{"id":5022,"date":"2010-12-08T15:00:00","date_gmt":"2010-12-08T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/na_rabeira_dos_melhores\/"},"modified":"2010-12-08T15:00:00","modified_gmt":"2010-12-08T17:00:00","slug":"na_rabeira_dos_melhores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/na_rabeira_dos_melhores\/","title":{"rendered":"Na rabeira dos melhores"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi@dabr.com.br   <\/p>\n<p>Subdesenvolvimento n\u00e3o se improvisa. Cultiva-se. O atraso da educa\u00e7\u00e3o  brasileira se deve a longo processo de semeadura. Os portugueses eram avessos \u00e0  cultura na col\u00f4nia. Impress\u00e3o de livros e circula\u00e7\u00e3o de jornais s\u00f3 podiam ser  feitos com o aval do andar de cima \u2014 Estado e Igreja. Ops! N\u00e3o falamos do s\u00e9culo  16. Falamos do s\u00e9culo 19, quando o Brasil era sede da corte lusitana. Nossa  primeira universidade data de 1834. Pa\u00edses da Am\u00e9rica espanhola abriram as  portas para o saber nos anos 1.600.   <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que nossa primeira faculdade foi de direito. A segunda  tamb\u00e9m. Nossos mandachuvas tinham especial inclina\u00e7\u00e3o pela cultura bacharalesca.  O conhecimento de n\u00fameros, c\u00e1lculos e ci\u00eancias n\u00e3o gozava do mesmo privil\u00e9gio.  As consequ\u00eancias, como diz o conselheiro Ac\u00e1cio, v\u00eam depois. Na era da  inform\u00e1tica, o pa\u00eds precisa de engenheiros, f\u00edsicos, qu\u00edmicos. A car\u00eancia \u00e9 tal  que vivemos o pior dos cen\u00e1rios \u2014 importar m\u00e3o de obra quando um ex\u00e9rcito de  brasileiros precisa trabalhar, mas n\u00e3o tem qualifica\u00e7\u00e3o pra preencher as  vagas.   <\/p>\n<p>A reforma do ensino promovida pelos militares na d\u00e9cada de 70 democratizou o  acesso \u00e0 escola. Mas manteve o conhecimento restrito \u00e0 elite. Por qu\u00ea? A  institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o se preparou para receber a clientela sem lastro cultural.  Manteve os curr\u00edculos preparados para as crian\u00e7as com fam\u00edlias estruturadas,  conv\u00edvio com livros e acesso a bens culturais. Os professores n\u00e3o se  qualificaram para a nova realidade. Resultado: sem entender a l\u00edngua dos mestres  e sem interesse nos temas apresentados, meninos e meninas tomam um destes rumos  \u2014 a reprova\u00e7\u00e3o ou a evas\u00e3o. A elite se conservou elite. Migrou para os col\u00e9gios  privados.   <\/p>\n<p>Em educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 saltos. O grosso \u2014 escolas, bibliotecas, professores \u2014  est\u00e1 feito. Falta refinar o produto. Em bom portugu\u00eas: atualizar curr\u00edculos,  tornar as aulas interessantes, qualificar o professor. A escola tem de oferecer  condi\u00e7\u00f5es para p\u00f4r fim ao pacto da mediocridade. O professor precisa ensinar. O  aluno precisa aprender. N\u00e3o h\u00e1 m\u00e1gica. O exame do Pisa faz um alerta. N\u00f3s  continuamos na rabeira do mundo. Entre os melhores times, jogamos nos piores.  Pra mudar de equipe, precisamos estudar mais e melhor. Hor\u00e1rio integral se  imp\u00f5e. N\u00e3o pra depositar crian\u00e7as e jovens por mais tempo. Mas para ampliar e  aprofundar o saber.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi@dabr.com.br Subdesenvolvimento n\u00e3o se improvisa. Cultiva-se. O atraso da educa\u00e7\u00e3o brasileira se deve a longo processo de semeadura. Os portugueses eram avessos \u00e0 cultura na col\u00f4nia. Impress\u00e3o de livros e circula\u00e7\u00e3o de jornais s\u00f3 podiam ser feitos com o aval do andar de cima \u2014 Estado e Igreja. Ops! N\u00e3o falamos do s\u00e9culo 16. 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