{"id":4983,"date":"2010-03-01T00:00:00","date_gmt":"2010-03-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/estudantes_perguntam-9\/"},"modified":"2010-03-01T00:00:00","modified_gmt":"2010-03-01T03:00:00","slug":"estudantes_perguntam-9","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/estudantes_perguntam-9\/","title":{"rendered":"Estudantes perguntam"},"content":{"rendered":"<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\" id=\":78\" class=\"ii gt\">\n<div>\n<div><b>  <\/p>\n<p>Quando usar que e qu\u00ea? (Henrique de Matos Patu, 17 anos)<\/b>  &nbsp; Henrique, acento tem tudo a ver com pron\u00fancia. Agudo e circunflexo s\u00f3 caem  sobre a s\u00edlaba t\u00f4nica. Em diss\u00edlabos, triss\u00edlabos e poliss\u00edlabos, descobrir a  mais forte \u00e9 f\u00e1cil como arrancar promessa de pol\u00edtico. \u00c9 com os monoss\u00edlabos que  a porca torce o rabo. Os pequeninos obedecem \u00e0 mesma regra das ox\u00edtonas.  Acentuam-se os terminados em <b>a<\/b>, <b>e<\/b> e <b>o<\/b>, seguidos ou n\u00e3o de  <b>s<\/b>. Compare: <i>sof\u00e1 (j\u00e1), est\u00e1s (d\u00e1s), voc\u00ea (d\u00ea), voc\u00eas (d\u00eas), cip\u00f3  (d\u00f3).<\/i>  <\/p>\n<p>Alguns d\u00e3o n\u00f3 em fuma\u00e7a. \u00c9 o caso do qu\u00ea. As tr\u00eas letrinhas mudam de time  como modelo troca de roupa. Ora s\u00e3o conjun\u00e7\u00e3o. Ora pronome. Ora substantivo. A  primeira equipe n\u00e3o oferece problema. O trio se apresenta sempre com a mesma  cara. Veja: <i>Disse que sairia mais cedo. Entre, que vem chuva braba<\/i>.  <\/p>\n<p>As outras provocam dor de cabe\u00e7a. Por duas raz\u00f5es. De um lado, elas t\u00eam o  poder da mobilidade. Saltam daqui para ali como macaco salta de galho. De outro,  variam de classe gramatical. Passam de pronome a substantivo com facilidade.  Elas fazem as artes. N\u00f3s pagamos o pato. O pre\u00e7o dessas mudan\u00e7as \u00e9 o acento.  Quando us\u00e1-lo? Em duas oportunidades:  <\/p>\n<p>1. Quando o qu\u00ea for substantivo. A\u00ed ser\u00e1 antecedido de pronome, artigo ou  numeral. Como todo nome, tem plural: <i>Giselle tem um qu\u00ea de sedutor. Qual o  mist\u00e9rio dos qu\u00eas? Corte os qu\u00eas da reda\u00e7\u00e3o. Belo qu\u00ea voc\u00ea introduziu no  discurso. Quem mandou?<\/i>  <\/p>\n<p>2. Quando o qu\u00ea for a \u00faltima palavra da frase \u2013 a \u00faltima mesmo, coladinha no  ponto: <i>Trabalhar pra qu\u00ea? Riu, mas n\u00e3o disse por qu\u00ea. Voc\u00ea se atrasou por  qu\u00ea? Ele se ofendeu com qu\u00ea?<\/i>  <\/p>\n<p>\u00c9 isso. Desvendados os dois empregos, o qu\u00ea recolhe-se \u00e0 pr\u00f3pria  insignific\u00e2ncia. Redatores que arrancam os cabelos por causa do acentinho chegam  \u00e0 conclus\u00e3o \u00f3bvia: n\u00e3o h\u00e1 por que temer o qu\u00ea.  &nbsp; &nbsp;<b> Bem-vindo se escreve junto ou separado, com ou sem h\u00edfen? (Igor Campos, 13 anos) <\/b>  <\/p>\n<p>H\u00edfen \u00e9 castigo de Deus. Existem regras. Mas s\u00e3o tantas as exce\u00e7\u00f5es que s\u00f3 h\u00e1  uma sa\u00edda. \u00c9 consultar o dicion\u00e1rio. O pai de todos n\u00f3s diz que bem-vindo se  escreve assim \u2014 um l\u00e1 e outro c\u00e1. &nbsp;<b>  <\/p>\n<p>Sempre me confundo com tr\u00e1s e traz. Como fazer para n\u00e3o errar de novo? (Lu\u00edsa Schneider, 18 anos) <\/b>  <\/p>\n<p>Lu\u00edsa, diante da d\u00favida, pergunte-se: a palavra \u00e9 verbo ou n\u00e3o? Se for verbo,  trata-se do verbo fazer. Fazer se escreve com z. Todas as formas dele derivadas  em que soa o z se grafam com a mesma letra (traz, trazemos, trazem). N\u00e3o \u00e9  verbo? Ent\u00e3o d\u00ea passagem ao <b>s<\/b>: <i>Vi Paulo por tr\u00e1s das cortinas. Andou  para tr\u00e1s. <\/i> &nbsp;<b>  <\/p>\n<p>Por que viajar se escreve com j e viagem com g? Tenho problemas com a troca  dessas letras na hora de escrever. (Ana Lu\u00edsa de Melo Monteiro, 13 anos) <\/b>  <\/p>\n<p>Olho vivo, Ana Lu\u00edsa. <i>Viajar<\/i> tem <b>j<\/b> no radical. Seguido de  qualquer vogal, o <b>j<\/b> mant\u00e9m o som. Por isso, viajar se conjuga sempre com  j: <i>eu viajo, ele viaja, n\u00f3s viajamos, eles viajam; que eu viaje, ele viaje,  n\u00f3s viajemos, eles viajem.<\/i>  <\/p>\n<p>Apesar da l\u00f3gica, a forma <i>viajem<\/i> (que eles viajem) sofre agress\u00f5es  impiedosas. Muitos, mas muitos mesmo, escrevem-na com g. Trope\u00e7am. <i>Viagem<\/i>  \u00e9 substantivo. O nome n\u00e3o tem nada a ver com o verbo. Um pertence a uma classe.  O outro, a outra: <i>ag\u00eancia de viagem; viagem ao Rio; preparativos para a  viagem.<\/i>  <\/p>\n<p>Bateu a d\u00favida? Banque o esperto. Recorra a macete pra l\u00e1 de conhecido. Ponha  a palavra no plural. Se ela joga na equipe de homens e jovens, n\u00e3o duvide. Voc\u00ea  est\u00e1 \u00e0s voltas com o substantivo. Veja: <i>Eles querem p\u00f4r o p\u00e9 na estrada? Que  ponham. Viajem e fa\u00e7am boa viagem. (Viajem e fa\u00e7am boas viagens.) <\/i> &nbsp; &nbsp;<b><\/b> <\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando usar que e qu\u00ea? (Henrique de Matos Patu, 17 anos) &nbsp; Henrique, acento tem tudo a ver com pron\u00fancia. Agudo e circunflexo s\u00f3 caem sobre a s\u00edlaba t\u00f4nica. Em diss\u00edlabos, triss\u00edlabos e poliss\u00edlabos, descobrir a mais forte \u00e9 f\u00e1cil como arrancar promessa de pol\u00edtico. \u00c9 com os monoss\u00edlabos que a porca torce o rabo. Os pequeninos obedecem \u00e0 mesma regra das ox\u00edtonas. 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