grudaram a  desconhecidos. Parte de uns se juntou a de outros com h\u00edfen. Outras com h\u00edfen.  Em suma: fundou-se o imp\u00e9rio da confus\u00e3o. A reforma ortogr\u00e1fica tentou p\u00f4r ordem  no caos. Teve algum \u00eaxito. Diminuiu o n\u00famero de regras e de exce\u00e7\u00f5es. Mas  permanecem pedras no caminho. Como diz o outro, castigo \u00e9 castigo.     <\/p>\n<p>Pra ajudar os mortais, o blog se debru\u00e7ou sobre as  mudan\u00e7as. Logrou \u00eaxito. Conseguiu dividir o emprego em dois grupos. Um: na  composi\u00e7\u00e3o de palavras. O outro: na prefixa\u00e7\u00e3o. O primeiro foi assunto da coluna  anterior. O segundo \u00e9 o tema de hoje. Vamos a ele?<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> &nbsp;    <\/p>\n<p>Prefixa\u00e7\u00e3o<\/b>    <\/p>\n<p>Com o aux\u00edlio do prefixo, a palavra mant\u00e9m a classe  gramatical. Mas acrescenta ideia nova \u2014 de tamanho (microblog), de oposi\u00e7\u00e3o  (anti-interven\u00e7\u00e3o), de associa\u00e7\u00e3o (coabitar). Lidar com essa turma n\u00e3o \u00e9 mole.  Melhor comer pelas beiradas. Comecemos pelos intolerantes. S\u00e3o os prefixos chega  pra l\u00e1. Eles n\u00e3o admitem a proximidade com qualquer palavra. Por isso sempre se  usaram e continuam a se usar com h\u00edfen. O ex- serve de exemplo. As duas  letrinhas d\u00e3o recado claro. Dizem que o ser antecedido por elas foi, mas deixou  de ser. \u00c9 o caso do ex-marido. Ele dividiu o leito nupcial com a mulher. N\u00e3o  divide mais. \u00c9 o caso tamb\u00e9m de ex-presidente. Sua Excel\u00eancia se sentou na  cadeira-mor da institui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se senta mais.    <\/p>\n<p>E os outros? <i>Al\u00e9m, aqu\u00e9m, p\u00f3s, pr\u00e9, pr\u00f3,  rec\u00e9m, sem, vice, soto, soto, vizo: al\u00e9m-mar, aqu\u00e9m-muros, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o,  pr\u00e9-prim\u00e1rio, pr\u00f3-reitor, rec\u00e9m-chegado, sem-terra, vice-presidente,  sota-piloto, soto-mestre, vizo-rei.<\/i><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> &nbsp;    <\/p>\n<p>Regras de ouro<\/b>    <\/p>\n<p>Vamos combinar? Os intolerantes nunca constitu\u00edram  problema. O xis da quest\u00e3o s\u00e3o os outros. Duas regras de ouro resolvem uns 90%  das d\u00favidas. Use o tracinho quando:     <\/p>\n<p>1. <b>o prefixo for seguido de h<\/b>:  <i>pr\u00e9-hist\u00f3rico, anti-humano, super-homem, extra-humanidade, semi-hospitalar,  pseudo-her\u00f3i, p\u00f3s-hom\u00e9rico, extra-habitual.<\/i>    <\/p>\n<p>Exce\u00e7\u00e3o? Grafias tradicionais se mant\u00eam. Valem os  exemplos de reaver, in\u00e1bil, anist\u00f3rico, desumano.    <\/p>\n<p>O co- e o re- passaram a sofrer de alergia. Com  eles \u00e9 tudo juntinho: <i>coerdeiro, coabita\u00e7\u00e3o, reaver,  reouve.<\/i>    <\/p>\n<p>2. <b>Letras iguais se encontrarem<\/b>:  <i>contra-ataque, anti-inflamat\u00f3rio, mini-internato, semi-irregular,  auto-observa\u00e7\u00e3o, micro-ondas, tele-escola, hiper-rico, inter-racial, sub-bloco,  super-rom\u00e2ntico.<\/i> <strong><\/strong>&nbsp; <strong>   <\/p>\n<p><\/strong><strong>A prop\u00f3sito:<\/strong>    <\/p>\n<p>a. O co- e o re- continuam al\u00e9rgicos:  <i>coordena\u00e7\u00e3o, cooperar, reelei\u00e7\u00e3o, reelaborar.<\/i>    <\/p>\n<p>b. O sub- enfrentou uma encrenca. Para evitar  encontro consonantal como o que ocorre em <i>a<b>br<\/b>a\u00e7o<\/i>, pede h\u00edfen  quando seguido de <b>r<\/b>: <i>sub-regi\u00e3o, sub-ra\u00e7a, sub-rept\u00edcio,  sub-rogar.<\/i>    <\/p>\n<p>c. Se letras iguais se rejeitam, letras  diferentes se atraem: <i>autoescola, infraestrutura, aeroespacial, agroneg\u00f3cios,  autoan\u00e1lise, coedi\u00e7\u00e3o, semiobscuro, miniolimp\u00edada, microblog, microavan\u00e7os,  megaexposi\u00e7\u00e3o, anticorrup\u00e7\u00e3o, semic\u00edrculo, contracheque,  subsolo.<\/i>    <\/p>\n<p>d. Pron\u00fancia exige respeito. Pra mant\u00ea-la,  temos de recorrer a truques da l\u00edngua. Se o <b>r<\/b> ou o <b>s<\/b> ficarem entre  duas vogais, dobram-se as letras: <i>minirrevista, minissaia, megarregi\u00e3o,  antirreforma.<\/i> &nbsp;  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; H\u00edfen? Ops! \u00c9 castigo de Deus. A puni\u00e7\u00e3o vem de longe. Quando o mundo nasceu, todos falavam uma s\u00f3 l\u00edngua. As pessoas se entendiam. No planeta, por isso, imperava a harmonia. Marido n\u00e3o brigava com a mulher, pais n\u00e3o davam bronca nos filhos, professores n\u00e3o precisavam repetir a li\u00e7\u00e3o. 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