{"id":4964,"date":"2010-12-02T00:00:00","date_gmt":"2010-12-02T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/beirute_e_no_rio\/"},"modified":"2010-12-02T00:00:00","modified_gmt":"2010-12-02T02:00:00","slug":"beirute_e_no_rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/beirute_e_no_rio\/","title":{"rendered":"Beirute \u00e9 no Rio"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; DAD SQUARISI \/\/ <A href=\"mailto:dadsquarisi.df@dabr.com.br\">dadsquarisi.df@dabr.com.br<\/A>  <BR> &nbsp; A trag\u00e9dia do Rio de hoje se parece com a de Beirute de ontem. O governo n\u00e3o manda. O territ\u00f3rio \u00e9 loteado entre fac\u00e7\u00f5es. Na capital libanesa, religi\u00f5es faziam a festa. Na capital fluminense, narcotr\u00e1fico e paramilitares digladiam-se para ocupar o espa\u00e7o que o Estado n\u00e3o teve compet\u00eancia de ocupar.  <BR> &nbsp; O L\u00edbano abriga 18 religi\u00f5es. S\u00e3o 18 na\u00e7\u00f5es. Cada uma com leis pr\u00f3prias. Na d\u00e9cada de 70, os grupos religiosos tinham mil\u00edcias armadas que se encarregavam da seguran\u00e7a dos fi\u00e9is. Mais: davam assist\u00eancia social aos necessitados, financiavam escolas e hospitais. Quem n\u00e3o professava alguma f\u00e9 ficava sem seguran\u00e7a, sem sa\u00fade e sem educa\u00e7\u00e3o. O quadro explica a guerra civil que arrasou a capital. O governo, impotente, n\u00e3o p\u00f4de controlar as insurrei\u00e7\u00f5es internas. Deu no que deu.  <BR> &nbsp; O ponto comum com o Rio n\u00e3o s\u00e3o as religi\u00f5es. Mas a divis\u00e3o do territ\u00f3rio entre particulares. O Estado perdeu o controle de vasta regi\u00e3o. De um lado, para os traficantes. De outro, para as guerrilhas. De omiss\u00e3o em omiss\u00e3o, o governo abandonou os cidad\u00e3os. Escolas, hospitais, seguran\u00e7a, limpeza p\u00fablica se tornaram favor dos donos do peda\u00e7o. O maior empregador \u00e9 o tr\u00e1fico. Quem ousa denunciar paga alto. O pre\u00e7o: a casa, o emprego, a vida dos filhos.  <BR> &nbsp; A montanha de dinheiro movimentada pelos bar\u00f5es do p\u00f3 corrompe mandachuvas do Executivo, do Legislativo, do Judici\u00e1rio, da pol\u00edcia, do povo. At\u00e9 Deus. No L\u00edbano, 15 anos de guerra civil depois, veio o cessar-fogo. Garantiu-o a presen\u00e7a de 40 mil soldados s\u00edrios. O pa\u00eds administra fr\u00e1gil reconcilia\u00e7\u00e3o nacional. Conseguiu, depois de esfor\u00e7os herc\u00faleos, dar ao liban\u00eas carteira de identidade sem discriminar a religi\u00e3o. Viva!  <BR> &nbsp; Ex\u00e9rcito, Marinha, Aeron\u00e1utica, pol\u00edcias civil, militar e federal ocuparam o Complexo do Alem\u00e3o. Capturaram as sardinhas do tr\u00e1fico. Apreenderam toneladas de drogas. Sobretudo reconquistaram (por ora) o territ\u00f3rio. E agora? A for\u00e7a vai chegar ao asfalto? Ali est\u00e3o as duas pontas da trag\u00e9dia \u2014 o consumidor e os Escobares da coca. Mais: vai incluir o morro nas pol\u00edticas p\u00fablicas? Escolas, hospitais, pol\u00edcia, saneamento, empregos, lazer fincar\u00e3o ra\u00edzes nas abandonadas ladeiras? Sem isso, os brasileiros ter\u00e3o visto cenas de Tropa de elite. Duas horas depois, acendem-se as luzes. Nada muda. Ou mudam os donos. Saem os traficantes. Entram as mil\u00edcias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi.df@dabr.com.br &nbsp; A trag\u00e9dia do Rio de hoje se parece com a de Beirute de ontem. O governo n\u00e3o manda. O territ\u00f3rio \u00e9 loteado entre fac\u00e7\u00f5es. Na capital libanesa, religi\u00f5es faziam a festa. Na capital fluminense, narcotr\u00e1fico e paramilitares digladiam-se para ocupar o espa\u00e7o que o Estado n\u00e3o teve compet\u00eancia de ocupar. &nbsp; O L\u00edbano abriga 18 religi\u00f5es. 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